TRACK REVIEW: IZ*ONE – La Vie en Rose

Todo mundo que acompanha esse singelo bloguinho deve conhecer o IZ*ONE, uma tragédia diplomática da Coreia do Sul com o Japão formada através do reality show PRODUCE 48 (altamente coberto pelo JESUSWORECHANEL em posts e até uma edição especial do POCCAST). Com uma promessa de mesclar idols japonesas com integrantes coreanas e formar um tão-dito “girlgroup global“, a equipe do PRODUCE 48 cagou no pau e deixou tudo no reality rolar da forma mais errada possível, o que culminou na tenebrosa formação final do IZ*ONE, que conta com míseras três japonesas e um hall extenso de integrantes inúteis que só entraram ali por beleza, jovialidade ou às vezes nem isso o/

Não que essas questões realmente importem para o público do K-pop que consome qualquer marmota ultramarketada sem grande critério, então por isso chegamos ao tão esperado debut oficial do grupo, que acontece exatos dois meses após o infelicíssimo final daquele reality assombrado pelo fantasma holográfico de Matsui Jurina. “La Vie en Rose” é a faixa de divulgação do primeiro mini-álbum das garotas, COLOR*IZ, e pega safadamente o título do clássico da Edith Piaf para nos servir com uma estética feminina classuda e sutil, já que a ideia desse debut parece ser a de trabalhar um meio termo entre o pop dançante e a imagem fofa e virginal que os coreanos tanto prezam nos grupos femininos por aí.

Com a formação terrível e todo o abuso que o IZ*ONE rendeu, era de se esperar que esse debut viesse com músicas ou visuais péssimos como aconteceu com suas antecessoras, o I.O.I – mas estranhamente “La Vie en Rose” é um esforço que passa longe de ser desagradável, pontuado por uma sonoridade graciosa mas ao mesmo tempo completamente sem ambição. A canção pega elementos leves do tropical house, com batidas sintéticas simples e um bass repetitivo e pulsante, ganhando percussões mais demarcadas à medida em que vai evoluindo e também um ou outro som de guitarra espanhola, tudo bem básico, mas um básico que funciona. As vozes das garotas se combinam na medida do possível, sendo interferidas apenas por uma ou outra integrante com tom vocal destoante, como as linhas “faladas” desconfortáveis da Hyewon ou os timbres altamente agudos e quase caricatos de Honda Hitomi e Yabuki Nako.

As construções que privilegiam o canto são mais frequentes na música e tornam ela um tanto previsível, com um único rap considerável acontecendo no segundo verso e liderado pela Choi Yena, que consegue dar uma dinâmica à canção com seu ótimo flow apesar do curto espaço de tempo. Mas o maior problema de “La Vie en Rose” mesmo está no fato de que a música cria uma tensão enorme e reveza suas vocalistas principais em um build up quase interminável mas não consegue servir um clímax à altura, dando uma impressão de “é só isso?” quando chega no refrão. E o refrão de “La Vie en Rose” na verdade praticamente não existe: ele é só um beat drop instrumental sem graça com uns pequenos trechos cantados, dando a impressão de que é algo inacabado e contribuindo firmemente para a imemorabilidade do single.

A fraqueza do refrão é tão notável que em sua repetição final tudo parece deslocado, com uma high note sendo entoada por cima de um instrumental puro e sem vocais, ad-libs sendo jogados aqui e ali e uma mudança rápida nas batidas que não adianta de nada. O estrago já está feito. De qualquer forma eu duvido que a falta de impacto da música vá realmente reverberar na popularidade do grupo, e o máximo que vai acontecer daqui pra frente é um sem-número de discussões sobre a divisão de linhas da faixa (que por sinal é meio injusta, mas nada de outro mundo para um grupo de K-pop).

E, claro, eu não topei acompanhar o PRODUCE 48 para lidar com um desfecho desses, visto que o single não tem realmente nada que remeta aos grupos 48 e é basicamente… K-pop normal sem tirar nem pôr. Eu não sei se isso é uma falha na ideia dos criadores do IZ*ONE em criar um “girlgroup global” ou se nessa altura do campeonato eles só deixaram de mão esse conceito de uma vez por todas. Mas eu também não consigo reclamar do que está aí: a canção é o pontapé inicial perfeito para um grupo que só surgiu da pretensão intensa da Miyawaki Sakura de se tornar uma gostosa a nível mundial. Que ela tenha boa sorte na empreitada potencialmente duvidosa.

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