JESUS WORE YOHJI YAMAMOTO: Para Para Edition

Meses se passaram desde a última e relevantíssimazzz edição dessa coluna em que eu listei um monte de lançamento irrelevante apenas pela oportunidade de divulgar e comentar a última grande farofa do AKB48. Pois bem, desse tempo pra cá o J-pop foi invadido por uma surpreendente onda de lançamentos sólidos que me deu forças de vontade para trazer o JESUS WORE YOHJI YAMAMOTO de volta da pós-vida. Claro que nem 10% dos lançamentos comentados nesse post representam o mainstream do pop japonês, que como sabemos é sempre repleto de material altamente duvidoso – mas ao menos o pop undergroundzinho e #cult anda fervilhando com singles e álbuns ótimos que mergulham nas trends mais interessantes da música indiezuda aqui do ocidente mas sem perder aquele twistzinho nipônico. Vale salientar que muita coisa acaba ficando fora do meu radar a cada nova edição da coluna, então sempre é bom reiterar que a caixa de comentários está aí para que vocês possam me lembrar do que ficou de fora e quem sabe instigar um futuro edit do post com essas cobranças. Vamos ao que interessa?

FEMM – ‘Plastic’ (01.08)

O FEMM voltou depois de algum tempinho com a (até então) melhor imitação japonesa da sonoridade feita pela galera da PC Music. Esse é um caminho um tanto esperado para o FEMM, visto que a dupla sempre explorou muito o conceito tecnológico/cibernético, futurístico e “pós-irônico” que permeia o imaginário dos artistas ligados à PC Music – tanto que elas trabalharam ano passado com a LIZ, colaboradora frequente de outra colaboradora frequente (risos) da PC Music, a onipresente SOPHIE. “Plastic” é competente no que se propõe, trazendo um trabalho vocal sintetizadíssimo e um instrumental dançante e quirky na mesma medida, parecendo facilmente algo que o A.G. Cook produziria em um momento menos inspirado. As garotas lançam nesse próximo dia 4 um novo EP, o “DOLLHOUSE”, e espero sinceramente que agora elas voltem aos eixos depois de toda a bagunça de lançamentos que marcou os últimos dois ou três anos da carreira da dupla.

Thelma Aoyama – ‘Sekai no Chuushin ~We are the world~’ (01.07)

Thelminha é um nome interessante para começar essa edição da JWYY, pois é uma cantora que eu sempre tive preguiça de acompanhar, mas que nos últimos tempos vem lançando músicas minimamente divertidas e emendando isso com visuais interessantes e com um quê de moda de rua que o J-pop andava lentamente se dissociando. Apagando o seu passado de cantora contemporânea de R&B (que até rendeu a ela um ou outro hit na década passada) e seguindo uma linha mais edgy, Thelma hoje em dia aproveita o fato de que vende 400 cópias por álbum como deixa para explorar a sonoridade que quiser – o que começou com os ótimos sons urban do seu penúltimo álbum, “Lonely Angel”, de 2014. Falando da faixa em questão, “Sekai no Chuushin ~We are the world~” é para todos os efeitos o lead single de seu novo disco, “Highschool Gal”, que é focado em reproduzir gêneros que faziam sucesso na época em que Thelminha ainda era uma colegial (pode não parecer mas a gata já tá na casa dos 30), sendo um desses o Eurobeat utilizado nesse single, um diabo de ritmo que embalou as baladas e máquinas de dança japonesas dos anos 2000. Apesar de ser um revival um tanto quanto duvidoso, tudo funciona bem na música e o replay value é ótimo – destaque para a letra divertida que cita a vida noturna em Shibuya, celulares de antena e até Namie Amuro, enfim, tudo dessa cultura trash que povoou o início do milênio lá no Japão. Claro que o intuito da música se torna muito melhor se você viveu essa época e consegue comprar facilmente a nostalgia, mas de qualquer forma o trabalho aqui teve um resultado final bem satisfatório. Ah, obviamente que um revival do Eurobeat não seria o mesmo sem o também renascimento do Para Para, dancinha típica do gênero e que é maravilhosamente utilizada no clipe.

DAPUMP – ‘U.S.A.’ (16.05)

Falando em Eurobeat, esse lançamento acima só fez as vias até esse post por causa desse gênero. DA PUMP é uma daquelas boybands clássicas japonesas dos anos 90 que continuam vingando até hoje porque as fangirls nunca morrem e eu definitivamente não me importo com o restante do material deles em si, mas a questão é que esse single em questão anda morando no topo dos charts japoneses e é mais um ótimo exemplo do revival do Eurobeat esses tempos. Diferente da música da Thelma Aoyama, que pega o gênero e o utiliza de maneira fresh e current (eu juro que queria parar com as adjetivações em inglês mas não dá), “U.S.A.” é datada ao ponto de realmente parecer uma música saída direto de uma máquina de Pump It Up de algum fliperama aleatório dos anos 2000, tosca e barulhenta até dizer chega. De qualquer forma não é uma música para ser levada à sério mesmo e não tem nenhum problema nisso.

iri- ‘Only One’ (01.08)

Não demorou muito depois de seu segundo álbum e a iri já está de volta com um novo single, “Only One“. A canção segue o bom faro da artista em fazer um pop indiezudo mergulhado na cabeça na música eletrônica e que consegue agradar facilmente a gostos underground e mainstream. O single é basicamente a melhor coisa que a iri lançou desde “Watashi”, e parte dessa qualidade se deve à participação caprichada do produtor Yaffle, conhecido por trabalhar em material voltado à eletrônica e R&B e que já colaborou com a iri anteriormente na faixa “Corner“, também desse ano.

Koda Kumi – ‘HAIRCUT’ (22.08)

Essa aqui já tinha sido revelada há uns meses em uma versão demo bagunçadíssima, mas agora finalmente atingiu os ouvidos do público com uma versão completa. “HAIRCUT” é uma das mostras do próximo álbum da Koda Kumi, o “DNA”, que vem fazer companhia ao “AND” (já massacradíssimo neste mesmo blog) como parte da recente obsessão da gata em lançar dois álbuns imemoráveis por ano. Interessante o suficiente, “HAIRCUT” nem é uma faixa ruim, sendo um urbanzinho farofeiro contemporâneo que faria bonito como faixa bônus do iTunes Cyprus de algum cd de popstar aleatória nível Annie Marie. Infelizmente a versão final continua uma bagunça enorme, o que acaba minando totalmente o potencial da faixa… custava chamar um produtor decente pra direcionar melhor o andamento dessa demo, kumichã?? Dentre as várias coisas que pecam na música, o que mais pesa pra mim é provavelmente a estrutura sem graça que segue uma coisa linear (com versos e refrões normais) pra depois degringolar numa bagunça de breaks e efeitos vocais batidíssimos. O destaque só vai mesmo para o clipe, que consegue ilustrar bem a faixa e até traz umas ideias interessantes, fazendo parecer que a música só existiu para esse propósito visual mesmo.

Perfume – ‘Let Me Know’ (31.08)

A primeira edição dessa coluna contou com um parágrafo inteirinho só para que eu pudesse meter o pau no (à época) mais recente desastre do Perfume, “Mugen Mirai”. Eu reclamei especialmente da produção future bass metálica e sem vida que não conseguia transmitir a personalidade do grupo e ainda era meio sloppy – e por sinal não mudei de opinião até agora. Felizmente hoje a justiça será feita para o Perfume, já que eu preciso dizer que “Let Me Know”, faixa de divulgação do novo cd das gatas (não coincidentemente intitulado “Future Pop”), é gostosinha, carismática E consegue unir a personalidade do trio ao contemporaníssimo future bass de uma forma que me pegou bastante de surpresa. O ritmo da música é muito menos intenso que as faixas anteriores, mas se vale de uma produção minimalista e synths quase analógicos para criar um ambiente propício para que o Perfume seja aquele grupo com melodias high-pitched e carismáticas que todo mundo já conhece e ama. O refrão aliás é a prova definitiva de que dá pra combinar o estilo do grupo com essa onda mais recente do eletrônico metálico, e se ele for um indicativo do que está por vir no próximo álbum delas, quem sabe o “Future Pop” acabe não decepcionando tanto quanto parece que vai decepcionar.

eill – ‘Hush’ (18.07)

A eill é uma gatinha desconhecidíssima que já trabalhou com o PAELLAS uns tempos atrás mas só começou a fazer ondas como cantora solo na internet há poucos meses com singles que incluem a ótima “Makuake”. Ela soltou na última semana a ótima “Hush“, que é produzida pelo Takahashi Kai da banda indiezuda ❤ LUCKY TAPES <3. Não tem muito o que se falar sobre “Hush” além de que ela é um pop eletrônico indiezudo e chill que parece muito com o material de projetos como o Cosmos Midnight – e eu de verdade não conseguiria tecer um elogio melhor que esse. A voz da eill é fresh e envolvente, e esse tipo de sonoridade é exatamente o que a cena indie japonesa andava precisando esses tempos.

MANON – ‘COCO BOI ROMANCE FEAT. RYAN REMSWORTH’ (12.07)

Continuando nas indiezudas, a MANON é uma cantora novata que acabou de lançar seu primeiro álbum, o “TEENAGE DIARY”. Eu fui ouvir o disco já na intenção de adicioná-lo nessa lista, mas acabei odiando boa parte das músicas, incluindo uma parceria com ninguém menos que o Kero Kero Bonito (e POR DEUS qual a probabilidade de uma música com o Kero Kero Bonito dar errado?). Por minha sorte eu acabei insistindo no cd e passei a prestar atenção em “COCO BOI ROMANCE“, uma das faixas de divulgação dele e que é produzida pelo DJ canadense Ryan Hemsworth (que não tem nenhuma grande produção em seu currículo além de uma faixa pra alguma mixtape da Tinashe). A música é um bubblegum pop cheio de sintetizadores e que mescla isso com uma bateria orgânica e percussionada em ritmo que até lembra o samba em alguns momentos (sério). A voz da MANON, que é uma das coisas que eu mais odiei no álbum inteiro, felizmente está muito bem colocada aqui e alterna entre partes melódicas autotunadas e raps despretensiosos porém muito eficazes.

Chiaki Sato – ‘Summer Gate’ (25.07)

A Chiaki Sato é integrante da banda de post-punk Kinoko Teikoku, que eu particularmente nunca tinha ouvido falar sobre mas certamente vou pesquisar depois pois sou uma cadela desse gênero musical. De qualquer forma, a cantora acabou de lançar o seu primeiro trabalho como solista, o EP ‘SickSickSickSick’, que navega por sonoridades bem diferentes de sua banda, explorando a eletrônica lenta, o chillwave e um tiquinho de música pop. Parte da escolha dessa sonoridade é creditada ao co-produtor do EP, o músico e integrante da banda ❤ Metafive ❤ Yoshinori Sunahara, que é bem devoto à música techno e edm no geral. O destaque desse trabalho da Chiaki é “Summer Gate”, faixa que ganhou clipe poucos dias atrás e é uma das canções indie pop mais competentes que o Japão já soltou esse ano. Para além dessa música de divulgação, o resto do extended play é bastante coeso e traz algumas faixas incríveis como “Signal” e “Prologue”.

tofubeats – ‘RUN’ (26.07)

Quando se trata de música eletrônica japonesa com um quêzinho de grude e uma pitada de aesthetics, dificilmente outro nome vem à cabeça além do tofubeats. O produtor já fez remixes para um sem-número de artistas japoneses e também colaborou com nomes interessantes como a cantora e anfíbia G.RINA e a eterna rainha do e-girls Dream Ami. Eu não entendo muito (e nem tento) a cronologia de singles dele, mas o mais recente a sair é “RUN“, faixa curtinha e que mistura beats de trap com sintetizadores pesados, vocais fortemente vocoderizados e muito rapidamente algum instrumento orgânico tipo piano e violino. Não é nenhum standout da carreira do tofubeats, mas consegue entreter facilmente enquanto o produtor não decide que quer lançar um trabalho mais extenso.

SKE48- ‘Ikinari Punch Line’ (04.07)

A Matsui Jurina foi sacrificada no meio do Produce 48 e sumiu totalmente do mapa, mas não sem antes se consagrar como a atual rainha dos grupos 48 e lançar esse verdadeiro bop funky com o SKE48, no qual ela é como sempre o centro das atenções. Ao menos instrumentalmente, “Ikinari Punch Line” se distancia das faixas idol normais e segue uma linha meio cabaré/bebop com uma construção abundante em guitarrinhas, piano e principalmente instrumentos de sopro como o saxofone. Às vezes ela parece um pouco Livin’ La Vida Loca do Rick Martin, e aí eu já não sei dizer se isso é exatamente um elogio ou não. O legal do clipe é que ela ajuda a maximizar todo o clima bregão da música, trazendo as integrantes do SKE em terninhos vermelhos brilhantes e lesbicíssimos chapéus fedora – não seria um single do grupo da Jurina sem algum elemento lésbico muito latente, né?

BananaLemon- ‘LOOK AT ME, LOOK AT ME’ (01.08)

Muito mais competentes que o SKE48 em servir o conceito bregão cabaré, o BananaLemon voltou com a ótima “LOOK AT ME, LOOK AT ME”, que mergulha fundo na vibe burlesca apesar do claro baixo orçamento que circula tudo relacionado a esse single. As garotas já tinham mostrado potencial no ótimo debut em fevereiro, com a farofeiríssima “GIRLS GONE WILD“, que privilegia a dança e visuais fresh/cool, mas “LOOK AT ME, LOOK AT ME” tem um foco bem maior nos vocais potentes das integrantes, que são agraciados por construções instrumentais feitas para deixá-las brilharem em high notes a todo o momento. O único defeito desse single novo talvez seja a falta de um clímax decente, já que a música fica criando expectativas todo o tempo mas nunca atinge o refrão memorável que provavelmente deveria atingir.

FNCY- ‘AOI’ (13.07)

Eu falei da G.RINA em algum momento lá em cima mas não tive o devido tempo de citar que ela é a rainha japonesa DIY do neo-city pop. De férias após lançar álbuns incríveis ano após ano (como o “Lotta Love” e o “Live & Learn”), a gata se lançou em um projeto colaborativo FNCY com os rappers ZEN-LA-ROCK e Chinza DOPENESS. O debut do trio é com a retrô “AOI” produzido pela própria G.RINA e que herda muito do synthpop oitentista ensolarado e kitsch que ela já costuma explorar em seus álbuns solos. O destaque da faixa vai certamente para a dinâmica que ela possui pela ótima união entre vocais e raps, servindo um pop que soa saudosista mas ao mesmo tempo abraça uma atitude e vibe bem contemporânea.

ZOMBIE-CHANG- ‘MONALISA’ (29.06)

A ZOMBIE-CHANG é a cantora com maior voz de taquara rachada da história e talvez por isso não seja realmente uma artista para todos os gostos, mas esse bloguinho baba por ela desde sempre e não poderia deixar de citá-la assim que possível. A gatinha quebra-vidraças acabou de lançar seu segundo álbum com gravadora, o “PETIT PETIT PETIT”, e anda extraindo alguns singles dele como a viciante “MONALISA“. A faixa é um bubblegum pop bem orgânico, seguindo a ideia do álbum que é de trazer músicas criadas inteiramente com o apoio de uma banda, sendo indiscutivelmente catchy e aproveitando ao máximo da voz excêntrica da CHANG para tornar isso possível. O clipe é uma ode à Gracyanne Barbosa e à fase francesa de Ana Hickmann, sendo uma experiência mentalmente enriquecedora e ajudando a levar o single ao próximo nível. Ouça com o volume baixo.

BENI feat. IO – ‘Chasin” (29.06)

Se é que alguém ainda liga pra BENI, a balzaquiana cansou de lançar álbuns de covers todo o trimestre e agora lança uma ou outra música decentezinha só pra variar. A mostra mais recente disso é o single “Chasin‘”, que conta com participação do rapper IO do grupo KANDYTOWN e é um R&B atmosférico que poderia ser facilmente lançado em alguma mixtape aleatória da Tinashe.

Moodoïd feat. Suiyoubi no Campanella – ‘Langage’ (12.06)

O Suiyoubi no Campanella morreu com um último lançamento horrível de entediante mas felizmente foi salvo graças a essa colaboração incrível com o projeto francês Moodoïd. “Langage” é uma versão alternativa da faixa original do álbum “Cité Champagne” e quase uma colaboração de agradecimento do Suiyobi, visto que o Moodoïd já havia participado de uma faixa deles há alguns meses, a horrenda “Matryoshka“. A faixa traz os vocais da KOM_I sintetizados de uma forma linda por cima de um synth/indie pop bacanudo, além de um dos clipes mais divertidos e quirky do ano. Agora é rezar pra que o Suiyoubi volte a lançar músicas boas, coisa que não acontece desde “Melos” pra ser bem sincero.

E é isso garotas, a coluna volta assim que o japão resolver mandar mais uma rodada de músicas comentáveis, coisa que todos nós sabemos que não acontece com frequência. Até lá me encontrem fazendo track reviews de kpop porque é o que tem pro momento. Até a próxima!

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