TRACK REVIEW: K/DA – POP/STARS, quando a união de mídias favorece o produto final

Olá otakas raras e diferentes, loleiras soft-lésbicas e apreciadoras de Madoka Magica que por ventura também são leitoras desse blog. Bom, eu mesmo só joguei League of Legends uma vez na minha vida e não pretendo repetir a experiência (visto que o meu computador é lento demais pra rodar qualquer tipo de tecnologia que vá além dos jogos em flash da Barbie), mas fui incumbido dessa valiosa missão de fazer uma review do projeto multimídia deste gayme que envolve algumas das coisas que o público do JESUSWORECHANEL mais ama: gostosonas empoderadas em trajes mínimos e K-pop.

Com um elenco enorme de personagens com conceitos e visuais bastante diversificados, os chamados campeões, não é de hoje que o League of Legends e a Riot Games incluem esse panteão de guerreiros, arqueiros, magos e atiradores em projetos musicais fictícios, como aconteceu com a banda de heavy metal Pentakill uns anos atrás. Mas qual é a bicha loleira que realmente se importa com heavy metal? Visando alimentar a ânsia do público LGBT por um grupo formado pelas campeãs lacrativas do jogo, o LOL lançou o K/DA, uma série de skins trendy e futuristas que culminou numa girlband de mesmo nome formada pelas campeãs Ahri, Akali, Evelynn e Kai’Sa.

O grupo acabou de lançar o seu primeiro single “POP/STARS“, que serviu como música de abertura para o evento das finais do Campeonato Mundial de League of Legends na Coreia do Sul. E bom, para um single que tem a simplíssima missão de divulgar um jogo online, “POP/STARS” se sobressai e excede expectativas, sendo um número pop quase impecável e que une qualidades da música mainstream ocidental e oriental em prol de servir um produto que não perde em nada para lançamentos de artistas reais. Com as vozes emprestadas das cantoras Jaira Burns, Madison Beer e as integrantes Soyeon e Miyeon do grupo coreano (G)I-DLE, a canção é um synthpop poderoso e cheio de elementos metálicos do future bass, tendo uma construção e desenvolvimentos que poderiam ser facilmente equiparados aos melhores esforços girlcrush de grupos femininos de K-pop.

Abrindo com uma intro digna de uma canção do 4minute, “POP/STARS” começa com versos poderosos, ficando mais melódica com o tempo e desembocando em um refrão com energia alta e harmonias quase impecáveis. O maior destaque da música vai para o rap da Akali no segundo verso, cheio de swag e extremamente rápido, contando com uma atitude que deixa clara a personalidade da campeã e mostra o talento da Soyeon do (G)I-DLE não só como rapper, mas também como uma intérprete habilidosa. As dinâmicas das campeãs durante o single também são bem desenvolvidas, com espaço certeiro para cada uma delas brilhar e ainda assim interagir com as outras, o que mostra que o time de produção do K/DA entendeu com exatidão como uma girlband deve funcionar (as integrantes possuem até funções definidinhas assim como nos grupos reais, com vocalistas principais, líder e rapper).

O apelo visual, indispensável num lançamento transmídia como esse, torna tudo ainda mais suculento: as estéticas do clipe são extremamente bem elaboradas, com um projeto de animação tão bom ou até melhor que os clipes mais recentes do Gorillaz, por exemplo. O clipe aliás vende muito decentemente as skins do K/DA (que é o foco capitalista desse lançamento, vamos ser sinceros), além de tornar ainda mais convincente a imagem de garotas más que essas skins dão às campeãs e o universo paralelo futurista onde elas estão inseridas.

Eu ainda não possuo vontade de jogar League of Legends, mas preciso admitir a capacidade do jogo de criar projetos interessantes como esse em outras mídias além dos esportes eletrônicos é super louvável. No caso do K/DA, o melhor do projeto é como ele entende a música pop atual, especialmente quando se trata da importância que o K-pop anda ganhando no mundo e como ele pode ser mesclado com as tendências mais recentes da música ocidental. Se o número de engajamento do público e a popularidade que a girlband fictícia ganhou nessa última semana forem o suficiente, eu mal posso esperar para acompanhar mais lançamentos do quarteto. Os fãs de música farofa real e virtual agradecem.