Os 20 Melhores Videoclipes de 2018

Música em si é uma coisa que o JESUSWORECHANEL ama, mas o que seria dessa mídia sem os seus crossovers com outros tipos de ferramentas da arte e da comunicação? Claro que a melhor e mais importante de todas essas ferramentas sempre vai ser a imagem, seja ela estática ou em movimento: música e imagem é a combinação mais certeira que a indústria cultural pôde nos render e isso não está apto a discussão. Dentre os produtos que surgiram da mescla entre a música e a imagem, o nosso favorito com certeza é o videoclipe – que, desde seu boom analógico décadas atrás na MTV até a sua reinvenção na era do youtube e streaming, continua sendo uma mídia diversa e cheia de possibilidades que nunca falha em entreter. E é por esse motivo que listamos aqui os 20 melhores (ou sejamos sinceros: os nossos 20 favoritos) videoclipes de 2018, todos esbanjando estéticas, mensagens socialmente relevantes ou apenas intenções bem executadas que os destacaram durante esse ano.


20. Thelma Aoyama – Sekai No Chuushin ~We Are the World~

Não é necessário um orçamento enorme pra se criar um clipe completamente entertaining – e essa é a máxima aplicada em “Sekai No Chuushin ~We Are the World~” da Thelma Aoyama. Como a faixa celebra a cultura Y2K do final dos anos 90 e começo dos anos 2000, época em que a Thelminha highscool gal ainda estava no colegial, o clipe simplesmente leva a artista de volta aos centros culturais que bombaram no Japão durante esse distinto período histórico, como o bairro de Shibuya em Tóquio, intercalando tudo com elementos como Gyarus, Para Para, celulares de antena e muitas cenas psicodélicas em um chroma key intencionalmente tosquíssimo. É como se fosse uma versão mais gostosa e bem mais culturalmente relevante de “1999” da Charli XCX.


19. iu – bbibbi

BBIBBI” é um single que celebra os 10 anos de carreira da IU e seu clipe vem com visuais inteiramente aesthetics e que ilustram levemente os elementos que são jogados na letra da canção. Dirigido pelo Paranoid Paradigma, diretor responsável por vários tratamentos visuais interessantes na indústria musical sul-coreana nos últimos anos, o videoclipe traz todo aquele estilo quirky que só os bons clipes de K-pop possuem, com profusões de objetos cenográficos excêntricos, composições fotográficas inspiradas diretamente pela arte geométrica contemporânea e claro, paletas de cores bem distintas, que nesse caso são esmaecidas e exploram principalmente tons amarelos e verdes.


18. k/da – pop/stars

A animação é uma instância extremamente desprestigiada na arte visual: é só perceber como filmes, séries, e óbvio, videoclipes de animação são sempre preteridos em relação a obras live action (o que é até uma coisa estranha visto que a animação não é uma prática lá muito fácil de ser executada). É por isso que “POP/STARS” do grupo fictício K/DA ganhou o seu devido espaço na nossa lista de videoclipes do ano: ele não perde em nada para clipes com gente de carne e osso e ainda mostra que a animação pode render uma peça de qualidade e que possua potencial para ser ressonante com o público – o que é explicado pelos mais de 100 milhões de views do clipe em um mês e meio de lançamento. Com uma animação fluida (muito provavelmente captada por mapeamento de movimento) e uma mistura interessante de técnicas, “POP/STARS” nos joga em um mundo synthwave bem moldado e que consegue reproduzir com maestria as dinâmicas dos videoclipes live action, além de explorar de forma muito visualmente interessante as personalidades individuais das campeãs de League Of Legends presentes no grupo.


17. PERFUME – FUTURE POP

Falando em animação, o clipe de “Future Pop” do Perfume é a união perfeita entre técnicas animadas e live action, figurando aqui porque não tem como resistir às composições visuais geométricas e estética desavergonhadamente tecnológica do trio. Tudo bem que o Perfume lançou um álbum bem ruinzinho esse ano e a própria faixa “Future Pop” é uma síntese da bagunça eletrônica que o disco é, mas o videoclipe consegue ao menos amenizar isso um pouquinho com seus planos simétricos, cheios de chroma-key e interações 2D futuristas, além da coreografia impecável que é uma das marcas registradas das garotas.


16. joji – slow dancing in the dark

O Joji passou o ano inteiro lançando visuais incríveis, mas “SLOW DANCING IN THE DARK” é com certeza o magnum opus estético do artista. Filmado todo em proporção 4:3, o videoclipe utiliza as iluminação artificial ao seu favor ao contrastar tons florescentes e estourados de branco com tons azuis, além de fazer uso de um painel luminoso como um dos seus elementos principais. Retratando com dramaticidade todo o sentimento negativo que a canção passa, a estética também envolve muito sangue e elementos iconográficos feitos exatamente para deixar uma forte impressão de complementaridade entre música e imagem.


15. florence + the machine – big god

Em um ano em que a Florence Welch decidiu virar uma artista low key de músicas e visuais intimistas, ao menos o clipe de “Big God” se salvou para contar história. O visual é extremamente simplista, mas privilegia uma composição estética exótica e o foco na execução da coreografia montada para a canção, que é basicamente o que acontece no clipe todo. Com um corpo de bailarinas afiadas nos movimentos e shots dinâmicos que conseguem captar com precisão cada distorção corporal e muscular da rotina de dança, tudo no clipe acaba funcionando apesar de seu minimalismo que beira o baixo orçamento, dando uma impressão final mais do que apenas satisfatória.


14. miya folick – stop talking

A Miya Folick é uma gatinha do pop-rock alternativo que ainda não apareceu aqui no JESUSWORECHANEL por falta de oportunidade (leia-se: preguiça da equipe de fazer uma review do álbum da moça que saiu poucos meses atrás). “Stop Talking” é uma música vibrante e high-energy que basicamente grita “YAY” sonoramente e seu videoclipe é todo feito com um cuidado meticuloso em cada uma de suas cenas, todas arrojadas e que parecem pinturas em movimento ou peças de editoriais fotográficos contemporâneos extremamente bem-bolados. Tudo é levado também por elementos de vestuário ou cenário extremamente kitsch, seja em locações abertas ou locações de estúdio – dualidade que também é uma das soluções visuais com que o clipe brinca em seus quase três minutos de duração.


13. st. vincent – fast slow disco

Dentre as várias versões de “Slow Disco” da St. Vincent, a releitura eletrônica “Fast Slow Disco” foi a escolhida pela cantora para ganhar um tratamento visual – e que tratamento, visto que o clipe é uma das peças videográficas mais interessantes do ano. Todo embalado por luzes synthwave em tons de azul ou rosa, “Fast Slow Disco” traz a St. Vincent em uma boate gay fetichista onde a artista contracena com multidões de homens descamisados ou em seus melhores leather suits, provando é claro o poder da mulher lésbica como natural rainha dos gays. Com muito suor, corpos à mostra e planos visuais lotados de pele, o videoclipe é um dos momentos mais legais dessa era já visualmente incrível da Annie Clark, merecendo por isso um espaço certo aqui na nossa lista.


12. anderson .paak – bubblin

Os clipes de artistas do rap ou hip-hop de artistas alternativos hoje em dia não se esforçam muito para parecerem diferentes uns dos outros, todos passeando por áreas urbanas em tons esmaecidos, combinando isso com vestuário de marcas consagradas e sempre um quê soft ostentação – e o clipe de “Bubblin” do Anderson .Paak não tenta em nenhum momento se distanciar desse padrão, mas ele faz uma espécie de exageração desses clichês videográficos que culminam em um dos clipes mais divertidos desse nicho musical esse ano. A ostentação aliás é o foco aqui, mas ela não é levada à sério em nenhum momento, parecendo mais que o rapper quer tirar uma onda dessa estética mas sem propriamente precisar renunciar a ela para esse propósito.


11. justice – love s.o.s. (www)

O fato de que o Justice ainda tá vivo e lançando música eletrônica meio pointless por aí pode parecer surpreendente, mas eles pelo menos ainda possuem fôlego para lançar peças visuais minimamente notáveis. “Love S.O.S. (WWW)” é uma trip narrativa violenta, homoerótica e toda baseada no bizarro ou absurdo, com uma identidade dark que delineia a história de vingança visualmente apelativa mas altamente interessante de um stripper masculino.


10. triple h – retro future

A gente tem que apreciar muito bem o clipe de “Retro Future” pois ele é na prática o último lançamento do Triple H agora que a Hyuna e o seu namorado E’Dawn foram expulsos de CUBE Entertainment. De qualquer forma, “Retro Future” é um clipe que faz jus ao título da música, pegando vários elementos modernosos que são inspirados por peças ou estéticas retrô e jogando tudo em cenas altamente sensuais e festivas que mostram o trio como invasores de festa prontos para ativar os pecados da concupiscência onde quer que vão. Algumas passagens do clipe são tão absurdas quanto incríveis, como toda a montagem dos visuais aquáticos onde rãs passeiam por banheiros luxuosos, até cenas extremamente sacanas que se utilizam se uma variedade enorme de objetos de cena comuns (todos entulhados em uma bagunça óptica notável mas que enriquece ainda mais a obra).


9. kali uchis – just a stranger

Em “Just A Stranger” a Kali Uchis convida o espectador para uma caça ao tesouro regada a visuais internéticos que permeiam entre o elaborado e o virtualmente tosco – mas que criam uma impressão final extremamente incrível. Dirigido por BRTHR e com direção criativa da própria Kali, o videoclipe não economiza nos tons de neon e põe pra interagir gravações normais com elementos exagerados de computação gráfica, tudo regado a um corte de cenas frenético e uma sensação duradoura de hiperrealidade.


8. ssion – at least the sky is blue

O Ssion não é só cantor mas também diretor de clipes, já tendo trabalhado anteriormente com o tratamento visual de artistas como a Robyn. O cara tem o costume de dirigir os próprios videoclipes e sempre traz neles uma visão artística excêntrica e impecável, o que é notado pelo fato de que todos os clipes de seu último álbum poderiam ter sido potenciais candidatos a entrar nessa lista. Como no final das contas precisamos ser justos e prezar pela variedade de nomes em nossos posts de final de ano, o escolhido do JESUSWORECHANEL para figurar aqui foi “At Least the Sky Is Blue“, colaboração do Ssion com o Ariel Pink e que traz uma narrativa pra lá de estranha mas totalmente imersiva de decepção amorosa do artista, tudo entulhado com cenas estranha, passagens talvez ou não intencionamento cômicas e uma homenagem drag a grandes nomes como Elizabeth Taylor e Liza Minelli.


7. troye sivan – my! my! my!

A nossa poczinha favorita (ou não) andou em uma linha de desenvolvimento artístico ótima esse ano com o lançamento de seu segundo disco, “Bloom”, nos contemplando com o clipe hipnótico e potencialmente triggering para pessoas com epilepsia fotossensível “My! My! My!”. Tudo nesse clipe é altamente sensual sem que sejam necessários muito elementos ou tentativas forçadas para que isso aconteça, com os visuais privilegiando apenas a presença twink-ish de Troye através de luzes intercalantes em tons neon ou em preto e branco.


6. janelle monáe – pynk

A Janelle Monáe não pecou em um momento visual sequer da sua odisseia cibernética e afrofuturista “Dirty Computer”, e “Pynk” é com certeza o cut mais interessante que o disco rendeu, com estéticas que possuem um potencial enorme para se tornarem icônicas e renderam à artista uma merecida indicação na categoria de melhor videoclipe do Grammy. Contracenado junto com a atriz e musa LGBT Tessa Thompson, “Pynk” traz cenas muito bem coreografadas de um balé com figurinos que descaradamente remetem à anatomia feminina, tudo rolando em uma locação desértica acre mas que se torna vivaz com as interações humanas do clipe, além é claro dos tons de rosa que permeiam a obra do começo ao fim.


5. katie – remember

Katiezinha é provavelmente a maior azarona dessa lista porque simplesmente ninguém remembers (risos) que a carreira da gata existe. “Remember” é o primeiro single dela e último single com a YG entertainment, gravadora que engavetou a estreia musical da gata por anos e talvez por esse motivo tenha resolvido investir decentemente no visual desse clipe. O vídeo é uma profusão às vezes bagunçada e às vezes coerente de elementos visuais minimalistas ou imponentes, jogando a Katie por planos amplos e movimentos de câmera abrangentes, intercalando distorções e também cenas de computação gráfica que enriquecem o pulsar das batidas R&B do single.


4. Ariana grande – god is a woman

Esqueça a salada de referências cinematográficas e meme-friendly de “thank u, next”: a peça visual mais interessante da Ariana Grande em 2018 foi de longe “God Is A Woman”. Na verdade esse clipe é a apoteose da videografia da Ariana e sua afirmação mais ambiciosa até então, fazendo um passeio consistente por movimentos artísticos e técnicas da arte visual sem parecer óbvio em momento algum. O vídeo é uma grande colagem de referências, estéticas e inspirações que servem de veículo perfeito para que Arianinha desenvolva as suas narrativas, seja enquanto ela responde às críticas à sua imagem ou seja quando ela enaltece o feminino – que é o objetivo principal do single e é claramente bem desenvolvido nas várias composições visuais “ginecológicas” e anatômicas da obra.


3. the carters – apeshit

Enquanto a maioria dos clipes dessa lista entrou meramente pelos visuais impecáveis, “APESHIT” une esses visuais a um dos maiores poderes da mídia videográfica: o de gerar debate. Fechar o museu do Louvre inteiro para gravar um clipe? Só mais um programa de fim de semana pra Beyoncé e Jay-Z, que lideram os 6 minutos altamente suntuosos e repletos de planos abertos e semi-inclinados do vídeo. Muito mais do que a luxuosidade exibida em cada mínimo frame da obra, disposições estéticas impecáveis do casal juntamente com o grupo de dançarinas e cenas que vão da contemplação artística à ostentação, “APESHIT” aciona o papel da negritude na história da arte e como o fazer artístico negro sempre foi negado em uma cultura ocidental extremamente branca, eurocêntrica e colonialista. Esse acionamento é feito de forma sutil: o clipe não usa nenhuma tática para deixar a mensagem intendida óbvia ao espectador, ele só sugere que você capte essa mensagem – e no momento em que você capta, tudo passa a fazer sentido.


2. rosalía – malamente (cap. 1: augurio)

A Rosalía é uma força a ser reconhecida esse ano: ela não só lançou um dos melhores álbuns de 2018 como também trabalhou em visuais icônicos para as faixas mais interessantes do disco. “Malamente (Cap. 1: Augurio)” resume bem isso: a proporção de tela 4:3 enquadra com maestria as ideias ousadas mas de natureza simples e execução perfeita que permeiam basicamente todas as cenas do clipe. Nada no vídeo é posto por acaso e a cada segundo os frames surpreendem o espectador de maneiras inesperadas mas que nunca chegam a beirar o absurdo – rendendo algumas das composições visuais mais impecáveis do ano como a Rosalía cantando o refrão da música no baú aberto de um caminhão em movimento ou as versões móvel e estática da incrível cena da tourada com motocicleta.


1. childish gambino – this is america

This Is America” dispensa apresentações e, muito mais que um videoclipe, é um dos acontecimentos da cultura pop mais impactantes desse ano, representando uma miríade de ideias fora da caixa e uma execução que, além de meramente bem feita, também é bastante intensa. Falar das influências, referências e acionamentos temáticos de “This Is America” é ser redundante, dado o alto número de análises sobre o vídeo que se espalharam pela internet na época de seu lançamento, então a única coisa que podemos acrescentar é que esse clipe foi feito em minúcias para virar um artigo da posteridade, e dada a qualidade de tudo o que envolve ele, esse objetivo vai ser atingido sem grandes obstáculos.