bibliopoc VISUAL #1: Roly Poly – A história de Phanta

Seguidores assíduos do JESUSWORECHANEL (um total de 10 pessoas if much) já conhecem a bibliopoc, coluna criada pelo @worshipoz e dedicada a comentar obras literárias e mostrar que esse bloguinho também é cultura. Pois bem, eu (@bubblegumrave) estou me apropriando agora dessa coluna e trazendo uma edição extra para comentar algo que é geralmente bem negligenciado no JWCC: graphic novels, histórias em quadrinhos, mangás… enfim, tudo o que diz respeito à literatura de aspecto fortemente visual – e daí criativamente chamarei esse espaço de bibliopoc VISUAL.

Quem acompanha os meus posts por aqui deve saber muito bem que eu sou quase que totalmente especializado em cobrir música, que é um braço do entretenimento onde eu me esbaldo e lidero boa parte das reviews de faixas e álbuns do site. Mas, bem, eu também tenho interesse em outros tipos de mídia que compõem a cultura pop – como as histórias em quadrinhos, que estão presentes na minha formação como leitor desde a mais tenra idade (risos), me acompanhando pela vida à medida em que o meu gosto ia se adaptando, modificando e evoluindo. Eu consumo muito quadrinho desde que comecei a ganhar poder aquisitivo, e títulos diversos desse nicho representam boa parte dos meus gastos mensais pois eu sou uma cria monstruosa do capitalismo + um ser humano em pleno século XXI que ainda é entusiasta da mídia física. De qualquer jeito, com tantos bons autores, histórias e materiais surgindo dia após dia, criar um espaço para comentar sobre quadrinhos era uma demanda essencial no JESUSWORECHANEL, e eu inicio essa aventura com uma obra de origem nacional e certamente um dos melhores lançamentos desse ano: Roly Poly: A história de Phanta, de Daniel Semanas.

O Daniel Semanas não é um nome exaaatamente obscuro: ele é o artista por trás do projeto Anna Bee, que quem acompanhou a internet e a MTV (!) no final da década passada deve ter conhecido por meio do seu flickr, logs animados e até uma banda virtual. O cara é majoritariamente devotado ao ramo da animação, sendo Roly Poly a sua primeira empreitada no universo das graphic novels, o que explica um pouco o fato da obra ter um formato tão diferenciado se comparada ao padrão normal para esse tipo de mídia. Roly Poly: A história de Phanta é lançada pela Editora Mino aqui no Brasil e pela Fantagraphics internacionalmente, trazendo uma abordagem visual arrojada e inspirada na psicodelia, além de um cenário que parece uma tradução colorida e tumblr-esque do cyberpunk e elementos narrativos da vida hiperconectada nas redes sociais e até do kpop (o que dá pra perceber pelo título que remete à icônica música do grupo T-ara).

A sinopse gira em torno de Phanta, uma garota de Neo-Seul (e espero que vocês tenham sacado essa referência) que é descrita como destemida e persistente, jogando a vida no “modo hard”, como ela mesma costuma dizer. Por possuir uma necessidade de se provar que é refletida em sua ambição por popularidade nas redes sociais, ela acaba embarcando em uma jornada de ação psicodélica em um fliperama labiríntico chamado Playssauro, que é um cenário “vivo” e quase um personagem da história em si. Acho que qualquer coisa muito além dessa descrição é um spoiler enorme, já que Roly Poly é uma obra que privilegia muito mais o aspecto visual em detrimento dos diálogos, que são limitados apenas a certos momentos e devem representar menos de 20% do conteúdo total da HQ.

Pela herança do trabalho do Daniel Semanas na animação, Roly Poly trás estéticas e dinâmicas muito semelhantes a esse tipo mídia, com sua ação acontecendo em desenhos frame a frame, além da arte no geral tomando um espaço físico abundante nas páginas, que comportam uma diagramação bem incomum e interessante. Como o formato físico da graphic novel é um retangular fechado e quase quadrado, ela brinca com algumas possibilidades espaciais, trazendo “gimmicks” que vão desde prints das redes sociais dos personagens a infográficos que mapeiam cenários ou objetos como a bolsa da protagonista. O trabalho de cores, assinado por Julia Balthazar, é um dos pontos altos da obra, com combinações de tons color-blocking que saltam aos olhos e conseguem amplificar a impressão psicodélica que o material carrega.

A narrativa em si é rápida, atingindo seu ápice a partir da metade da HQ, quando ela entra num espiral desenfreado de ação que mescla fantasia, realidade, artes marciais e robôs dinossauros. Outro ponto-chave de Roly Poly é a personalidade da Phanta, que está longe de ser acessível ou carismática: ela é uma personagem marrenta, prepotente e, por vezes, até um pouco fechada – e esse é um aspecto que eu estranhamente acho legal, visto que lidar com protagonistas de personalidades não muito exemplares é um desafio que eu gosto de embarcar e que o universo das HQs já anda explorando há algum tempo, especialmente nos mangás japoneses da demografia Shonen. O final da graphic novel é talvez abrupto, mas não deixa de ser interessante, dando a entender que toda a obra não passa de um prólogo para algo maior, já que seu universo e personagens são promissores e possuem a possibilidade de render continuidades ainda mais animadoras. Resta saber se adiante teremos mais fragmentos da história de Phanta para serem explorados, seja no formato de quadrinhos ou em outros formatos que também possam abarcar a criatividade do autor.

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