Crazy Ex-Girlfriend: Top 10 dos melhores números musicais

Em tempos onde nadamos em um literal mar de desesperanças, séries como Crazy Ex-Girlfriend nos trazem um alívio necessário. A comédia musical escrita e protagonizada por Rachel Bloom fez sua estreia em 2015, e desde então vem cativando uma série de pessoas pela sua maneira despretensiosa de carregar os seus enredos e claro, suas músicas absurdamente de engraçadas, envolvendo temas progressistas e hipocrisias da sociedade norte-americana.

Recentemente de volta para a sua quarta temporada, Crazy Ex-Girlfriend segue a história de Rebecca Bunch, uma advogata de sucesso que trabalha em uma das melhores firmas de Nova York. Ela pira quando descobre que a firma está para oferecer uma parceria à ela e esbarra com o seu primeiro amor, conhecido em um acampamento de verão, Josh Chan (Vincent Rodriguez III). Por conta das frustrações de não conseguir algo grande em Nova York, Josh diz que está voltando à sua cidade natal, West Covina, na California. E enquanto assiste um comercial de manteiga, nossa protagonista decide seguir Josh em busca de uma felicidade plena, mudando-se de cidade e largando seu emprego para trás. Ela consegue um emprego na firma de direito Darryl Whitefeather West Covina, aluga um apartamento, e joga fora todos seus remédios de depressão e ansiedade. Torna-se amiga de sua colega de trabalho Paula (Donna Lynne Champlin) e de sua vizinha, Heather (Vella Lovell), também começando um tipo de romance vai-e-volta com o amigo de Josh, Greg (Santino Fontana), tudo enquanto tenta reconectar-se com ele.

Mesmo que muitas pessoas classifiquem o humor da série como um “humor negro”, não acredito que ele seja tão pesado assim. O que acontece aqui é muito mais uma mudança do paradigma “opressor fazendo piada do oprimido”. Dessa forma, Rachel Bloom, a criadora de quase todas as músicas, expõe para nós a hipocrisia da sociedade norte-americana em falar de certos assuntos, e o liberalismo vazio presente em certas “militâncias”. E por isso, aqui estão os 10 melhores números musicais da série:

10. Gettin’ Bi (feat. Pete Gardner)

“Gettin’ Bi” é uma música performada por Darryl Whitefeather (Pete Gardner) aos seus funcionários. Nesse número, Darryl, se assume como bissexual – assim como Tulla Luana – em uma reunião. A representatividade bissexual acontece em Crazy Ex-Girlfriend, e o mais engraçado é que enquanto ele está super orgulhoso sobre isso, ninguém da firma realmente liga para a sexualidade de ninguém. O número musical acontece no episódio “Josh Vai Para

o Havaí!

09. Sex with a Stranger (feat. Rachel Bloom)

“Sex With a Stranger” reflete os medos do sexo casual da nossa personagem principal, Rebecca Bunch, com letras como “por favor não seja um assassino”. Tudo isso com direito ao meme importantíssimo de Jasmine Masters – que eu gosto de pensar que foi sim a fonte -, “wash your balls”. O número musical tem inspirações claras na música e no clipe de “Partition” da cantora Beyoncé, e foi ao ar no quarto episódio da primeira temporada, “Vou Sair com o Amigo do Josh”.

08. It Was a Shit Show (feat. Santino Fontana)

Performada por Greg Serrano (Santino Fontana), “It Was a Shit Show” aparece na segunda temporada da série, no seu quarto episódio. A música conta com Greg apontando o quão tóxica a relação dele com Rebecca tem sido para ele. Além de ser uma paródia muito boa de músicas românticas em musicais, a letra afirma que tudo que aconteceu foi um “show de merda”, e eles dois juntos não são bons um para o outro – pelo menos naquela situação.

07. So Maternal (feat. Rachel Bloom & Jamie Denbo)

No episódio “A Fada da Sopa”, da segunda temporada, Rebecca Bunch fica com a tarefa de ser babá do filho pequeno de sua amiga Paula, e ao perceber que está indo bem no trabalho, começa a fantasiar com uma paródia de “Uptown Funk” onde ela canta que é “muito maternal”. O número também conta com um diálogo de um podcast onde Rebecca faz parte – bem parecido com o nosso ok -, dizendo como a personagem é uma supermãe que tem sido incrível no trabalho, mesmo que ela não tenha sido babá nem há uma hora.

06. The Miracle Of Birth (feat. Donna Lynne Champlin)

Parodiando o “milagre do nascimento”, um mito que tem se perpetuado em nossa sociedade por muito tempo como uma coisa linda, Paula canta em um tom sarcástico sustentada por uma música no melhor estilo folk-stevie-nicks possível: “vai doer tanto que você irá pedir/por favor me mate agora”. Mas é um milagre……O número acontece no episódio “Nathaniel é Irrelevante” da terceira temporada.

05. A Diagnosis (feat. Rachel Bloom)

“A Diagnosis” marca o momento onde Rebecca Bunch é diagnosticada mais uma vez, agora pelo seu novo psicólogo. Rachel Bloom, a atriz e criadora do número, disse que queria captar exatamente o momento quando ela – que também sofre das mesmas coisas – recebeu um diagnóstico definitivo para seu distúrbio. E é extremamente engraçado a maneira como tudo é adaptado para a forma como os musicais são feitos. “A Diagnosis” apareceu no sexto episódio da terceira temporada.

04. The First Penis I Saw (feat. Donna Lynne Champlin)

“Desencanando do Jeff” é o sétimo episódio da terceira temporada e o mesmo em que “First Penis I Saw” aparece. Parodiando claramente a música “Mamma Mia” do grupo ABBA e o número musical do filme com o mesmo nome, contando até mesmo elementos visuais do clipe original, a atriz Donna Lynne Champlin, Paula Proctor na série, canta sobre o primeiríssimo penis que a personagem viu na vida. Glorificando o instrumento do rapaz que aparece despretensiosamente no mesmo mercado que ela, em um número muito engraçado.

03. The Math of Love Triangles

Presa em um triângulo amoroso, Rebecca Bunch encarna a sua melhor Marilyn Monroe no episódio “Quando o Universo Manda” da segunda temporada, para cantar a música “The Math of Love Triangles”. Rebecca chama matemáticos para seu número que jogam teorias, e teoremas, matemáticos explicando o que realmente é a forma geométrica. Mas Rebecca sempre chega a conclusão de que ela é o centro de atenção dos dois homens.

02. Let’s Generalize About Men

Sendo uma grande homenagem ao ato musical “The Pointer Sisters” dos anos 80, “Let’s Generalize About Men”, incorpora passos de dança, visuais e estilos musicais da época para generalizar sobre homens. Rebecca, Paula, Heather e Valencia (Gabrielle Ruiz), tem uma noite só de garotas, onde elas começam a falar características ruins dos homens e do patriarcado em geral. O auge dessa música acontece bem no finalzinho, quando as quatro cantam sobre gays, dizendo que a generalização serve apenas para os homens héteros. Esse número é sem dúvidas um dos melhores da série em geral.

01. You Stupid Bitch (feat. Rachel Bloom)

“You Stupid Bitch” é provavelmente a música que resume a série como um todo. Sendo bastante ruim consigo mesma, deixando sua auto-estima lá no inferno basicamente, Rebecca Bunch incorpora as melhores de Celine Dion e Whitney Houston para formar essa balada de ódio próprio, onde ela repete incansavelmente “você é uma vadia burra que estraga tudo”. É extremamente engraçado como ela se apropria de momentos tristes para fazer o seu momento mais “diva’s vh1” da série, deixando todos chorando de rir.

Mesmo com esse humor quase-negro, Crazy Ex-Girlfriend é extremamente importante porque dá luz a assuntos sérios. Doenças que não são tratadas com seriedade na nossa sociedade tomam bastante destaque aqui, deixando todos que não conhecem movimentos como “setembro amarelo”, realmente saberem o que acontece na vida de pessoas que lidam com esses distúrbios diariamente. Atualmente, a série voltou para a sua quarta temporada, mas você pode encontrar todas as três primeiras no seu Netflix.