JESUS RANKEIA: Os melhores e piores singles do verão 2018

Enquanto no hemisfério sul a gente passa por uma época de pseudo-frio e chuvas torrenciais que resultam no nosso suposto inverno, no hemisfério norte o verão está em auge – bem como a competição de gostosas solistas ou girlgroups que se estapeiam em trajes mínimos com canções veranis visando o ensolarado topo dos charts. E verão realmente é a tradicional época de maior variedade e efervescência de lançamentos do K-Pop, rendendo alguns dos hits mais icônicos do gênero e ainda, possibilitando carreiras inteiras para certos grupos (UM BEIJO SISTAR POR ONDE ANDA SISTAR). Com a chuva de lançamentos nesse verão de 2018, lógico que o JESUS USAVA CHANEL não poderia deixar de fazer um hidratadíssimo ranking das melhores e piores músicas da estação. Pega aquele autobronzeador que te deixa laranja, um óculos de sol com lente azul cintilante espelhada, e a pochetinha já equipada com bolso anti-roubo, passe do ônibus, carteirinha da facul e KY – pois vai saber, não é mesmo? o verão traz infinitas possibilidades – e vem com a gente!

Twice – “Dance the Night Away”

Dance The Night Away” marca o primeiro conceito de verão mais óbvio do TWICE e segue exatamente a cartilha do que um clipe de verão de girlband deve ser: despojado numa praia paradisíaca, trajes leves e aquela bobajada típica que já foi explorada em clipes do SISTAR, Secret ou Girls’ Generation (apesar de que os fãs das últimas juram de pé junto que elas inventaram tudo relacionado a isso). Não há muito o que se esperar de uma música do TWICE além da velha fórmula de bubblepop bobinho com refrão viciante, mas nesse sentido “Dance The Night Away” até que serve um número dançante decentemente divertido, embora seu potencial para ser esquecida depois de menos de um minuto. Exceto pelo filtro escuro usado nas cenas do vídeo, nem há muito o que reclamar ou discorrer sobre esta que é mais uma er.. intelectualíssima e multifacetada obra audiovisual do TWICE. Um clipe de verão que não privilegia luz e cores só pode ser mesmo trabalho de amadoras nesse conceito. SISTAR desaprova.

Avaliação: 3 Taeyeons sem nariz e com cabelo de vassoura tie-dye em Party

MAMAMOO – “Egotistic”

As gostosas do MAMAMOO lançam clipes com energia de verão até no meio do inverno coreano, mas dessa vez resolveram pôr o bronzeado em dia e vestir aquele maiô bem cavadinho pra competir de igual a igual com as outras gatinhas da temporada. “Egotistic” traz as gatas na melhor emulação de Maiara & Maraísa que o K-pop já teve até agora – até porque, no final das contas, o MAMAMOO é o maior correlativo que o pop sul-coreano pode ter da sofrência do nosso feminejo. Diferente de todos os outros atos que nessa época só apostam em dance pop água com açúcar e o famigeradíssimo e PODRE tropical house, o quarteto apostou no pop latino de sensualidade e gingado hispânicos a la “Despacito” e “NEGA DOLA” (mentira). Esse tipo de sonoridade soa fresh porque nunca aconteceu lá muito consistentemente na Coreia do Sul; o que poderia ser levado a outros níveis se o clipe se jogasse de cabeça em uma estética equivalente. É lógico que isso não acontece, afinal é só o resultado de uma mistura de panos gigantes, estampas étnicas e cenários de selva que parecem construção estética de uma novela da Glória Perez sobre algum país latino cuja protagonista fala português fluentemente e se apaixona por um brasileiro apoiador de políticas protecionistas.

Avaliação: 4 singles ruins de verão da Koda Kumi que ficaram de fora do top 5 da Oricon

RED VELVET – “Power Up”

Depois de finalmente emplacarem “Red Flavor” como um hit de grande alcance nacional e de significativo desempenho no último verão sul-coreano, não é surpresa para ninguém o Red Velvet voltar esse ano na mesma estação do ano. Na esperança de recuperar a atenção do homem comum de meia idade que jamais daria alguma foda para meninas cheias de swag vestidas de Gucci e Balenciaga dos pés a cabeça em “Bad Boy”, “Power Up” veio ao mundo como a mais nova aposta do PT Velvet. Por trás de uma melodia que transita entre o pouco apreciado hyper-pop da discografia da nossa rainha dos baixinhos Xuxa nos anos 90 e os melhores axés de Luiz Caldas, há um delicado arranjo inspirado em chiptune/8-bit que facilmente poderia ser creditado ao Anamanaguchi. O resultado é uma bagunça doida – o “ba-na-na-na” atarracado sem pausa logo após o refrão é um sinal do desespero de todos os envolvidos em tornar super-cativante ao menos alguma parte desse conjunto – que provavelmente cumprirá o objetivo de trazê-las de volta à ótica do grande público sedento por uma gastrite de suquinho Tang. Em notícias melhores, o clipe é um dos mais belos da videografia delas – uma videografia de muita qualidade, por sinal – e tem tudo que um homossexual artístico de comportamentos neuróticos com controle de qualidade da estética de seu Tumblr possa querer. Deixando a pobre identidade visual Globo Rural e/ou programas sobre consumos alternativos de alimento da GNT de “Red Flavor” pra trás mas, ao mesmo tempo, sacrificando a qualidade musical de seus frutos, só podemos nos perguntar se o Red Velvet há de virar um grupo de caça-níqueis veranis ou se é cedo demais para dizer que temos saudade do SISTAR.

Avaliação: 3 faces artificialmente bronzeadas e com sorrisão #FFFFFF da Ayumi Hamasaki no auge de suas intervenções cosméticas na capa do “A Summer Best”

CHUNG HA – “Love U”

Estamos na metade de 2018 e a tendência sonora tropical house não só NÃO morreu como desenvolveu braços e pernas, mesclando-se de maneira bagunçada e tosca por mais e mais gêneros, diluindo-se conforme as necessidades de cada artista em subir nas paradas sem lá muito compromisso com coisa boa. “Love U”, tal qual os outros dois singles de Chung Ha, única gatinha saída do I.O.I a ganhar carreira solo e não parar em grupos porcamente gerenciados, é um tropical house desses. Pequenos detalhes na instrumentação de “Love U” tentam diferenciar a música do mais do mesmo; algumas interposições de sons alheios ao lugar comum do tropical house aparecem mas pouco salva-se em meio à estrutura tão simplista e segura. É, por fim, como qualquer tropical house sul-coreano de verão deve mesmo soar. O destaque fica, é claro, para a crocantíssima mania da gostosa de cantar sempre acima do tom como se tivesse sendo esganada, característica que perdurou por todos os seus singles até agora e também a fez estragar um ou outro clássico do K-pop em lives horríveis. O clipe desse single é tão dolorosamente genérico quanto a canção e apresenta a gatinha em cenários de praia, em cenários clean e, acompanhando uma moda mais recente, também em takes em cenários extravagantes e amplos como o corredor de alguma mansão chiquérrima. Meh.

Avaliação: 1½ single japonês de verão do f(x) que não chegou nem a chartear no país

GFRIEND – “Sunny Summer”

Apesar de um abuso ou outro que o GFRIEND pode causar por lançar religiosamente a mesma música há cerca de 3 anos (e que por sinal a tal música já é uma versão de outra música), esse ano as gatas decidiram excepcionalmente apostar em faixas menos desagradáveis em seus lançamentos, o que rendeu o recente e competente comeback de verão “Sunny Summer“. Talvez o apelo todo da faixa seja exatamente o fato dela não apostar na mesma sonoridade entediante que o grupo costuma fazer sempre, migrando dessa vez para um soft pop leve, meio retrô, mas não menos datado. O que impressiona nesse lançamento é a visível falta de orçamento para o clipe, que dentre os conceitos de verão escolheu o menos criativo e ambicioso: gatinhas que passam as férias de verão num hostel barato e que tem que lutar contra o calor iminente e dividir uma só taça de açaí pra poupar o dinheiro do busão.

Avaliação: 3 be-bergamotas

Jessi – “Down”

Não demorou muito e o Tropical House já marcou presença mais uma vez nessa lista. “Down” é mais uma aposta da Jessi (não faz nem sentido chamar ela de “gostosa” como vocabulário desse blog porque ela tá se esforçando pra provar que é gostosa de verdade) de quebrar o top #70 dos charts coreanos, e bom………. é uma tentativa ok. A faixa anima apesar do gênero ultrapassado, valendo-se daquele ar fresh, dançante e praiano que só os bons singles esquecíveis de verão sabem servir – mas nada disso salva o single da impressão de que ele poderia ter sido lançado por literalmente qualquer cantora farofeira por aí. O destaque desse lançamento é realmente o clipe, totalmente cheio de generosos e minajescos closes ginecológicos e anais na Jessi que a elevam rapidamente ao patamar de maior concorrente asiática da própria Pornicki Minaj.

Avaliação: 2 drinks de verão radioativos do Red Velvet

KARD- “Ride on the wind”

A bosta Tropical House mais horrível da lista não podia ser nenhuma além de mais uma música genérica do KARD, grupo que nunca evoluiu musicalmente em dois anos de debut e ainda usa a desculpa de que esse gênero é “a assinatura” deles pra continuar lançando efetivamente a mesma música sem parar. No mais, não há nenhuma novidade em “Ride on the wind” além do descrito – e nem o clipe consegue salvar o negócio todo, visto que ele é provavelmente o vídeo dessa lista com as ideias mais óbvias que um clipe de verão pode ter, tão ruim que nem os abs de um integrante aleatório consegue salvar a meleca visual toda de ser um fracasso com cara de comercial de protetor solar. Foi-se a época em que o fato do KARD ser um grupo misto era o evento que salvava os singles ruins do esquecimento, agora isso felizmente não cola mais. Até o disband ❤

Avaliação: -1 single de verão da Koda Kumi que negativou na Oricon

HYOLYN – “See Sea”

Depois de servir uma das faixas mais icônicas do ano, a atemporal Dally (cujo clipe só consegue competir com “Down” da Jessi no nível softporns coreanos que amamos), HYOLYN voltou com a última parte de sua triologia de singles, dessa vez servindo um bop de verão basicamente sem defeitos e recobrando a sua coroa de rainha da estação com “SEE SEA“. A faixa lembra muito o trabalho que a HYOLYN fazia com o SISTAR, uma girlband intensamente dedicada aos lançamentos veranis, mas dessa vez traz muito mais fortemente o DNA da cantora e vai a outros extremos líricos e estéticos que um girlgroup médio não conseguiria lançar sem render um bom rebuceteio midiático. O clipe tem seus summer clichês, mas ganha o público facilmente assim que a artista enfia aquele maiôzinho bem fundo e traz uma coreografia sugestiva na mesma medida em que é divertida, servindo quase um revival das gatas praianas de programas dominicais brasileiros e ainda salpicando incríveis visuais e lewks pra qualquer gayzinha básica se inspirar assim que o calor interminável do verão no nosso hemisfério começar.

Avaliação: 5 “arrasou Sabrina Sato” em clima de verão

E aqui termina essa lifechangíssima lista de lançamentos que vão ser esquecidos até o semestre que vem. Não esqueçam o hidratadorzinho labial na pochetinha #trendy e aquele óculos de sol comprado na aliexpress que demorou 6 meses pra chegar e bom verão! Daqui a uns 4 meses, claro.

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