TRACK REVIEW: As sobras do SNSD – Lil Touch

Quando as ações da SM Ent. caem e o capitalismo grita por uma nova medida, apenas uma coisa pode sair disso: mais uma unit desengonçada do Girls Generation. Já separadas, e com apenas cinco integrantes ainda sobre a tutela contratual da mesma gravadora, o SNSD arranja outra maneira de ordenhar o dinheiro de seus “fãs fiéis”.

O Girls Generation-Oh!GG é mais uma artimanha das desempregadas que restaram e da SM Ent. para tentar reviver o nome do grupo, já que em meio a tantos novos como TWICE, BlackPink e GFRIEND, o SNSD ficou cada vez mais esquecido. Composta por Yoona, Hyoyeon, Yuri, Sunny e Taeyeon, a unit vem trazendo um novo som a ser explorado por elas, que não remete à nada que o grupo já tenha feito, mas falha em dar um pequeno toque novo à todas envolvidas: Lil Touch é quase uma nuance entre uma rejeitada da BoA e outras do começo da carreira da Lee Hyori.

Lil Touch é um grito para os fãs mais novos de K-pop, em uma tentativa de inserir o SNSD novamente nesse mercado que um dia já pertenceu à elas. E com razão: com tantos grupos novos e mais polidos nas novas tendências, quem iria querer ouvir algo de uma girlband que já teve seu auge há quase 5 anos atrás? Mas nem tudo na execução desse conceito é bom, temos uma mistura de tudo deixado no ralo da pia que foi jogado nessa produção e que não consegue ter seu ápice em momento nenhum.

O pop retrô de Girls Generation presente em algumas faixas delas (Hoot, Gee e Kissing You são grandes exemplos de uma das tendências que elas seguiam), se apresenta novamente nessa sub-unit, mas dessa vez sem o apelo especial que elas sempre tiveram. Lil Touch tem algumas batidas secas, um flerte com o pop latino em seu refrão e seu início, uma guitarra reggae no final, mas nada disso nos faz esquecer o fato de parecer uma demo inacabada e sem ápice nenhum. O refrão que sempre é o climáx dos lançamentos do grupo, dessa vez não brilha. E mais, me arrisco em dizer que é um dos piores já cantados pelas meninas do grupo.

A música produzida por Odal Park, LIONCHILD, Jam Factory e outros nomes, que nunca trabalharam com o Girls Generation, aparecem aqui em sua pior forma. Tudo sobre o projeto parece ter sido feito em uma pressa que acabou deixando a música mal acabada. Com um pouco mais de trabalho, Lil Touch poderia ter sido mais catchy, mais aperfeiçoada. Porém, não é essa realidade que vemos aqui.

Por outro lado, a letra aparece sendo uma das mais “maduras” do SNSD. Depois do fiasco de Holiday – afinal de contas elas já tem quase 30 anos e ainda cantavam em melodias infantis -, o fato de pegarem uma rota mais femme fatale, sedutora, não é de se chocar. Já havia tempos que o grupo precisava de uma repaginada quanto à temas da sua música.

A tentativa de repaginar o Girls Generation não deu certo. No lugar disso recebemos uma música qualquer, sem ápice, ou sem impacto. A Coreia do Sul tem sido imersa na onda do pop latino há um tempo, e com a resposta deles à música é capaz do SNSD-Oh!GG ter uma nova chance de se redimirem no futuro.