Os 25 Melhores Álbuns de 2018

2018 foi um ano ruim meio que pra geral e pá e coisas que preferimos não falar muito a respeito e tensões políticas etc etc etc etc mas teve muita música ENTÃO FODA-SE ESSA MERDA DE ANOOOOOOOOOOOOO VAMO OUVIR MÚSICA BOA. É importante dizer que a falta de seriedade desse início de texto não reflete as seríssimas reviews feitas por nós 5 integrantes da equipe JWCC que brigaram muito, puxaram cabelo, subornaram e chantagearam emocional/sexualmente uns ao outros para que seu fave ganhasse 5 linhas de prestígio no ranking abaixo. Visto que somos a alternativa pseudoirônica – irônica pois não lucramos com o site e fazemos tudo por esporte mas pseudoirônica caso precisemos profissionalizar a coisa pra angariar alguns fundos, é claro! – da Pitchfork e talvez do Miojo Indie, essa lista realmente foi escolhida a dedo para vocês queridos leitores mergulharem em ótimas dicas musicais que podem ou não embalar muitos momentos incríveis aí na sua vida ou mesmo embalar um choro lascado. Tudo pode ser, se quiser será, logo vamos lá:


25. LOVELYZ – HEAL EP

Cumprindo a cota k-pop extremamente necessário para poder balancear os gostos, temos aqui o “Heal“, um dos melhores EPs lançados pelo grupo já desde o A New Trlogy, de 2016. Lovelyz sempre foi um grupo que agradou bastante um nicho determinado de fãs de white aegyo e de bubblegum pop, mantendo um padrão de qualidade altíssimo em suas músicas e suas b-sides. O EP, lançado em Abril desse ano, não só traz uma das melhores titles de Lovelyz dos últimos tempos mas também conta com uma ótima seleção de b-sides, que funcionam muito bem em conjunto, com destaque para “Temptation”, uma música que poderia estar facilmente inclusa no catálogo de algum ato mais trendy como o f(x).

[Caino]


24. DUDA BEAT – SINTO MUITO

Com sotaque forte (até acusado de ser uma descaradíssima tática de “mangue money”) e aquela ginga vocal que parece ter saído do brega-pop do Recife ou mesmo da cena musical alternativa da cidade, a pernambucana DUDA BEAT trouxe no seu álbum de estreia um compilado de sons que flertam com os ritmos ensolarados e fumegantes do Nordeste e o pop moderno e americanizado cheio de graves, criando uma mistura que delimita bem a personalidade da artista no cenário fervilhante da música indie brasileira. O “Sinto Muito” é um álbum que não se leva totalmente à sério, prezando mais por letras relativamente irreverentes (e cheias de uma soft-sofrência que deixariam Marília Mendonça orgulhosa) que abarcam bem o pop multirreferência e o sotaque escrachado (claramente proposital) da cantora, além de englobar alguns dos momentos mais “veranescos” da música nacional esse ano, como a malemolente “Bixinho” e a faixa infusionada de concupiscência calorenta “Derretendo”.

[Kelvyn]


23. let’s eat grandma – i’m all ears

Let’s Eat Grandma é um duo pop britânico formado por duas garotas de 19 anos que já possuem uma breve mas impressionante discografia. O segundo álbum da dupla, “I’m All Ears”, prova que elas estão menos interessadas em serem conhecidas como um grupo pop normal e mais dedicadas a fazer música pop experimental totalmente desapegada a convenções de sonoridade ou estrutura. Com produções de SOPHIE e Faris Badwan, do The Horrors, o disco mescla qualidades simples e objetivos ambiciosos, presenteando o ouvinte com faixas que vão de experiências pop mais diretas, como “Falling Into Me” e “Hot Pink”, a viagens musicais mais densas e mirabolantes como “Cool & Collected” e a ótima faixa de encerramento “Donnie Darko”. Muito além disso, o “I’m All Ears” documenta as passagens, anseios e peculiaridades da adolescência das garotas com uma naturalidade e inventividade que faz qualquer álbum da Alessia Cara parecer um diário de poesia barata, usando esse elemento da puberdade como uma ótima justificativa para suas experimentações com mudanças de temáticas, fórmulas e ritmos.

[Kelvyn]


22. lady gaga & bradley cooper – A STAR IS BORN SOUNDTRACK

Empenhada em provar-se como uma grande potência musical outra vez, Lady Gaga juntamente com Bradley Cooper, criam uma trilha sonora tão honesta que se não fosse pelas músicas pop destoantes, serviria de um ótimo álbum para uma dupla de country-rock que está começando. Em “A Star Is Born Soundtrack“, Lady Gaga e Bradley Cooper com a estrondosa “Shallow” e a marcante balada, “I’ll Never Love Again”, mostram que suas composições amplificam a experiência visual do filme, criando vínculos sentimentais com quem ouve e escuta tais performances, exatamente por serem faixas pessoais não apenas para os personagens, mas também para quem as escuta.

[Michel]


21. JOJI – BALLADS 1

Um ode à melancolia. George Miller em sua nova persona de Joji (apresentado aqui na última edição da nossa coluna DISCOTHÈQUE) entrega em “BALLADS 1” o seu melhor trabalho como cantor-compositor desde que começou a fazer músicas paródia como o Pink Guy no Youtube. O cd navega pelo trap e pelo lo-fi hip-hop em suas 12 faixas e mostra um crescimento artístico nos mais diversos aspectos desde que lançou o seu primeiro EP, “In Tongues”, no ano passado. Repleto de sentimento em toda a sua duração, é o cd perfeito para quem gosta de sentir.

[Caino]


20. LITTLE MIX – LM5

O quinto álbum do quarteto britânico, carinhosamente (ou preguiçosamente, escolha seu lado) apelidado de “LM5“, é o que eu gosto de chamar de “Salute” feito de forma comercial. Certos rumos foram tomados na carreira das meninas, muito por conta de quem as agenciava dentro da Syco, que fizeram elas mudarem um pouco o estilo de música que andavam fazendo para poderem ter sucesso. “Get Weird” e “Glory Days” são álbuns que nasceram a partir disso, cheios de músicas específicas para hitar. O LM5 continua nessa mesma pegada, mas traz algo diferente para a mesa. Em sua extensa tracklist, Little Mix consegue tratar de diversos temas no guarda-chuva do feminismo, especialmente em faixas como “Woman Like Me”, “Strip”, “Joan of Arc” e “Love a Girl Right”. Por mais que soe forçado e muito on your face, o álbum é extremamente divertido e viciante e com certeza um produto muito melhor e mais sofisticado que o “Glory Days”. Passeando por diversos gêneros e ritmos, a variedade faz com que o “LM5” soe como uma playlist diversa do Spotify, no bom sentido da coisa, e funcione como uma nova tentativa do grupo de se reafirmar num mercado onde girlgroups ocidentais praticamente não existem mais e são sempre marginalizadas e não levadas a sério (ou são o Fifth Harmony…).

[Caino]


19. LOONA – [+ +] EP

Foram quase dois anos na espera do debut do super girlgroup da BlockBerry Creative, LOONA, e mesmo que a música “Hi High” tenha decepcionado uma parcela de seus fãs, o EP “[+ +]” não deixa de ser majestoso. Com músicas para todos os gostos, do future bass e miami bass classudo até a “revolução” do tropical house com “Heat (9)”, o LOONA se prova bem sucedido quando o assunto é álbuns – ou EP se preferir. As músicas tem uma característica própria, ao mesmo tempo que sólidas, diversas, para não deixar ninguém tão parado. O dance-pop que reverbera por toda a duração do “[+ +]” resume muito bem a sonoridade do grupo, traduzindo a junção dos 12 solos que foram lançados até então, além de nos fazer esperar por mais lançamentos das gatíssimas do K-pop.

[Michel]


18. CHIAKI SATO – SICKSICKSICKSICK EP

A vocalista da subestimadíssima e incrível bandinha de pop rock shoegaze japonesa Kinoko Teikoku, Chiaki Sato, resolveu aventurar-se como artista solo e entregou um dos melhores e mais redondos lançamentos da terra do sol nascente em 2018. “Sicksicksicksick” (apresentado aqui no JESUS WORE YOHJI YAMAMOTO meses atrás) tem 5 faixas e é um excelente mix de nostalgia anos 90 para quem curtia a cena pop rock da época. A sonoridade não foge muito ao estilo do Kinoko Teikoku mas amplia possibilidades e experimentações, como maior uso de sintetizadores e variações criativas nos instrumentais. Muito dele remete ao “Muzai Moratorium”, primeiro álbum de Shiina Ringo, e ao “Jagged Little Pill” de Alanis Morissette mais “Exile in Guyville” de Liz Phair, por unir satisfatoriamente guitarrinha, reverb, sintetizadores, e o clima de barzinho e violão e brigadeiro vegano num barzinho da Vila Madalena pois afinal não mais estamos em 1999 e sim em 2018 e a gourmetização é um fato.

[Matheus]


17. ELZA SOARES – DEUS É MULHER

Depois de um revival criativo no seu aclamado disco de 2015 “A Mulher do Fim do Mundo”, Elza Soares continuou com sua ótima relação com músicos da cena vanguardista brasileira, rendendo mais um álbum dessa sua leva produtiva esse ano, o “Deus É Mulher”, que deixou facilmente sua marca como um dos melhores lançamentos nacionais de 2018. Misturando as influências do samba que a artista já tinha com sons do art-rock, elementos eletrônicos e tambores afro, o disco prova que os 88 anos da Elza só a enaltecem como musicista e intérprete afiada, inundando o ouvinte com letras ácidas e assertivas de cunho pessoal, político ou social que nunca falham em seus objetivos de posicionamento firme e construções líricas fora da caixa.

[Kelvyn]


16. PABLLO VITTAR – NÃO PARA NÃO

Abraçando os típicos sons a sua terra natal, a drag queen “vanguarda” do pop nacional lança seu segundo álbum de estúdio, “Não Para Não” mostrando ao mainstream brasileiro como você incorpora outros ritmos e sai da mesmice sem precisar se render ao que nos é imposto pelo famoso imperialismo do pop mainstream americano. Pabllo Vittar pega o tecnobrega do Pará, o arrocha da Bahia e até o funk carioca para nos presentear com um álbum cheio de hits prontos sem perder sua qualidade. Sem dúvidas um destaques do ano marcando a evolução sonora da drag.

[Michel]


15. SSION – O

O Cody Critcheloe, codinome criativo Ssion, é um artista extremamente subestimado e talvez isso aconteça porque ele não tem medo de ser uma figura queer bastante escrachada e campy. De qualquer modo isso não impede que ele faça música boa, sempre mesclando esse tipo de arte com clipes autodirigidos incríveis e visuais que passeiam com maestria entre o trash e o cool. “O”, o primeiro álbum do artista depois de uma pausa de 7 anos, é basicamente um catálogo das suas maiores forças como musicista, trazendo faixas upbeat e permeadas pela música eletrônica – mas que flertam sempre com o estilo soft punk (ou digital hardcore, como ele mesmo define) e DIY que o Ssion sempre trouxe. Cheio de parcerias com outros artistas quase underground que adicionam uma variedade de identidades e temáticas às músicas, indo de lendas como Roisín Murphy e Patty Schemel a nomes fresh como a sumidíssima Sky Ferreira e MNDR, o “O” dispensa os padrões higienizados de trabalhos recentes de artistas LGBT (cof cof Troye Sivan e Sam Smith), apostando na irreverência, pós-ironia e personalidade caótica que só um bom musicista queer poderia render.

[Kelvyn]


14. THE 1975 – A BRIEF INQUIRY INTO ONLINE RELATIONSHIps

Os últimos caóticos anos vividos por minorias sociais que assistiram a ascensão da extrema-direita, alinhada ao crescente número de ataques racistas e LGBTfóbicos, tentando privar-lhes de direitos básicos representam apenas a ponta do iceberg de reflexos e reflexões do terceiro disco do THE 1975. Despontados à fama em 2012 como mais um ato londrino de pop rock ‘pras adolescente Tumblr’, a banda percorreu um longo caminho até apropriar-se completamente do seu ponto forte – a tal da melancolia ‘millenial’ que poucos como eles e Lorde, por exemplo, dominam – e experimentar à gosto com sons, errando ou acertando. Enquanto o disco anterior, “I like it when you sleep…”, era quase que 50% audiobook 50% álbum, “A Brief Inquiry Into Online Relationships” sabe experimentar enquanto prende quem o ouve – se você não se incomodar com uma baladinha aqui e ali, é claro! As faixas variam de gênero e estrutura musicais, temáticas e mesmo sequências narrativas. “Give Yourself a Try” e seus riffs Joy Division de guitarra embalando a euforia da nova esperança de quem não mais a tinha logo dão lugar ao trop-house de “TOOTIMETOOTIMETOO” e sua quasi-paródia ao gênero e aos “Sorry”s por aí – sem falar o ode ao movimento #METOO (homem feminista amoooo – by kelvyn). “Love It If We Made It”, faixa de maior voz política do álbum, grita suas reações desacreditadas e guturais diante das notícias escabrosas que se passam, desde Kanye West em seu delírio Trumpiano, morte do rapper Lil Peep, fetichização étnica e posterior violência, questões imigratórias e muito mais. Entre relatos de recuperação do vício em opióides, manipulações psicológicas conjugais e paranóia com o mundo digitalizado, Matt Healy e banda traçam uma variada, inquieta, triste e real sinfonia de muito sintetizador, autotune e reverb. Tal caos sonoro e lírico só faz sentido por também termos vivido o mesmo 2016, e 2017, e 2018 e por aí vamos.

[Matheus]


13. SUNMI – WARNING EP

Mesmo com sua curta duração e com duas faixas já tendo sido lançadas anteriormente, o “WARNING“, da Sunmi, é o que precisava para atestar o seu poder como uma grande solista. Desde que voltou para a cena com “24 Hours”, algo havia mudado na gata após a época em que ela saiu das Wonder Girls pela primeira vez. Havia um certo tipo de frescor em sua atitude e tudo foi fluindo de forma natural para chegarmos na Sunmi que vemos hoje. ADDICT, Black Pearl e Curve (todas compostas ou escritas por ela) são apenas a confirmação de que, além de uma grande gostosa, Sunmi é muito talentosa e tem muito a acrescentar ao k-pop, ainda mais em uma época tão insípida, incolor e não criativa que estamos passando com o gênero.

[Caino]


12. ARIANA GRANDE – SWEETENER

Ainda que se trate de um álbum mal-finalizado em questão de divulgação (sendo muito bondoso ainda, visto que a divulgação do álbum foi uma bagunça sem fim), o “sweetener” de Ariana Grande coroa o ano da cantora muito bem em seu viés artístico. A gata que sempre flertou com o lado r&b especialmente em seu debut álbum, até o ponto de ser chamada de “nova Mariah Carey”, dessa vez assume o seu posto e incorpora o ritmo dos anos 90 em suas faixas. O seu tão esperado terceiro álbum mostra uma solidez conceitual muito boa – não são só produções do Max Martin jogadas como se fosse um compilado, Ariana Grande mostra que pode sim ser bem sucedida em apresentar um álbum sólido, com uma mesma sonoridade e que envelheça muito bem como o “sweetener”, um álbum atemporal e que enaltece a voz da artista como nenhum trabalho dela conseguiu fazer anteriormente.

[Michel]


11. MARIAH CAREY – CAUTION

QTVRDP (Que tal você ralar daqui, porran???). Após algumas tentativas de um comeback grandioso, o ícone das décadas passadas traz uma curadoria de r&b e hip-hop que mostra-se não apenas atual, como também cheia de referências aos acontecimentos de sua carreira. Mariah Carey pode não ter se dado tão bem nas paradas digitais, mas a qualidade de seu álbum “Caution” é inegável. A cantora, que basicamente criou as participações de rappers em músicas pop como conhecemos hoje (um ícone é um ícone, amores), apropria-se disso mais uma vez para lançar faixas que são pura perfeição R&B sofsticadas o suficiente para você ouvir enquanto usa um baby doll de cetim e passa óleo de amêndoas no corpo. Com ajuda de rappers e produtores atuais, Blood Orange e Ty Dolla $ign, o “Caution” de Mariah Carey consegue ter uma qualidade impecável, nos lembrando por quê a própria é considerada um ícone até hoje.

[Michel]


10. ASEUL – ASOBI EP

Muito pouco se sabe sobre ASEUL. Em sua bio no Bandcamp, ela se descreve como uma produtora musical de Seoul. Desde que adotou a persona de ASEUL (antes trabalhava como Yukari, até que mudou em 2012), a gatinha começou a explorar um pouco mais o seu lado synthpopzudo. Com o seu novo material, o fantástico EP “ASOBI“, ASEUL entrega o seu melhor trabalho até agora, trazendo ainda mais um pouco dessa vertente synthpop que começou a explorar com veemencia no seu álbum New Pop, de 2016. Em suas 7 músicas, ASEUL explora um pouco mais sobre sua vida e tudo o que a cerca, em letras melancólicas como em Summer Love e Room, ou em letras menos negativas como “Fill Me Up”, todas acompanhadas de uma produção certeira com sintetizadores com um toque meio retrô e um tom bastante puxado para um city-pop meio cyberpunk. ASEUL nunca precisou provar nada para ninguém, mas seu talento é incontestável e escorre por entre todas as faixas do EP, passeando pelas mais diversas nuances da música synth e fazendo desse um dos melhores EPs do ano, sem dúvidas.

[Caino]


9. KACEY MUSGRAVES – GOLDEN HOUR

Após diversas tentativas, erros e acertos de crossovers entre pop e country nos últimos anos, como vimos no “Joanne” de Lady Gaga e mais recentemente no “Golden” de Kylie Minogue, uma cantora country surgiu para inverter a ordem dessa troca de culturas. Abraçando o pop, a música disco, e sintetizadores, a queridinha dos críticos e desafeto dos conservadores Kacey Musgraves trouxe sol para as nossas vidas com seu “Golden Hour“. Dotada de absurda proficiência para elaborar narrativas, ela conta pequenas histórias de dimensões emocionais shakespearianas em palavras simples e melodias tão solares quanto sua voz, sempre ressoando paz. “Golden Hour” é como a hora do dia em que supostamente deveríamos todos andar sob o sol em seu máximo brilho e nos banhar dessa energia toda mas, por quaisquer que sejam as razões, não o fazemos.

[Matheus]


8. MGMT – LITTLE DARK AGE

Um verdadeiro retorno às raízes indie pop do inescapável “Oracular Spectacular” – importantíssimo álbum de estreia que ajudou a definir o gênero ‘small pop’, de minimalismos e sintetizadores que iria prevalecer por anos em grande parte do nicho alternativo –, é o quarto disco do MGMT, “Little Dark Age“. Sem parecer por momento algum um caça níqueis para voltar a lotar platéia de show, ele resgata a magia das reflexões filosóficas de Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser cantadas de encontro a finíssimos acordes de teclados eletrônicos e fator psicodélico sessentista já característico. Os anos de experimentações agradando e desagradando crítica e fãs e polarizando sua base de apoio valeram a pena e tanto escrita quanto produção de material evoluíram absurdamente desde 2008. Canções como “She Works Out Too Much” (totalmente reminiscente do Yellow Magic Orchestra), uma ‘bad trip’ na tragicomédia de um relacionamento que não deu certo e só deixou trauma, e a sábia “Hand it Over” são lembretes que o MGMT nunca deixou realmente de ser uma excelente e única banda que talvez só pesou a mão no LSD por um tempinho mas tá de volta na quasi-sobriedade (diferente do próprio Matheus – por kelvyn).

[Matheus]


7. SOPHIE -OIL OF EVERY PEARL’S UN-INSIDES

Os limites entre som e barulho, o futuro e o presente do design de som e as novas dinâmicas da música pop foram testados à exaustão no “OIL OF EVERY PEARL’S UN-INSIDES” disco debut da musicista e produtora britânica SOPHIE. Com seus sons que mimetizam e diluem musicalmente ruídos de materiais como plástico, metal e borracha, a artista criou todo um novo mundo (!) que é industrial, barulhento e sintético, mas que ao mesmo tempo soa multicolorido e cheio de vida, como um sopro de ar fresco e iridescência na conjuntura atual da música pop/eletrônica. A variedade de intenções do álbum faz ele parecer uma espécie de compilação das várias personas artísticas da SOPHIE, que revela seu lado mais vulnerável em “It’s Okay to Cry”, trabalha firmemente com texturas sonoras pesadas em “Ponyboy” e “Faceshopping”, passeia pela música ambiente obscura em “Pretending” e dá a farofa PC Music maximalista e futurística que os gays querem na descaradamente viciante “Immaterial”. Mais do que um álbum, o “OIL OF EVERY PEARL’S UN-INSIDES” é um manifesto de propostas ousadas e interessantes o suficiente para iniciar uma renovação na música pop nos próximos anos.

[Kelvyn]


6. MITSKI – BE THE COWBOY

A Mitski tem aquele carisma e semblante de uma cantora-compositora introspectiva e identificável de soft rock, mas ela com certeza desafia totalmente essa noção e tem uma gama muito mais variada de truques musicais a oferecer. O “Be the Cowboy” é a prova de que essa afirmação anterior está totalmente correta: ele é o flerte da Mitski com formas sonoras ou esquemas de composição que quebram muito o padrão dos seus discos anteriores, agora com possibilidades mais amplas mas que ainda conseguem abarcar bem as peculiaridades e intenções narrativas da artista. E tudo o que fez da Mitski um nome querido na cena alternativa está ali: as letras cheias de insights e profundidade emocional, a personalidade de loner, a acidez ou vulnerabilidade dos seus tópicos, as mudanças de nota bruscas e interessantes – só que agora assumindo outras cores, como o pop-disco de “Nobody”, o synthpop a la Robyn que se metamorfoseia em rock de “Why Didn’t You Stop Me?” e o quase electroclash disfuncional de “Wash Machine Heart”.

[Kelvyn]


5. MOODOÏD – CITÉ CHAMPAGNE

Pouco conhecida mundo afora até esse ano (ou nem isso), a banda francesa Moodoïd veio ao reconhecimento da internet e principalmente das otakinhas após lançamento da adorável “Langage”, com a doida de balinha mais querida do J-Pop, a KOM_I do Wednesday Campanella. A faixa que dialoga em bom humor acerca das diferenças e barreiras linguísticas/culturais entre amantes franceses e japoneses ganhou atenção o suficiente para dar uma força à banda e até lhes deu esse lugar de destaque aqui em nossa listinha, vejam só (risadas)! “Cité Champagne” é uma celebração de misturas, essencialmente do gênero eletrônico como new wave, synth pop e disco, e nos tira pra dançar em meio ao imaginário pitoresco de Pablo Padovani e banda. As diversas referências a Kraftwerk e Yellow Magic Orchestra, nas letras, melodias e escolha de produção, consolidam a maestria alcançada pelo conjunto da obra em pintar uma Paris – ou por vezes Tóquio, ou Tóquio dentro de Paris! – de mistérios, synthzinho, boemia e muita elegância francesa. Dacó.

[Matheus]


4. JANELLE MONÁE – DIRTY COMPUTER

Muita coisa aconteceu no hiato de cinco anos do lançamento do “Electric Lady” até o “Dirty Computer“. Dessatisfação com a administração Obama que levou à América de extremas polarizações políticas das eleições de 2016, a eclosão do movimento Black Live Matters, a improvável ascensão de Beyoncé como ícone de luta, a era de ouro para artistas que assim como Janelle são vistos como ‘excelência negra’ tal como SZA e Kendrick Lamar, a dominação da cultura do streaming e necessárias mudanças no mercado fonográfico, a morte de seu mentor e primário influenciador Prince, et cetera et cetera. Janelle também esteve ocupada, colaborando com Nile Rodgers, Grimes, Michelle Obama (!) e foi até parar no Oscar. A aclamação com “Moonlight” e “Hidden Figures” a catapultou como uma estrela de mil talentos. O mundo aguardava sua resposta musical diante da conjuntura sociopolítica quase tão sombria quanto as distopias metropólitas de seus álbuns (ou Suites). “Dirty Computer” surge como um manifesto pop político acessível que não teme por nenhum segundo soar propagandista demais. A roupagem R&B/Soul polida e glamurosa dos trabalhos anteriores agora dá lugar ao híbrido Madonna-Prince-Bowie do apocalipse social que permite à Janelle transitar com facilidade nos mais diversos gêneros; o pop chiclete feminista de “Pynk” e sua inversão da ‘male gaze’ em cima de músicas sobre sexualidade feminina coexiste em perfeita harmonia com o desabafo auto explicativo em alto e bom som de “Django Jane”. E enquanto “Take a Bite” e “Americans” alinham Janelle como uma força do blues rock tal qual seus mentores imagéticos, “Don’t Judge Me” e “I Like That” revelam o clichezinho básico embora pungente da mulher de sentimentos por trás de tantas facetas. A distopia de “Dirty Computer” pertence somente ao meta-filme lançado junto ao álbum. Suas súplicas ao mundo partem de pessoas distintas em situações igualmente distintas e caóticas – todas elas machucadas pela atualidade dos fatos – que ressoam numa única voz: o sensível comum de quem é apto a entender toda a dor, violência e, ainda, transformação de viver perante ao caos, controle e opressão. Janelle – bem como suas variadas faces, personagens, alter-egos e vozes – é a porta-voz de maior eloquência no pop para ressoar do público A ao público Z a insistência por resistência.

[Matheus]


3. rosalía – el mal querer

Incorporando ritmos do mainstream à tradicionalíssima (e não muito explorada no cenário pop) música flamenca, Rosalía nos conta uma história envolvente que começa em uma revolução do conhecido pop latino-hispânico e só acaba em uma trágica balada dramática. A gata nos entrega uma viagem melancólica, com vocais grandiosamente épicos e um som novo e ao mesmo tempo antigo, fazendo seu nome ser reconhecido para além da Espanha. “El Mal Querer“, segundo álbum de estúdio da artista, foi um marco no ano, mostrando que ritmos incomuns são necessários no contexto musical atual e unir essas formas à gêneros já conhecidos – com um pacote completo que figura não só o sonoro, mas também o visual – é o caminho para criar músicas inovadoras em uma indústria repleta de produções vazias. Além de tudo, o peso conceitual do disco, todo dividido em capítulos que espalham uma narrativa coesa e totalmente interessante, só provam que a Rosalía não estava para brincadeira quando resolveu deixar sua marca no mundo pop com este trabalho.

[Michel]


2. ROBYN – HONEY

Poucas são as artistas que entregam tanta qualidade de escrita, capricho nos sons e produção, requinte nos mínimos detalhes, e ainda por cima dão aos gays tudo que eles precisam quanto Robynzão. Oito anos se passaram desde que o álbum “Body Talk” obteve repercussão considerável e a canção “Dancing On My Own” virou um clássico cult. Desde então, seus projetos paralelos e colaborações não foram o suficiente para manter a sede dos fãs saciada. “Honey” chega no melzinho e na amoxicilina; é o álbum gripe. “Missing U” é gelada, melancólica, cristalina até o último fio, retomando o suquinho de synth dos últimos trabalhos mas o negócio logo esquenta. Questiona a própria existência e realidade após término e vai ouvir música que lembra o ex, gente como a gente. A solidão e o remorso que tomam conta da lôra tornam-se uma febre delirante e na calada da noite ela suplica: “bebê, me perdoa!”. “Honey” te joga em cama quente – a mesma da capa na qual Robyn está channeling sua melhor pose Rodrigo Xuxa – e te inunda de dopamina. Sensual, úmida e eufórica, a faixa é uma das maiores conquistas dos homossexuais nos últimos anos, visto que une simplesmente todos os elementos que fazem do homossexual um homossexual. A divertida interlude “Beach 2k20” nos entregando Mario Kart e Shibuya-kei (e música de fundo do programa Fantasia do SBT – by kelvyn) ao mesmo tempo é um inesperado destaque e abre caminho para a satisfatória “Ever Again”. A febre passou, soninho já foi, acordou, novo dia, bola pra frente. Ou mais ou menos isso. A promessa de Robyn para si de “nunca mais ter seu coração partido” após febre do pós-amor é imperfeita, questionada pela mesma, mas reforça que ao menos sua dor trouxe aprendizado. E, assim como amor e pós-amor e mel e dopamina, os sons e melodias de “Honey” são uma experiência envolvente que te faz querer mais e mais.

[Matheus]


1. KALI UCHIS – ISOLATION

Agindo como força criativa capaz de catalisar uma miríade de sonoridades que transitam por humores vibrantes, ensolarados e sensuais, Kali Uchis trouxe em seu álbum de estreia uma bela e coesa amostra de quem ela é como artista, sintetizando em 15 faixas todos os semblantes da sua identidade provocativa, retrô e inadvertidamente nonchalant cool. O “Isolation” é pontuado por faixas completas e interlúdios, canções em inglês ou espanhol ou ambas as línguas, pequenas experimentações com narrativas (como as ótimas faixas quase autobiográficas “Miami” e “Just A Stranger”), gêneros que vão do reggaeton de Spotify à bossa nova e, claro, muito espaço para que a voz soulful da Kali brilhe por construções musicais animadoras e que ao mesmo tempo soam modernas e relativamente atemporais. O disco sucede em conseguir abarcar essa amplitude tão grande de ideias sem parecer all over the place – a personalidade e os objetivos conceituais bem-definidos da Kali conseguem dar uma unidade demarcada ao material, que se aproveita bem positivamente de todas as colaborações que surgem nos seus 45 minutos de duração (e que incluem nomes como Tyler, the Creator, BADBADNOTGOOD, Damon Albarn, Kevin Parker, Jorja Smith, Thundercat e Bootsy Collins). Se tem um lema da internet em 2018 que a Kali provou ser real é que #latinasstaywinning.

[Kelvyn]


Por fim, confiram abaixo a nossa playlist no Spotify com duas faixas que representam bem cada um dos álbuns da lista e até a próxima categoria!