TRACK REVIEW: Robyn – Missing U

Nos seus últimos álbuns – o autointitulado “Robyn” de 2005 e os definidores “Body Talk Pt.1 e Pt.2” de 2010 – a Robyn cravou o próprio nome na memória afetiva da música pop mesmo sem chegar a arranhar o cenário mainstream com algum hit massivo nos charts. Talvez isso seja resultado da sonoridade synthpop memorável (mas ao mesmo tempo afável) que permeia o trabalho da sueca – músicas como “Dancing On My Own”, “Be Mine” e “Call Your Girlfriend” se tornaram quase hits underground ano após ano depois de seus respectivos lançamentos, tendo como trunfos uma objetividade técnica alinhada a um poder carismático e replay value que só as boas músicas pop realmente conseguem ter. Esse fenômeno provavelmente consegue explicar o motivo pelo qual a Robyn pareceu estar sempre por perto mesmo após oito anos sem lançar música novo sob seu próprio nome, jejum que está sendo quebrado agora com “Missing U”.

A primeira coisa a se falar sobre esse novo single é que ele não difere muito daquilo que a Robyn explorou sonoramente na série Body Talk: o instrumental é um pop vibrante e repleto de synths que trafegam entre o oitentista e o futurista, assim como em faixas quase-clássicas como “Hang With Me” e “In My Eyes”. Isso pode soar um tanto decepcionante para quem aguardava algo mais edgy e agitado (afinal, a própria Robyn informou que o próximo álbum ia ser influenciado pela música clubber da década de 90), mas depois de tanta experimentação da artista em projetos como o La Bagatelle Magique e a sua parceria com o duo Royksopp, todos indo a lugares bem diferentes da música eletrônica, a volta ao básico em “Missing U” acaba agradando especialmente por ser um retorno da sueca às suas melhores características musicais.

No âmbito lírico, a faixa funciona quase como uma continuação não-oficial de “Dancing On My Own”, contando com uma energia emocional parecida e diferenciando-se levemente apenas na temática. “Missing U” oferece um insight sobre o sentimento de falta que alguém causa logo após o término de um relacionamento – o que nem de longe é um assunto inédito no mundo da música, mas que funciona aqui pela forma como a Robyn escolhe a sutilidade na hora de abordar sua experiência com o tema. A falta expressa na canção reativa memórias afetivas e sensoriais, puxa pelos sentimentos mais positivos que um término pode render e ainda assim deixa uma sensação ímpar de desolamento.

A escolha de desenvolver a música de forma mais lenta e menos imediata é um dos trunfos do single, que dá um longo espaço para que a artista interprete a letra de forma suficientemente interessante: o instrumental cresce de modo progressivo, passa por vários estágios e, no fim, oferece uma ou outra surpresa por não seguir o padrão industrial de verso-refrão-verso-refrão presente fortemente nos singles do último álbum da Robyn. É difícil prever se “Missing U” vai sobreviver decentemente à ação do tempo como parte da discografia da artista sobreviveu – mas se sua semelhança com os clássicos da sueca for um sinal, é bem capaz que a gente ainda chore por uns bons anos com mais essa surra de synth.

#robyn #missingu #pop

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