BICHAFORK: Não arrasou, Sabrina Sato! Koda Kumi – DNA

A jornada da Koda Kumi de maior it girl do japão em meados da década passada para cantora de nicho cheia escolhas sonoras duvidosas hoje em dia já foi altamente coberta por esse site, especialmente na review do seu penúltimo álbum, o “AND“. Continuar insistindo em detalhar o ponto atual da carreira dela parece até meio redundante no momento – agora a gente só aceita a bagunça toda que a trajetória musical da gata virou, ou, com sinceridade, finge que a bagunça nem tá tão grande assim quando ela lança um ou outro bop.

E bom… cá estamos. Mais um semestre, mais um álbum inédito da artista, que agora se devota arduamente a jogar o maior número possível de músicas para uma fanbase cada vez mais crucial na manutenção do seu nome. “DNA” é segundo dela esse ano e fruto de uma bênção e uma maldição: enquanto o primeiro single a ser incluído nele, “HUSH“, é a melhor faixa que a Koda Kumi já lançou em anos, o “DNA” é gêmeo do já supracitado e horrendo “AND“, de longe o pior álbum dela até hoje. I said what I said.

Dentre os discos recentes, o “DNA” ao menos soa mais devotado com a Koda Kumi de sempre: ele é variado em gêneros, indo do pop-rock ao eletrônico e às baladas de ringtone quase indispensáveis em um álbum dela – mas sempre mantendo uma identidade “urbana” e privilegiando as músicas agitadas e flertantes com o hip-hop. Não que essa mistura de gêneros seja obviamente positiva, ela é, aliás, o motivo pelo qual quase toda a discografia da diva do j-pop (risos) é irregular e pouquíssimo coesa, mas… bem… é isso o que o público sempre espera dela, e como eu citei anteriormente, a gente só aceita.

Outro ponto importante desse lançamento é que ele ao menos tenta fazer esses gêneros misturados fluírem – a primeira balada do disco, “Aenaku Naru Kurai Nara” só aparece depois que o trabalho vai reduzindo de velocidade com a faixa anterior, a mid-time R&B “CHANCES ALL“, o que já é um avanço visto que a artista adora sequenciar baladas dramáticas com músicas totalmente opostas em suas tracklists. O acerto não dura muito, já que outra balada (“Kore Kara i love you“) aparece de forma brusca lá pelo final do álbum após alguns batidões… bom, velhos hábitos são realmente difíceis de serem superados.

E é isso mesmo: o problema do DNA está menos em sua progressão e fluidez – dessa vez bem aprimorados frente aos parâmetros comuns para a Kumi-chan – mas sim na falta de material musical que realmente se destaque e justifique investir 45 minutos na audição do disco. Algumas das principais faixas de divulgação do trabalho variam entre a falta de personalidade ou de falta qualidade musical bruta mesmo. “HAIRCUT” soa inacabada, tendo detalhes promissores mas que são perdidos quando a canção se torna uma bagunça de breaks e beatdrops (é como se nos meros 2:45 da canção os produtores não tivessem muita ideia de como levar aquilo à frente). Na contramão, “WATCH OUT ~DNA~” não tem nada de realmente promissor mas ainda assim consegue se estender por cerca de 3 minutos, contando com o “refrão” mais desinteressante da história e sendo no geral uma experiência auditiva penosa.

Dentre as faixas regulares, poucas conseguem se destacar positivamente. “Dangerous” é divertidinha em alguns momentos, mas novamente é engolida pela bagunça de batidas que acomete as faixas de divulgação do disco. “ScREaM” é mais quirky e pra cima, chegando a ser plausível nos primeiros versos, mas sendo totalmente destruída no refrão, que inclusive traz algumas das letras em “engrish” mais sem nexo que a Kumi já conseguiu assinar. “Work That” parece uma demo básica e mal desenvolvida que figuraria facilmente como faixa 11 de algum disco do FEMM.

Em uma nota positiva, “HOT HOT” e “Pin Drop” são bem únicas no catálogo da artista desde a virada da década. “HOT HOT” soa nostálgica, como uma canção do início dos anos 2000 que ganhou um remaster e uma produção mais elaborada nos dias atuais. Ela é sassy, com uma energia irresistivelmente caliente (risos) e uma cara de que seria bastante apreciada por quarentonas safadas ao redor do planeta (meio que uma irmã perdida do hino “Cherry Girl”). “Pin Drop” tem uma produção urban crescente que culmina em um refrão marcante e, sem sombra de dúvidas, o melhor do álbum inteiro. A música se concentra bem no estilo “hip hop eletrônico” ao qual a Koda Kumi se devotou em trabalhos recentes, sendo de longe a versão mais bem sucedida da aventura dela nesse tipo de sonoridade. Até a voz de Kumizão não soa irritante durante os “raps” ou momentos musicais mais exigentes (como costuma acontecer em quase todas as outras faixas). 10/10.

Enquanto eu tive opinião bem solidamente formada sobre quase tudo do “DNA”, “Guess Who is Back” foi a única amostra do álbum que me trouxe sentimentos mistos. A canção foi usada como tema de abertura do (péssimo) anime Black Clover – e, ao mesmo tempo em que soa como qualquer pop rock datado de animação japonesa, a faixa é energética, mistura o rockzão genérico com a sonoridade urban-cool atual da Kumi e no fim cumpre até que bem o seu papel… só não tem muito a ver com o álbum em si.

Em resumo, não dá para saber muito se o “DNA” indica a direção certa e luminosa na carreira da Koda Kumi ou se ele só evidencia mais ainda a estagnação dela como artista. O disco consegue ser de longe superior ao desastroso “AND”, e no fundo ele renova as minhas expectativas de que daqui pra frente Kumizão possa tentar entrar nos eixos e escolher de forma mais bem planejada o seu repertório, mesmo que ainda inclua uma ou outra coisa super genérica aqui e ali. Apesar de ser um disco variado em sonoridade e com momentos antagônicos, creio o “DNA” deixa claro um fenômeno silencioso na discografia da Kumi: um afunilamento recente e progressivo nas escolhas sonoras da artista – e quem sabe isso reflita futuramente no maior investimento dela em um só estilo musical, para o bem ou para o mal.

Koda Kumi, “DNA” (2018)

Gêneros:
J-pop, Urban, Pop, Ballad
Destaques:
HUSH, HOT HOT, Pin Drop

Nota: 6.2

#kodakumi #dna #jpop #review #bichafork

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s