As 50 Melhores Músicas de 2018 – Parte 1

Míseros dois dias para o fim do ano e claro que não podíamos deixar de servir o fiel ou recente leitor do JESUSWORECHANEL com a nossa magnífica e anticipadíssima lista das Melhores Músicas de 2018! Dessa vez nós resolvemos fazer um pouquinho diferente: nós vamos listar simplesmente 50 músicas (sim, CINQUENTA músicas) que mais reverberaram entre o público do blog, o público geral, a crítica especializada (risos), e claro, entre o nosso gosto pessoal esse ano. Dividindo o post em 2 partes, essa primeira leva de músicas contempla as nossas posições de 50 a 26 – e, por ser a parte menos privilegiada do top, aproveitamos o espaço para elencar as melhores b-sides, deep cuts, faixas subestimadas ou não lá muito comentadas que fizeram de 2018 um ano musical (quase) impecável. LESGO conferir quem rankeou na lista:


50. Ashlee + Evan – Safe Zone

Ashlee Simpson finalmente voltou, quer dizer, mais ou menos… depois de um hiato quase que interminável e diversas promessas não cumpridas de um quarto disco que foi engavetado, a gata reapareceu em 2018 lançando uma música por semana em parceria com o seu marido, até finalizar 6 canções com o lançamento do EP “ASHLEE + EVAN”. Nesse trabalho pudemos acompanhar pouco a pouco como Ashlee cresceu musicalmente falando, e “Safe Zone” é provavelmente a música que mais atesta isso, onde podemos acompanhar uma Ashlee Simpson muito mais madura, evoluída e segura de si mesma. Foram 10 anos desde o último CD, e se Safe Zone for um indicativo do que está por vir estamos prontos para um quarto álbum incrível.

[Caino]


49. IZA – Dona de Mim

Iza foi um dos nomes que mais prometeram bombar na cena musical pop do Brasil e o desafio foi cumprido, mesmo que tenha rendido um álbum de estreia um tanto meia-bomba em 2018 esse ano. O Disco ao menos rendeu alguns hinos (que podem ser contados com uma mão só, mas tá valendo), e a faixa título, “Dona de Mim” é uma das melhores músicas do trabalho pelo simples fato de transpirar a militância empoderadíssima mas pop e viciante que todas nós adoramos. Com uma pegada de Hip-Hop misturada com um Pop e R&B de leve, IZA nos dá a balada que Anitta sempre sonhou em dar mas nunca teve o cacife e nem o GOGÓ.

[Lucas]


48. Uffie – Sideways

O ano foi realmente de retornos inesperados, mas o mais inesperado de todos foi o comeback musical da Uffie. A gata, que foi um dos grandes nomes do electroclash nos anos 2000, andava parada desde pelo menos 2011 (!), reaparecendo apenas esporadicamente no Facebook para prometer música nova de vez em quando (e nunca realmente cumprindo). Agora as promessas de material novo finalmente saíram do papel em uma série de quatro singles interessantíssimos e também algumas parcerias. A melhor canção dessa leva é “Sideways”, um synthpop digitalizado e autotunado com um refrão que não pode ser descrito por nenhum adjetivo além de “viciante”. A faixa sabe aproveitar a voz fraca e não muito desenvolvida da Uffie, fazendo ela deslizar roboticamente por cima de um bass plástico e fortes batidas compassadas, culminando em uma mudança de nota quase épica nos refrão final.

[Kelvyn]


47. Tinashe – No Drama (feat. Offset)

2018 passou voando e nós do JESUSWORECHANEL seguimos alimentando a nossa pequena menina mulher Tinashe, que com o passar desse ano enfrentou vários rolês negativos [momento Fofocalizando], incluindo a traição do namorado e a eliminação injusta do Dancing With The Stars dos EUA. Mas o que importa para nós do blog é que “No Drama” é uma das melhores músicas do ano e nada mais importa além da nossa opinião Tinashenatic. A faixa nos ganha pelo simples fato de nos lembrar da capacidade da Tinashe no cenário musical, sendo um clássico R&B com produção suave e pulsante, além de ser uma das faixas mais fortes do catálogo da nossa gatinha. Alimente uma Tinashe, sendo pelas plataformas de música digitais ou até mesmo pelo Youtube, assistindo ao incrível vídeo de No Drama e ajudando no projeto 10k do Joyride.

[Lucas]


46. K/DA – POP/STARS

A união de forças do K-Pop e do Pop americanizado nessa faixa literalmente feita pra divulgar skins do League Of Legends conseguiu culminar em um dos maiores batidões inadvertidamente dançantes desse ano. “POP/STARS” é um future bass metálico e intenso que une muito bem os talentos das integrantes Soyeon e Miyeon do grupo (G)-IDLE com as cantoras Madison Beer e Jaira Burns, sendo cheia de melodias memoráveis e uma letra altamente “quotável”. A melhor parte fica é claro pro rap épico da Soyeon na pele da campeã Akali, de longe um dos momentos mais legais de faixas relacionadas ao K-Pop esse ano.

[Lucas]


45. Hyolyn – Dally (feat. GRAY)

A Hyolyn se empoderou e agora é uma das cantoras solo mais interessantes da Coreia do Sul, embora o reconhecimento que ela merece ainda não tenha exatamente acontecido. “Dally (feat. GRAY)” foi a primeira canção de uma série fechada de singles que a Sabrina Sato coreana lançou esse ano, sendo um R&B que consegue facilmente comportar os talentos vocais da artista e colocá-la em um mood entre o sensual e o dançante. A faixa se desenvolve de forma implacável, chegando em um refrão incapaz de deixar o ouvinte parado e abrindo espaço para os raps do GRAY, que inclusive não parece encaixado aleatoriamente na música e consegue torná-la ainda mais interessante. Claro que o grande destaque de “Dally” vai para a sua coreografia intensa e um tanto sacana, impactante o suficiente para elevar ainda mais a música.

[Lucas]


44. Iceage – Catch It

O Iceage é uma banda soft-punk dinamarquesa cujo som provavelmente não tem nada a ver com o que o público do JESUSWORECHANEL curte, mas eles merecem seu devido lugar nessa lista porque “Catch It” é simplesmente uma das faixas mais impactantes do ano e saiu do ótimo quarto álbum do grupo, o aclamadíssmo “Beyondless”. A música é um punk rock mais indireto e deprimido, que se desenvolve por cima de um ritmo compassado de banda marcial, ficando mais rápida ou mais lenta ao longo do tempo e rendendo alguns solos de guitarra intensos próximos ao final. A voz do frontman da banda, Elias Rønnenfelt, tem muito dos trejeitos de um Julian Casablancas da vida, vendendo com maestria o pessimismo bêbado e rosnado que a letra da música traz.

[Kelvyn]


43. Allie X – Science

Em um 2018 um tanto inexpressivo, Allie X ainda conseguiu se destacar por seu intelecto sonoro com “Science”. Terceiro single do seu EP, “Super Sunset”, a quarta faixa te convida a imaginar um cenário vaporwave de grandes arranha-céus cobertos de luzes neon (ela mesma descreve a sonoridade da canção como um gif vapowave do Tumblr) enquanto a sua composição continua envolvente e cativante assim com as melhores faixas do catálogo da artista: Allie X canta sobre a perfeição da ciência do amor entre ela e o seu companheiro. Isso tudo ainda colocando-nos em um feeling de trilha sonora de filme sci-fi por conta de seus synths e heavy basses oitentistas que poderiam ter facilmente saído das canções de fundo de “Tron”.

[Michel]


42. Christina Aguilera – Like I Do (feat. GoldLink)

O “Liberation” da Christina Aguilera foi um álbum de retorno na medida: não é o melhor lançamento do ano mas está longe de ser ruim, se firmando quase como uma ponte para que a artista possa se reafirmar no mercado e então planejar saltos musicais mais ambiciosos. De qualquer forma o disco rendeu algumas faixas não exatamente memoráveis mas ao menos extremamente agradáveis e interessantes. “Like I Do” é realmente o melhor cut do disco e traz a Xtina por cima de um R&B moody, que começa lento e atmosférico e cresce em um refrão cheio de graves intensos, pontadas de um synth e um som distinto de flauta que acompanha a música toda. A faixa aliás dispensa os exageros vocais da Christina, que só surgem lá próximos do finalzinho por cotas mesmo ou whatever, o destaque aqui mesmo é a química entre a artista e o rapper GoldLink, uma parceria não lá muito alardeada mas que foi marcante o suficiente para render até uma indicação ao Grammy aos dois.

[Kelvyn]


41. BoA – U&I

A eterna musa do pop asiático teve um ano atarefado, onde lançou simplesmente dois álbuns completos e dois EPs (!!!) entre o Japão e a Coreia do Sul. Em seu álbum coreano “WOMAN”, o melhor de seus lançamentos em 2018, BoA esteve obstinada a dar a surra de synth que os ouvintes coreanos mereciam, e a faixa que cumpre esse objetivo é a deliciosíssima “U&I”. Composta pela cantora Sumin (não confundir com Sunmi), uma das revelações do cenário alternativo do K-pop, a canção é um synthpop atmosférico pontuado por guitarrinhas funky e um bass oitentista que casam perfeitamente com os vocais “gritty” da BoA. A música é basicamente a “Shattered” de 2018, com aquele refrão catchy e composição pop-perfection o suficiente para se consagrar como uma das melhores amostras do catálogo recente da artista.

[Kelvyn]


40. Troye Sivan – Dance to This (feat. Ariana Grande)

Com a ajuda de guitarras funky, pads atmosféricas, batidas pesadas e um pop-R&B (bastante Janet Jackson) que nos remete aos anos 80, Troye Sivan e Ariana Grande fazem um ótimo par cantando sobre a escassez das festas do jovem millennial. O contraste vocal da dupla deixa tudo mais interessante depois do segundo refrão, ao ponto em que nos pegamos repetindo as firulas vocais dos dois artistas logo depois da primeira ouvida. “Dance To This” foi o terceiro single do álbum “Bloom” de Troye Sivan, produzida por Oscar Holter – que também participou de outras músicas do álbum – e destaca-se não só pela participação de Ariana Grande, mas por ser uma música cheia de referências que provoca diversos sentimentos em quem está escutando. Dos acordes “dreamy” ao synth “fast-paced”, a música de Troye Sivan e Ariana Grande é como uma droga facilmente viciável.

[Michel]


39. Kim Petras – Close Your Eyes

A mais nova marmitinha do Dr. Luke não tem do que reclamar, já que teve um excelente ano, musicalmente falando, e conseguiu atestar o seu talento, tanto quanto cantora quanto compositora, com sua mixtape assombrada lançada nesse ano, a “TURN OFF THE LIGHT, VOL. 1”. Dentre as várias (ótimas) faixas do trabalho, que tem canções cantadas e instrumentais frenéticos, “Close Your Eyes” é simplesmente o ápice e uma das melhores produções de Luke em anos, extremamente criativa e ainda dentro de todo o clima halloweenesco que a mixtape tentou criar. É catchy as hell (risos) e os gritinhos ou construções vocoderizadas onde a Petras entoa “Close your eyessss / Close your eyes” ficam na cabeça por dias.

[Caino]


38. Mariah Carey – A No No

Mariah Carey nesse ano de 2018 nos abençoou com um dos seus melhores álbuns em anos, que inclusive ganhou uma review aqui no blog e fez a sua fama nas listas de fim de ano de várias publicações renomadas. Pactuado o fato de que “Caution” é um disco maravilhoso, nós ainda por cima fomos gratificados com “A No No”, que sem dúvidas é uma das melhores músicas do trabalho, onde gatinha fecha a faixa cantando simplesmente em 4 fucking idiomas diferentes (Espanhol, Japonês e inclusive o nosso maravilhoso Português, além, é claro, do Francês: VIVE LA FRAAAAAAAAAAANCE). “A No No” é o pop perfection que só acontece na voz da Mariah: com batidas clássicas que se misturam com um trap de leve, a faixa transpira os sentimentos da Mimi e reforça que ela NÃO está disponível para qualquer que seja o macho escroto que tenha pisado na bola com ela, I SAID NO Tanaka!

[Lucas]


37. MGMT – She Works Out Too Much

O MGMT fez o que ninguém achava muito possível esse ano: lançou um disco BOM e que pega muitas estéticas e sonoridades nostálgicas mas que ao mesmo tempo soam prafrentex. A melhor faixa do disco, tirando os singles já lançados em 2017, é a quirky e divertidinha “She Works Out Too Much”. A canção é um synthpop oitentista bubble pop com bateriazinha orgânica programada em drum machine que lembra diretamente as icônicas e revolucionárias produções do trio japonês Yello Magic Orchestra. Na letra, Andrew Vanwyngarden canta preguiçosamente sobre os impasses dos relacionamentos modernos frente à tecnologia e todo o nosso contexto hiperconectado. É uma letra bobinha, mas que consegue encontrar um humor leve e flutuar por uma atmosfera divertida e fresh, onde vozes femininas que parecem saídas de um pacote de vozes de estoque e frases robotizadas criam um ambiente bem próprio e devidamente soft-psicodélico.

[Kelvyn]


36. billie eilish & Khalid – lovely

Uma das músicas mais sinceras desse ano, “lovely” é depressão pura, onde a Billie Eilish está sendo honesta com seus sentimentos quando, por meio de ironia, nos diz como é ótimo estar sozinha e sucumbida por todos seus medos e anseios. A combinação da voz da menina com o jovem Khalid só ajuda na construção da canção, que é tão triste que é impossível de ouvir só uma vez, com uma produção simples e direta e instrumental privilegiando arranjos tão atraentes quanto pessimistas de violino. A vulnerabilidade que a artista exibe no refrão é algo bem único na carreira dela até agora, e ajuda a desconstruir um pouco a imagem estranha e forçada que a Billie às vezes parece querer vender na internet.

[Caino]


35. Niara – Não Esqueço (feat. Pabllo Vittar)

O R&B suave do grupo estreante Niara marcou 2018 pela sua qualidade e o encaixe perfeito com a voz de Pabllo Vittar. Sultry, sensual e envolvente, “Não Esqueço” é marcante por sua produção brasileira impecável, visando sons que deviam ser mais explorados no país e não possuem o mesmo destaque. A composição sobre um amor inesquecível e a quase-volta dele, traduz uma melancolia contida na percussão abafada da música, juntamente com os backing vocals alterados em um tom mais alto no refrão, deixando tudo mais viciante. Além disso, “Não Esqueço” conta com uma Pabllo Vittar sensual, sabendo usar e abusar dos seus falsettos (aqui devidamente bem diferentes do comum para a drag), colocando a sua voz como um acompanhamento perfeito para a música, deixando o feeling todo mais sultry e contraído. “Não Esqueço” pode ser o começo de uma onda R&B-synth aqui no Brasil, mas se não for, destaca-se exatamente por sua ousadia.

[Michel]


34. Apink – I’m So Sick

Após uma tentativa falha de amadurecer o conceito com “Only One”, lançada em 2016 , as meninas do Apink deram três passos para trás e lançaram “Five” em 2017 (alguém realmente lembra desse lançamento?), que retomava o modelo de músicas fofinhas e angelicais que costumavam lançar. Foi então que a Plan A, empresa que gerencia as gatas, resolveu finalmente chutar o pau da barraca e dar uma música mais diretamente sexy e poderosa para as meninas, algo que o grupo merecia e já devia ter lançado há bastante tempo. O resultado foi “I’m so sick”, uma das melhores músicas lançadas no K-pop esse ano, com uma batida EDM impactante e dançante e que privilegia os talentos individuais de cada uma das integrantes, além de ser certamente uma das melhores faixas do catálogo das meninas.

[Caino]


33. SOPHIE – Faceshopping

Faceshopping’ não é para todo mundo. O terceiro single do aclamadíssimo álbum de estreia da SOPHIE é um heavy-bass (ponha “heavy” nisso) distorcido, barulhento e metálico… intenso em todos os sentidos e com twists que tornam a faixa incapaz de ser entediante em qualquer momento. Contando com apenas um ou dois pedaços de letra repetidos à exaustão na voz aguda e desconstruída da Mozart’s Sister e pedaços vocais retalhados e super processados aparentemente cantados pela própria SOPHIE, “Faceshopping” discute sem muitos rodeios a nossa obsessão por imagem, aparência, rosto, corpo, beleza, pele, perfeição – tudo isso sem soar óbvia em momento algum. A melhor parte da música é quando ela “quebra” ao meio do nada e dá espaço a uma construção exageradamente melódica mas não menos digitalizada, onde a faixa atinge o ápice de suas ambições musicais futuristas.

[Kelvyn]


32. Jolin Tsai – Ugly Beauty

O comeback tão esperado da rainha do pop chinês aconteceu aos 45 do segundo tempo, mas não é só pelo impacto da música que ela configura nosso top de músicas: a ousadia e a coragem de arriscar em ritmos novos em “Ugly Beauty” é um marco na carreira de Jolin Tsai. O lead single do álbum de mesmo nome é sustentado por uma crítica social forte, onde a própria cantora abraça os rumores e comentários ruins que sempre fizeram sobre ela, criticando então a sociedade em que ela está inserida. Tudo isso com um heavy bass que flerta abertamente com elementos do hip-hop, um refrão desconstruídos e batidas frenéticas, que deixam “Ugly Beauty” extremamente interessante e divertida. Além de tudo isso, Tsai ainda se arrisca em um rap marcante no final da música em um break de hip-hop e trap, algo nunca feito antes pela cantora. 2PAC está orgulhoso em algum local na pós-vida.

[Michel]


31. Grimes – We Appreciate Power (feat. HANA)

Claro que a fantasia cyber-fascista da Grimes tinha que ganhar um espaço na nossa lista. Se apropriando do rock industrial e misturando ele com a música eletrônica dark e frenética, “We Appreciate Power” é uma experiência da Grimes com narrativa futurista e uma colagem de referências e inspirações totalmente bizarras. Se desenvolvendo por cima de riffs de guitarra ameaçadores e os vocais fanhos (risos) da artista ou a voz etérea da HANA, a canção entra em um refrão irônico (ou seria pós-irônico?) altamente viciante, demonstrando algumas das construções composicionais mais interessantes da Grimes e rendendo alguns twists interessantes no finalzinho, onde a ordem é que você submeta ao poder da tecnologia. Não há retorno no universo opressor e ciberneticamente desenvolvido criado aqui.

[Kelvyn]


30. Yubin – Lady

O City Pop é um gênero da música japonesa que ficou popular entre os anos 70 e 80 e basicamente engloba os vários ritmos do mercado pop dessa época junto com o contexto específico da vida moderna e economicamente ascendente do Japão nessas décadas, onde a vida urbana encontrava seu auge com o crescimento prolífico das cidades. Daí que alguém renasceu o City Pop e ele virou tendência atual na internet, rendendo hits virais no youtube como “Plastic Love” da Mariya Takeuchi – e não demoraria muito para que o gênero começasse a ser reproduzido pelo catalisador de tendências chamado K-Pop. Com sorte a artista que trouxe o City Pop para a música sul-coreana foi a maravilhosa ex-Wonder Girls Yubin em seu single de estreia “Lady”, uma faixa descaradamente oitentista e nostálgica com um refrão que fica na cabeça em segundos e alguns dos momentos mais memoráveis do K-pop esse ano, como seu gancho que repete “Na na na na na / Na na na Lady / Show me your heart”. Tudo na faixa é perfeitamente feito para emular o retrô, contando com uma produção vocal “abafada” e até um solo de guitarra incandescente no final.

[Kelvyn]


29. Pabllo Vittar – Seu Crime

Tendo um “flerte revival” (risos) com seu amigo/produtor Diplo, Pabllo Vittar resume sua versatilidade na música “Seu Crime”. Parte do seu segundo álbum de estúdio, o icônico “Não Para Não”, “Seu Crime” é um grito de abandono e sentimentos passados, onde a drag queen abre seu coração em uma música confessional que pinta um cenário de julgamento e culpa sobre um relacionamento. Tudo isso sustentado por uma “ponte” para o refrão em forma de crescendo, com o vocal exuberante de Pabllo Vittar, que perdura e “infecta” as veias da segunda parte da música deixando o hit mais interessante de se ouvir. “Seu Crime” tem claras influências das produções eletrônicas/tropical house de Diplo, mas não deixa de gritar “Vittar” e transparecer sua marca musical. O twist que a drag dá na música é extremamente original, incorporando ritmos nordestinos e nortistas em forma de balada, criando um dos momentos mais marcantes da música brasileira em 2018.

[Michel]


28. DUDA BEAT – Bixinho

A DUDA BEAT chegou com tudo no cenário musical independente brasileiro em 2018, agradando bastante gente e dividindo opiniões aqui e ali com seu ótimo álbum de estreia, o “Sinto Muito”. A melhor faixa do trabalho é o single “Bixinho”, uma canção pop imbuída de ritmos nacionais e que cresce em uma malemolência tropical pontuada por leve distorções eletrônicas e um gingado incomparável. O que consegue vender ainda mais a música é o forte sotaque recifense altamente carregado e claramente proposital da DUDA, que cria toda a atmosfera regionalista, soft-brega e veranesca da faixa, combinando ainda mais com a letra divertidamente boba e apaixonada que rende momentos impagáveis como a sequência “Eu gosto mesmo é quando você me puxa / Cheira meu cabelo, aperta a minha coxa / Que com esse sotaque cê me deixa doida” do refrão. “Bixinho” é efervescência pura e uma faixa que desliza com o poder de um arrocha baiano mas que livra um pouco a gente das temáticas de sofrência e nos situa em um ambiente bem mais malemolente e sensual.

[Kelvyn]


27. Toro Y Moi – Freelance

Toro Y Moi, codinome artístico do músico e produtor americano Chazwick Bradley Bundick, lançou esse ano ainda o álbum “Boo Boo”, mas já se prepara para um novo trabalho no início de 2019. “Freelance” é o primeiro single do disco “Outer Peace” e traz basicamente um synthpop retro-futurista com aquele quê de italo-disco e funky music dos anos 80. Se desenvolvendo num ritmo médio, as construções instrumentais estranhas da faixa casam perfeitamente com os vocais filtrados e com um leve autotune do Chazwick, que brincam com possibilidades composicionais diversas, criando alguns dos momentos mais divertidos da música pop esse ano como o trecho em que o artista repete “Walk on the water er er er er er er er er er er er / For Me”. Em certo ponto a faixa atinge momentos extremamente cool, com um flow impecável entre vocais e batidas, sendo facilmente a faixa mais pedida para se dançar sozinho no quarto quando bate aquela soft decepção amorosa que não merece exatamente uma música de fossa.

[Kelvyn]


26. ASEUL – SANDCASTLES

A ASEUL é uma artista underground coreana que já apresentamos aqui em nossa lista de melhores álbuns de 2018. Em “Sandcastles“, uma das melhores músicas saídas do excelente EP lançado por ela esse ano, o “ASOBI,” lidamos com a fragilidade e a melancolia, extremamente presentes no trabalho da cantora, em uma produção dreamy que brinca com a sua letra, onde ASEUL compara os momentos frágeis e delicados de sua vida com um castelo de areia colapsando. “Sandcastles” transita com facilidade entre o dream-pop claramente inspirado por artistas como Cocteau Twins, mas aqui com um tom bem mais ensolarado, e o pop eletrônico glitchy mais atual, rendendo uma das construções musicais mais bonitas de 2018 em seu drop sussurrado e vulnerável que nos arremata com um kick repetitivo e um forte ar de introspecção pop.

[Caino]


Stay tuned, girlies, em breve voltamos com a parte 2 do nosso top e a playlist completinha com as 50 músicas!