JESUS WORE MARISA: Assume que você é milituda!

Prontas para militar muito, manxs do vale? Depois de um hiato sólido e quase inacabável após dessa coluna, a JESUS WORE MARISA está de volta para comentar os lançamentos musicais mais recentes do cenário brasileiro com aquele quê #sassy e #fun que só o Jesusworechanel sabe imprimir em seus textos (sei). Criada para ser uma coluna frequente nesse singelo blog, a JESUS WORE MARISA teve a sua única edição até então realizada no longínquo março e recebendo diretamente a urucubaca de Indecente da Anitta, um lançamento munido de energia negativa onde tudo deu tão errado que até a nossa coluna foi afetada, sendo esse o motivo para o seu insucesso e sumiço.

Mas bem, com a inesperada enxurrada de lançamentos relevantes nos âmbitos pop e indie da música nacional (e não nos referimos ao álbum do ***), claro que precisávamos reviver esse cantinho transcendental e trazer uma lista fresquinha do crème de la crème sonoro brazuca que anda chegando aos nossos ouvidos. E como não somos limitados apenas a um ou dois aspectos da produção fonográfica do nosso país, listamos musicistas que vão desde vocaloids à brasileira, como a GA31, à musas consagradíssimas da música nacional como a Gal Costa – tudo fruto do trabalho impecável do garimpo de relevância cultural que eu (@bubblegumrave) e o Lucas (@gwenxtefani) empreendemos.

Mahmundi – Alegria

“Alegria” é o single do segundo álbum da Mahmundi, “Para Dias Ruins”, e não foge muito do estilo usual da artista: um pop que soa nostálgico e ensolarado, pegando um pouquinho do synthpop e um pouquinho de elementos orgânicos, tudo numa mistura muito bem calculada. O destaque como sempre é a união dessa boa desenvoltura de seus instrumentais com a simplicidade e fluidez de suas letras, sempre com construções fáceis e ainda assim sem ter um apelo óbvio. Seu som às vezes é como se fosse uma diluição bem mais atualizada do material do Tim Maia, e provavelmente não existe elogio melhor do que esse. Talvez o único problema seja o fato de que esse single soa um tanto quanto contido: “Alegria” tinha o potencial de ser uma música bem mais funkyada e vivaz, mas opta por manter uma linearidade segura, sem grandes exageros – apreciar ou não essa atmosfera vai de cada um.

Duda Beat – Bolo de Rolo

A Duda Beat é uma cantora pernambucana com base de operações no Rio de Janeiro que surgiu como um relâmpago em abril desse ano, soltando pouco tempo depois o seu primeiro álbum independente, o delicioso “Sinto Muito”. Com um senso estético bem próprio e uma voz carregada daquele sotaque #recifancy que deixa todas as suas entonações vocais fortes e marcantes, Dudinha já lançou alguns ótimos apoios visuais ao seu trabalho, destacando-se entre esses o intercalante dark/vibrante clipe de “Bolo de Rolo“. A canção é um reggaezão com um quê de synth retrozinho de fundo, lembrando um pouco as músicas da icônica Catarina Dee Jah. O ponto alto fica para a poesia da canção, bem demarcada pela voz convidativa de Dudão e que traz todo um clima de sofrência tão em voga na música liderada por vocais femininos, mas uma sofrência brega/indie na medidinha certa.

Gabz – Bota a Cara

Na onda das artistas com monônimos cada dia mais parecidos com qualquer apelido de alguma conhecida sua, a Gabz se destaca no meio da multidão por ser uma rapper novinha mas com material extremamente sólido e um talento e rimas surpreendentes. A artista tem só 19 anos e lançou há pouco as primeiras amostras de seu trabalho, com os singles “Do Batuque ao Bass” e o mais recente e maravilhoso “Bota a Cara”. Com um instrumental também puxando pro reggaezão, mas dessa vez bem mais alinhado às tendências recentes da música eletrônica dançante, como o trap, “Bota a Cara” abre espaço para o flow descontrolado e ácido de Gabz, que presenteia o ouvinte com algumas das construções de rimas mais insanas que o hip-hop nacional ouviu recentemente e também algumas das letras mais debochadas possíveis (tudo isso com o frescor e inventividade que só uma artista jovem e sem inibições poderia render). A única falta que se sente na música é a de um refrão mais impactante ou bem-planejado, já que ele vem sem aviso e não faz muita diferença no resultado final – mas isso é o de menos, já que os raps em velocidade metralhada, que enaltecem o poder feminino e citam lendas como Lauryn Hill e Sabotage em sacadas de mestre, compensam esse pequeno deslize e tornam “Bota a Cara” um dos singles brasileiros mais legais do ano.

Jaloo & MC Tha – Céu Azul

Uma parceria entre dois dos artistas mais promissores do cenário indiezudo brasileiro não poderia dar em outra coisa além de uma das músicas mais interessantes de 2018 até então. Jaloo e MC Tha compartilham de uma amizade de anos e já haviam colaborado por trás das cortinas, com Jaloo dando voz a uma das composições de Tha, “A Cidade”, em seu álbum “#1”. Agora a colaboração entre os artista é mais aberta, contando com os vocais de ambos e até um clipe onde eles dividem a cena e trocam poesias de apreciação enquanto reencenam os clássicos musicais setentistas do Fantástico. “Céu Azul” é uma música que nasceu para ser samba, o que pode ser percebido pela entonação dos versos, a cadência das melodias vocais e alguns elementos instrumentais, como batuques e cuícas diversos que podem ser ouvidos aqui e ali. Por ser um material lançado pelo Jaloo, não é surpresa que a canção também ganhe elementos eletrônicos, dessa vez sutis em um sub-bass tímido e sintetizadores atmosféricos que entram de fundo e preenchem ainda mais o esqueleto da obra. O tom melancólico da letra é o que define “Céu Azul”, criando um ambiente agridoce e permeado até por um pouco de rancor – mas que em momento nenhum desemboca para algo agressivo. A faixa é indireta na abordagem da sua temática, dando mais espaço para desenvolvê-la através da poesia mirabolante e bem-acabada de Jaloo e Tha, que nos arremete com construções liricamente impecáveis e altamente quotáveis, especialmente durante a última parte da música.

GA31 – Felizmente Sigo Sapatona

Dando continuidade à sua saga do empoderamento sapatônico, iniciada em singles icônicos como “A Força da Mulher Sapatona” e “Lésbica Futurística”, a nossa vocaloid brasileira GA31 voltou há alguns meses com o single “Felizmente sigo Sapatona“, carro-chefe do relançamento do álbum “Supermodern4”. Mais uma peça de electroclash frenético e “falado” já clássico da artista, que tira inspirações de artistas como Peaches e Noporn, o single traz um conteúdo lírico extremamente otimista, entoando versos de autoafirmação e autoconfiança – militando muuuuito mas sem ser over.

Barro – Fogo Tenaz

Barro é um cantor pernambucano que eu tive o privilégio de conhecer durante um show incrível no Coquetel Molotov 2016, à época divulgando o recém-lançado “Miocárdio”, seu primeiro álbum. “Fogo Tenaz” é o primeiro lançamento inédito do artista independente após a divulgação do disco, e já veio com um lyric video extremamente colorido e neon. A canção se situa muito entre a sonoridade que Barro já fazia no “Miocárdio”, com guitarras melódicas, um pop-rock sutil e alguns elementos do synthpop eletrônico, lembrando mais ou menos “Vai”, que na minha singela opinião é a melhor música dele. Com letra relativamente simples, mas que funciona bem com a proposta e a voz do artista, o único defeito de “Fogo Tenaz” mesmo é a duração curta da faixa, que se estende por apenas 2 minutos e com certeza poderia render um pouco mais.

Quebrada Queer – Pra Quem Duvidou

Quebrada Queer é um coletivo – ou melhor uma cypher – de rappers LGBT que acabou de lançar o seu primeiro single, “Pra Quem Duvidou“. Por cima de um beat de trap sem grandes novidades, o que interessa mesmo na canção é a letra, cheia de militância queer em cima de rimas e flows arrojados e muito bem pontuados. Os garotos da cypher possuem talento pro estilo musical proposto, e cada um brilha de forma individual na canção, mostrando um pouco de suas próprias personalidades durante a divisão e intercalamento dos versos. O clipe em si ajuda ainda mais a firmar a mensagem da Quebrada Queer, com visuais que deixariam a Brooke Candy com inveja e reafirmam as identidades múltiplas, não-binárias e inconformistas dos artistas dentro do contexto LGBT.

Pabllo Vittar – Problema Seu

Trazendo aquela fast farofa que anima qualquer festinha das manxs do vale e eventualmente chega ao toque de celular da sua tia, Pabllinho retornou mês passado com o single explosivo “Problema Seu“. Investindo inteligentemente no pop swingado após o êxito de “Corpo Sensual”, a drag não poupou na batida extra-dançante nesse single, que é basicamente um axé eletrônico marcado por uma corneta barulhenta no refrão (e com direito até a um break moombahton no final). Enquanto a música em si não traz nada lá muito inovador, o clipe pelo menos traz visuais incríveis, com a Pabllo fazendo uma série de cosplays que vão de Lalisa Manoban à Venusmnon e Saori Kido versão fashion forward.

Ellen Milgrau – Pussybilidades

Ellen Milgrau é uma modelo que virou cantora (sim, tipo a nossa Sky Ferreira!) e acabou de lançar o seu primeiro EP, intitulado “The Boche”. Devotada ao trash pop totalmente influenciado pela cena da house music, Ellen não tem inibições em abordar assuntos polêmicos ou densos, como o empoderamento feminino, a cultura de repressão de imagem das redes sociais ou a infinitude desesperadora da vida. “Pussybilidades” é a melhor faixa do seu EP e traz uma discussão sobre o poder feminino, versando sobre pontos como o movimento #freethenipple e também a misandria – mais ou menos a militância que a humanidade só vai estar pronta pra ouvir lá pelo ano de 2048! Muito além disso, o instrumental da canção evita clichês da house music, criando uma textura hipnótica e transcendental para que Ellen compartilhe a sua verdade. Assume que você é milituda, vai.

Gal Costa – Sublime

A Gal Costa é uma artista que dispensa apresentações, mas se você é uma poczinha aculturada e que nunca ouviu falar sobre ela, o JESUSWORECHANEL te dá uma colher de chá: a wikipedia! “Sublime” é o carro-chefe do próximo álbum da Gal, um pop disco bem retrôzão que deixaria o Nile Rodgers orgulhoso e é assinado pelo Dani Black, filho da Tetê Espíndola (!). A disco music é realmente o objetivo da artista nessa etapa nova de sua carreira, e para isso “Sublime”, que nasceu como samba, ganhou todos os elementos disco que podem ser ouvidos em seu instrumental – suave e envolvente como só uma boa música desse estilo poderia ser. Esse single é mais um bom resultado da união de artistas consagrados do panteão da MPB com novos nomes da música brasileira, o que também rendeu os ótimos trabalhos recentes de nomes como Elza Soares e Ney Matogrosso.

Davi – Tenho Você

Não, eu não ligo para essa música que mais parece coisa do Ed Sheeran caso ele fosse likeable, mas acho que em temos de Matheus Carrilho sendo o maior exemplo de cantor LGBT brasileiro popular entre as manxs do vale, precisamos de um nemesis unproblematic à altura para rivalizar. Rivalidade feminina é feio mas rivalidade masculina pode sim.

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