As 50 Melhores Músicas de 2018 – Parte 2

E é isso garotas, sem muitos rodeios vamos à parte 2 da nossa anticipadíssima lista das Melhores Músicas de 2018! Nesse post, listamos as posições 25 a 1, basicamente o crème de la crème da indústria musical esse ano, além de compartilharmos nossa maravilhosa playlist do top 50! Essa é aliás a última postagem do JESUSWORECHANEL em 2018 e também o encerramento das nossas listas musicais que cobriram o melhor dos lançamentos desse singelo ano regido por Júpiter. Voltamos no início de 2019 com nossas listas de melhores filmes e séries. Até lá!


25. Red velvet – bad boy

“Bad Boy” é sem dúvidas umas das melhores faixas R&B do ano, além de ser o melhor single do Red Velvet nos últimos anos, visto que a SM Entertainment, empresa das garotas tentou nos enfiar bombas como Power Up e Really Bad Boy goela abaixo (ambas entraram na nossa lista de piores do ano). “Bad Boy” mostra a versatilidade das meninas e segue os mesmos conceitos de Automatic e One Of These Days, que fazem parte do “Lado Velvet” (conceito que deixou de existir depois que a SM cansou de tentar explicar para o povo Coreano e ninguém entender a ARTE). A faixa é o R&B perfection para os adoradores de músicas na vibe mais calminha e swaggy e que te deixam com aquela vontade louca de colocar um vestidinho de cetim mas com muita atitude de vadia má. Além disso, “Bad Boy” mostra uma imagem mais poderosa das garotas, mostrando que elas podem deixar o pop-chiclete de lado de vez em quando e investir em sons e estéticas mais maduras mas ainda assim com apelo universal.

[Lucas]


24. yaeji – one more

“One More” é o primeiro lançamento da gatinha do house depois do seu incrível “EP2”, que a tornou conhecidinha na blogosfera e rendeu um dos hits underground mais legais do ano passado, como “Raingurl”. Esse single novo ainda possui as cores da Yaeji: é totalmente construído dentro do contexto do gênero house, especialidade da artista, cantando com um desenvolvimento simplório e calmo como ela geralmente costuma trabalhar. Mesmo assim “One More” soa um tanto quanto diferente do catálogo normal da sul-coreana, sendo bem mais sussurrada e bem mais introspectiva que suas faixas antigas (que já são bastante inibidas até). A Yaeji soa “secretiva”, talvez cansada em seus vocais meio infantis e totalmente contidos e autotunados. A abundância de partes em coreano na canção ajuda a trazer um pouco mais o tom estranho que ela emana, especialmente porque a escolha da artista é pesar numa entonação rápida e caricata das palavras nessa língua. No geral, “One More” é uma experiência que flutua entre o desconforto e o engajamento, crescendo depois de umas ouvidas e possuindo aquele potencial para ser a faixa que te faz dançar sozinho no meio do quarto de madrugada, sendo quase um ode à introspecção dançante.

[Kelvyn]


23. fromis_9 – love bomb

Em um ano ótimo musicalmente falando, fromis_9 surpreendeu. Desde os primeiros lançamentos, lá no comecinho de 2018, elas já mostravam um certo tipo de qualidade, até que deslancharam com tudo nos últimos meses. Desde que o K-pop lembrou, de uns tempos para cá, que um BPM (batidas por minuto, basicamente a velocidade de uma canção) alto também faz uma música ser boa, muita coisa boa acabou por surgir e “Love Bomb” é uma dessas músicas. Com tudo para ser uma música completamente irritante, “Love Bomb” é frenética e imparável do começo ao fim, somente dando tempo para descanso em uma das melhores bridges do ano, que logo logo é cortada por uma explosão ainda maior no último refrão. Agitada, animada, eletrizante… Tudo isso pode servir para poder adjetivar “Love Bomb”, que com certeza foi uma das melhores músicas lançadas na Coreia do Sul esse ano e merece o devido lugar na lista.

[Caino]


22. The carters – apeshit

APESHIT” é uma das melhores músicas de 2018 e merece estar nesse TOP 50 por nos lembrar da importância da cultura negra dentro da sociedade de uma forma impactante e reunindo dois dos artistas negros mais importantes do nosso cenário musical atual. A faixa, assim como albúm de onde ela saiu, “Everything Is Love”, foi apenas uma das iscas para a divulgação da segunda turnê conjunta do casal The Carters, mas mesmo assim eles conseguiram inovar e trazer algo diferente e inesperado, como o vídeo da faixa que é fenomenal do começo ao fim. Prepare-se para entrar no mundinho The Carters BR com direito a um Hip Hop Perfection, repleto de batidas frenéticas que servem de ambiente perfeito para que a Beyoncé solte um rap cheio de swag e autotune – e sim, o rap da Beyoncé domina quase toda a faixa, deixando o Jay-Z limitado apenas a uma participação mais modesta e provando sim que é a mulher quem domina o jogo.

[Lucas]


21. rina sawayama – cherry

“Cherry” não poderia ficar de fora do nosso TOP 50, ainda mais por se tratar da faixa de uma das maiores queridinhas de toda equipe do JESUSWORECHANEL. Rina Sawayama já havia nos entregado um dos melhores álbuns de 2017 com seu EP autointitulado “Rina”, e é claro que em 2018 ela não iria fazer feio. “Cherry” sem dúvidas é o pop perfection que funciona muito bem com a artista, possuindo uma vibe romântica mas não menos reflexiva que se mistura com as batidas clássicas de Pop. Basicamente um R&B/POP para os apaixonados de plantão, cheia efeitos sonoros, como naves espaciais se abrindo e pequenos sinos ao fundo, que dão um toque final a faixa. Não bastasse ela soar boa por si só, a canção também endereça os questionamentos de Rina acerca de sua própria sexualidade (a cantora se assumiu pansexual há alguns meses), o que é ainda mais evidenciado pelo seu videoclipe minimalista, rosé e cheio de referências.

[Lucas]


20. loona/chuu & go won – seesaw (feat. Kim lip)

B-sides quase nunca possuem o mesmo tipo de tratamento que uma A-side tem no K-pop, servindo, normalmente, para dar mais volume ao produto que está sendo lançado. A cultura do zelo por b-sides de alta qualidade é algo que começou apenas em lançamentos relativamente recentes na música sul-coreana – especialmente de cinco anos pra cá, como no Pink Tape do f(x) – e hoje perdura de alguma maneira com alguns atos buscando não só uma discografia de faixas principais boas, mas sim uma discografia inteira. Ano passado, o LOONA nos trouxe “Love Letter” e esse ano é a vez de “SeeSaw”, b-side do single “One & Only” da GoWon. “SeeSaw” fala sobre um amor instável e o compara com uma gangorra, que sobe e desce. Sua letra é acompanhada por vocais impecáveis de Chuu, em sua melhor performance vocal na época pré-debut do LOONA, e da crunchy voice de GoWon, que se complementam e fazem da faixa um grande espetáculo musical. Detalhe pra Kim Lip que aparece aqui só pra dar um oizinho mesmo.

[Caino]


19. munya – hotel delmano

Bastante desconhecida não só pelo público do JESUSWORECHANEL mas também pelo público geral, a MUNYA é uma artista de sophisti-pop canadense que canta em inglês e francês. “Hotel Delmano” é o single principal do rápido EP que ela lançou esse ano, o “Delmano”, um pop francês sintetizado que lembra diretamente o estilo das famosas canções do Serge Gainsbourg, especialmente por ter uma produção cheia de tecladinhos e sons eletrônicos que são descaradamente retrô e remetem diretamente às músicas francesas dos anos 80 e 90. A voz leve, pausada e concentrada em notas simples da MUNYA ajuda a trazer leveza para a faixa, que soa como uma brisa refrescante envolta em sons afáveis e um clima de romantismo kitsch.

[Kelvyn]


18. yves tumor – lifetime

Yves Tumor é um artista experimental anteriormente bem devotado à música barulhenta (vulgo noise), mas que recentemente anda expandindo seu leque sonoro, especialmente com o lançamento do seu último álbum, “Safe in the Hands of Love”. “Lifetime” é um dos single desse disco em questão e uma das músicas mais ressonantes do ano em minha humildezinha opinião. Construída por cima de sons que misturam os gêneros pop-rock, música ambiente e rock alternativo, a faixa é uma experiência emocional carregada por versos quase gritados e entoados com uma urgência agoniante. Na letra, Yves Tumor adereça em sua voz meio hum… meio lennykravitzca… cenas de intensa dor emocional e melancolia, com versos como “I miss the days out in Biscayne / I miss my brothers /Give me three more weeks to sort this out / I swear I’ll prosper”. O trabalho de bateria nessa canção é um dos mais perfeitos desse ano, com sons de bumbos, caixas e pratos de ataque orgânicos que transcendem e criam o ambiente perfeito para que a pulsação frenética da música aconteça.

[Kelvyn]


17. joji – slow dancing in the dark

Joji teve um ótimo ano em 2018, com o lançamento do “BALLADS 1”, aclamado por todas as bichas tristes que gostam de sofrer e é claro pelo JESUSWORECHANEL. A música que mais traduz todo o sentimento do álbum é “SLOW DANCING IN THE DARK”, que é uma power ballad completamente desconstruída e sombria. Com toda a sua atmosfera fúnebre e letra nada positiva, Joji cria um mundo de desilusão, desespero e melancolia em seus pouco mais de 3 minutos de duração e nos convida para compartilhar dos mesmos sentimentos que ele. É triste, é intensa, é poderosa, é uma das melhores do ano.

[Caino]


16. charli xcx – no angel

Sem mixtapes esse ano, a Charli resolveu ficar só no âmbito dos singles aleatórios mesmo, sejam eles empurrados pela gravadora (“5 in the Morning”) ou pedaços de seus trabalhos com o pessoal da PC Music que ainda não tinham visto a luz do dia de forma oficial (“Girls Night Out”). “No Angel” se encaixa nessa segunda categoria e saiu na forma de single duplo com a ofuscadíssima faixa “Focus”. Com uma produção que mescla o bubblegum pop com um bazz fuzzy trazido pelo Saltwives e The Invisible Man (produtor de “Fancy”), além da co-produção da SOPHIE, “No Angel”, apesar de seu som brilhante e high energy, é uma música com letra obscura e cheia de arrependimento amoroso. Como o título sugere, a Charli basicamente usa a letra para se desculpar do fato de ser uma pessoa imperfeita e que comete erros com uma facilidade notável (“I’m sorry that you caught me fucking in the hotel /I didn’t mean anything” é o verso que arremata o lírico aqui). Claro que ela é apenas uma faixa pop que não intenciona ser algo lá muito profundo, mas a canção surpreende pela sinceridade de sua letra, que encontra nas construções vocais da Charli (sempre muito grudentas) o caminho certo para escalar até a posição #16 dessa nossa lista.

[Kelvyn]


15. elza soares – banho

Composta pela maravilhosa Tulipa Ruiz e ganhando vida na interpretação totalmente singular da Elza Soares, “Banho” é uma faixa pop-rock com firulas e trejeitos eletrônicos que metaforiza com muitos elementos aquáticos (e salivares) a anatomia e os trejeitos femininos. A faixa não é óbvia sobre a condição feminina: ela é atiçante, caprichosa, com um humor temperamental muito específico, além de um ar de incisão constante. Contando com tambores do Centro de Educação e Cultura Negra Ilu Obá de Min, que preenche as lacunas instrumentais e o deixa ainda mais interessante, a faixa é um dos momentos mais intensos da música brasileira em 2018 e arremata facilmente o ouvinte quando a Elza Soares antinge com afinco o refrão impactante e subversivo: “Enxáguo a nascente, lavo a porra toda / Pra maresia combinar com o meu rio, viu?”.

[Kelvyn]


14. sunmi – siren

“Siren”, música considerada para o catálogo retrô das Wonder Girls e que nunca foi lançada, teve sua demo de 2016 vazada pela própria Sunmi por esses dias no seu Twitter. Ouvindo a versão antiga nos fez perceber ainda mais o quão poderosa que “Siren” é, ainda mais em 2018. A música foi completamente reformulada e, se antes parecia algo muito característico das Wonder Girls e uma faixa que poderia muito bem estar no REBOOT, hoje ela parece muito mais algo que uma solista capaz como a Sunmi lançaria, consolidando-a no topo de solistas coreanas atualmente. O synthpop que Sunmi traz em Siren é categórico e icônico, pontuado por fortes sons retrowave e com alguns twists que tornam ela mais moderna. É claro que a letra torna tudo ainda melhor, onde a própria Sunmi pôs as suas ideias no papel e metaforiza os seus receios em ser cortejada romanticamente com os perigos de uma Sereia (ou Sirena da mitologia grega), já que ela sabe que de uma forma ou de outra vai acabar machucando os seus interesses amorosos mesmo sem querer.

[Caino]


13. lana del rey – venice bitch

Venice Bitch” é uma das ~canções de fim de verão~ lançadas esse ano pela Lana e, juntamente com a ótima “Mariners Apartment Complex”, é uma das primeiras amostras do novo álbum da cantora, o “Norman Fucking Rockwell” (deus tenha piedade desses títulos que eu ainda não decidi se são toscamente criativos ou só estúpidos mesmo). A faixa é uma trip de quase 10 minutos que de forma automática acaba ganhando o status de peça musical mais experimental e estranhamente ambiciosa da artista. Iniciando como uma balada simplória, ela vai se desenvolvendo em um rock nostálgico e espaçado, abraçando depois a completa psicodelia em solos de uma guitarra elétrica inquieta e interpolações vocais viajadas da Laninha – quase um Ultraviolence depois de muito (mais) padê. A letra é um show à parte, e parece ter saído diretamente de um site gerador automático de letras da Lana Del Rey, já que engloba literalmente quase todos os clichês possíveis de letras de canções antigas dela e rende rimas incríveis como “Ice cream / Ice queen” (que só uma música dela poderia render). O melhor de tudo é que a Lana nem parece mais se importar: “Venice Bitch” é isso aí mesmo e ela meio que fala por si só e é exatamente por isso que é tão boa.

[Kelvyn]


12. april – oh! my mistake

Os anos 80 sempre são relembrados de tempos em tempos por uma geração completamente nostálgica e que aprecia o vintage. O retrô é presente no K-pop desde que ele começou a tomar forma e são inúmeros os grupos que tentaram fazer algo mais puxado para décadas passadas. Exceto as Wonder Girls, talvez nenhum tenha tido a excelência que APRIL teve ao lançar “Oh! My Mistake”, uma música extremamente completa e que bebe da fonte do synthpop e do new-wave, presente em grupos icônicos como o norueguês A-ha, de uma forma completamente orgânica. A música é muito bem construída, com todas as suas twists e turns de intro breaks e outros, com uma letra extremamente irônica (“O meu maior pecado é ser bonita” é uma das frases do ano, sem dúvidas) e um acompanhamento visual impecável. É difícil entender como uma música dessas não caiu no gosto pessoal da Coreia do Sul, mas fácil de perceber que não é todo tipo de talento natural que é reconhecido.

[Caino]


11. jaloo & mc tha – céu azul

Sem dúvidas esta não é só uma das melhores músicas do ano, mas também a melhor colaboração de 2018. Depois de muito tempo de espera, o duo de amigos Jaloo e MC Tha nos presenteou com “Céu Azul”, uma mescla de MPB com indie pop que deu muito certo na união de vozes desses dois (que são alguns dos melhores artistas brasileiros atualmente). A letra, composta há alguns anos pela MC Tha, é capaz de deixar o ouvinte arrepiado desde a primeira reprodução. Em entrevista exclusiva para o blog (que pode ser conferida aqui), Tha nos revelou que a faixa se trata de uma continuação da canção “A Cidade”, outra colaboração entre eles para o disco de estreia de Jaloo. No caso de “Céu Azul”, a música delineia em seus versos poéticos a história facilmente identificável de gente que batalha por seus objetivos em ambiente urbanos pouco confortáveis, retratando de forma semi-autobiográfica a mudança da MC Tha da periferia de São Paulo para o centro da cidade. Céu Azul além de tudo traz uma produção que é quase uma tradução muito moderna e indiezuda do samba, repaginando essa sonoridade tradicional brasileira em um instrumental que desafia convenções de gênero musical.

[Lucas]


10. kyungri – blue moon

O synthpop envolvente de uma solista debutante pode levá-la a patamares nunca alcançados no K-pop, e esse elemento misturado a um refrão que tira o clímax de você, pode levar uma música a se tornar uma das melhores do gênero nesse ano. “Blue Moon” tem todas essas características, uma bridge em crescendo que te pega pela mão em uma escada interminável e quando você acha que está no topo, o refrão te joga para baixo novamente. É como tirar um doce da boca de uma criança, e Kyungri te provoca com falsettos sensuais e incrivelmente envolventes. Mesmo sendo quase inexpressiva em todas as plataformas da Coreia do Sul, a música é uma obra de arte que deve ser apreciada por todas as suas pausas pré-refrão, e o break que flerta levemente com o trap, mas só te presenteia com um bass deep house de tirar o fôlego. “Blue Moon” é definitivamente o som do futuro das solistas do k-pop e algo que uma ChungHa da vida mataria para ter no catálogo.

[Michel]


9. kali uchis – miami (feat. bia)

Eleita como a dona do melhor álbumde 2018 pelo JESUSWORECHANEL, Kali Uchis não podia deixar de aparecer por aqui com suas obras de arte. “Miami” é a típica música de verão que se destoa de todas as outras por ser sensual e quase-intimidadora. Kali Uchis conta a história de quando chegou à cidade com sua família, e as dificuldades que ela passou enquanto imigrante e dá a sua própria versão do que seria o tão idealizado sonho americano. O refrão com frases marcantes (“Viva rápido e nunca morra / Eu estou me movendo na velocidade da luz”), os acordes arrastados e a voz sensual de Kali deixam tudo mais interessante na odisséia em busca do ideal norte-americana da cantora, ainda mais se tudo isso for agregado ao lado de um rap de Bia, onde ela mistura o espanhol com o inglês. Além disso, a gata nos deixou uma intro extremamente memorável: “Kali Uchis, Bia, Las cabroncitas, bienvenidas a Miami” – quotável em qualquer situação com as inseparáveis amigas latinas.

[Michel]


8. ariana grande – no tears left to cry

Depois de tragédias horríveis envolvendo seu nome, Ariana Grande tomou seu luto – e sua luta – e a transformou em uma faixa dance-pop viciante. A gata, que estava sendo esperada para um grande comeback após os gays adotarem-a como parte da comunidade com seu álbum “Dangerous Woman”, não deixou a desejar com o a produção de Max Martin que é estruturada como um grande clássico. “no tears left to cry” parece ter sido posta em uma cápsula temporal direto dos anos 80. Em uma composição um tanto aproximada das pessoas comuns, a grande estrela do pop anuncia que ela está em outro estado mental, sem lágrimas para chorar, gritando com seus agudos e mostrando para nós que ela não estava vindo para brincadeira. As das vozes angelicais ao fundo e os elementos minimalistas da produção tornam tudo ainda mais suculento, fazendo dessa uma obra para ser GRANDE. Nós sabemos muito bem que o 2018 da Ariana continuou sendo horrível e ela teve mesmo algumas outras lágrimas para chorar após essa música, mas isso não tira a magia do single como um dos melhores lançamentos do ano e uma das faixas mais legais da discografia de Arianinha

[Michel]


7. kacey musgraves – high horse

Kacey Musgraves pode até não ser muito relevante no cenário musical mainstream geral (se bem que ela andou ganhando uma importância ótima e até indicação ao Grammy nesses últimos meses), mas “High Horse”, assim como o seu segundo álbum “Golden Hour”, merecem o selinho de qualidade do JESUSWORECHANEL. “High Horse” é o Country perfection que a Gaga queria ter feito no Joanne ou a Kylie Minogue gostaria de ter feito na sua era “Golden (mas infelizmente a nossa mainha australiana não fez nem cosquinhas nas gays de Barretos). Com uma melodia clássica de country, a faixa é composta de batidas que se mesclam entre Pop e EDM e se misturam a dedilhadas de violões e banjos, tornando-se assim facilmente uma das melhores uniões modernas desse gênero musical tão tradicional para os americanos com os ritmos mais atuais da era pós-Spotify. Isso acontece é claro porque a Kacey já veio do country e não usou o gênero apenas como muleta para atingir o sucesso com o público-comum dos Estados Unidos, e a experiência dela nesse nicho é notável pela forma como ela consegue instintivamente fazer o country conversar com outras dimensões sonoras.

[Lucas]


6. lady gaga & bradley cooper – shallow

A principal música do filme “Nasce Uma Estrela” e um dos maiores hits do ano – Grammy nominee, amores – não poderia deixar de aparecer aqui. “Shallow” pode não ser um hit pop exagerado que Lady Gaga costumava servir, mas é sem dúvidas uma música pop-country madura e ressonante que te deixa boquiaberto. Acompanhada ao filme, “Shallow” é extremamente majestosa, mas sem o filme ela ainda continua fiel em seu propósito: servir como uma música que ao mesmo tempo soa universal e fala com o público intimamente. Sem contar que Lady Gaga cria um dos maiores momentos da indústria da música e da sua carreira compondo a ponte da faixa, em uma vocalização que cresce para tons inexplicáveis e culmina em um último refrão poderoso e extremamente memorável

[Michel]


5. loona/olivia hye – egoist (feat. jinsoul)

Começando como uma música synthpop despretensiosa, ninguém esperava que “Egoist” seria uma faixa de autoaceitação munida de batidas incríveis, mas a BlockBerry Creative (empresa que gerencia o LOONA) não fecharia o seu projeto de dois anos com uma faixa sem impacto nenhum. O solo de Olivia Hye é penetrado de melancolia em seus versos, subindo em um tom dark em seu pré-refrão e atingindo um clímax pop-perfection na medida certa – e, ainda abrindo espaço para um rap de outra integrante do mesmo grupo, JinSoul, que adiciona um tempero a mais na música – parabéns Iggy Azalea. A hook da música, que grita “Amar a mim mesmo hoje/Te deixar ir hoje”, exala uma mensagem de autovalorização inesperada para os padrões coreanos, tão inesperada que casa perfeitamente com a produção da música, construindo aos poucos o cenário perfeito do refrão impactante com a voz de Olivia Hye. “Egoist” é sem dúvidas uma das melhores músicas já lançadas pelo LOONA e a melhor da Coreia do Sul esse ano, não só pela surra de synth, mas também por fechar o projeto pré-debut das garotas do mês com chave de ouro.

[Michel]


4. janelle monáe – make me feel

2018 foi o ano da Janelle e isso pode ser notado facilmente pela ampla aclamação do terceiro álbum da gata, o “Dirty Computer”. O momento de abertura dessa era otimista dela foi com o impactante e grudento single “Make Me Feel”, uma guinada da artista aos sons mais pop que seus álbuns antigos (geralmente focados em R&B e experimentações que iam até o soul e rock psicodélico). O single é um pop chiclete marcado por uma guitarrinha funky e sons que soam plásticos e elásticos (fazendo a faixa quase que literalmente “pulsar” e “borbulhar” nos ouvidos), com uma letra que grita liberdade e empoderamento sexual apesar de ainda se focar na descrição de sentimentos direcionados a um interesse amoroso. A melhor parte de “Make Me Feel” é como a faixa cresce em seus primeiros momentos para depois nos agraciar com um refrão mais calmo e minimalista, algo influenciado muito diretamente pelo refrão da canção “Kiss” do saudoso Prince, que aliás foi mentor e eventual colaborador da Janelle.

[Kelvyn]


3. mitski – nobody

O último álbum da Mitski, “Be the Cowboy”, foi um disco feito para que ela pudesse finalmente pôr em prática certas experimentações com seu som, antes um pouco limitado apenas ao pop-rock com uma pitadinha de noise de vez em quando. “Nobody” é a faixa onde essas experimentações atingiram seus maiores alcances, sendo um pop-disco retrô e melancólico (mas um tanto dançante) que anos atrás ninguém imaginaria ouvir na voz da gata nippo-americana. Além das guitarrinhas leves e do som de piano e sintetizadores, a música é claramente focada em sua letra reflexiva e cheia de solitude, onde a Mitski parece degustar sozinha a sua própria solidão enquanto repete compulsivamente que ninguém a quer. “Nobody” é uma faixa de fácil identificação, tudo na letra parece abraçar quem volta e meia é atingido pelo mesmo sentimento, mas ela faz isso de uma forma muito peculiar à composição da Mitski e muito menos parada do que as outras faixas sobre solidão costumam fazer.

[Kelvyn]


2. rosalía – malamente (cap.1: augurio)

Rosalía brilhou como a verdadeira estrela que ela é em 2018. Com álbum, clipes e singles, a cantora mostrou para a indústria mainstream que é possível trazer ritmos tradicionais incomuns e traduzi-los para vertentes mais atuais. Com “MALAMENTE (Cap 1.: Augurio)” isso não foi diferente. A música pega o pop latino e transcreve-o com elementos da música flamenca, criando um pop bem característico e um universo sonoro quase que particular da Rosalía. Aqui, a artista canta sobre o pressentimento ruim que temos quando estamos prestes a entrar em um relacionamento, consulta ciganas, bate palmas e procura as estrelas – tudo está escrito nas cartas, mas ela decide apenas abraçar esse destino que já está escrito. Ela faz tudo isso enquanto nos leva a uma odisséia romântica épica com a ajuda de violões hispânicos e uma entonação vocal que hora é agridoce em versos mais agudos, hora é sussurrada por cima dos famosos gritos de “TRÁ TRÁ” do refrão. “MALAMENTE (Cap 1.: Augurio)” tem a ousadia necessária e a coragem requerida para pintar em 2018 como um ano marcado pelas palminhas inesquecíveis de Rosalía e sua revolução em curso da música de raízes latinas.

[Michel]


1. robyn – honey

Honey” já nos havia sido apresentada anos atrás em uma versão diferente, mas esse ano ganhou sua versão final como faixa-título do último álbum da Robyn – e dessa vez parece ter finalmente se encontrado em seu novo arranjo, que mescla suavemente o deephouse com o synthpop e abre possibilidades para que a artista explore mais as dimensões espaciais e temporais da composição.”Provocação” é o termo mais acurado para definir a faixa, apesar de ainda não ser o termo mais perfeito, já que ela que expressa isso não só na sua dimensão instrumental, mas também em toda a sua parte lírica. O verso que abre a faixa e depois evolui para o seu refrão, “Não, você não vai conseguir o que você precisa / Mas querido eu tenho o que você quer“, soa quase como a metaforização perfeita do jogo de paciência em que a Robyn nos lançou nos últimos anos, revelando material no conta-gotas e apresentando de forma insanamente vagarosa o que viria pela frente. Indo para além do instrumental atmosférico, a letra também ajuda na impressão “sensorial” que o single nos dá, onde a artista vai listando sensações e sabores que vão dos sussurros à percepção das cores, do mel à saliva. A Robyn está em seu elemento aqui, dominando os gêneros da faixa como nunca e indicando que sua devoção ao pop perfection pode se perpetuar em qualquer que seja a arma sonora que ela escolha para se alinhar.

[Kelvyn]


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