BICHAFORK: Mais um episódio do Casos de Família de Beyoncé e Jay-z com “Everything is Love&quot

Abraçando ainda mais a cultura negra em que foram criados, Beyoncé e Jay-z lançam um novo trabalho. Dessa vez surpresa, sem muitas firulas como aconteceu no anúncio da atual tour On The Run II. Aproveitando ainda mais as deixas, sobre seu casamento, deixadas pelo último álbum da cantora, Everything is Love aprofunda ainda mais a vida do casal e mostra uma Beyoncé que simplesmente abraçou o rap e fez dele seu próprio gênero.

Abrindo o projeto com uma faixa bem calminha – me fazendo até duvidar se eu deveria continuar ouvindo -, o casal sintetiza claramente o que eles querem com o álbum: mostrar que a dupla, juntas desde há muito tempo, veio para recuperar a sonoridade late 2000s do r&b/hip-hop que eles mesmos já tiveram no início de suas carreiras – e que eles querem capitalizar os momentos íntimos. Mesmo que Summer não seja lá uma das melhores, ela serve como uma ótima abertura para o Everything is Love.

Nos deparamos com uma Beyoncé completamente diferente da que conhecemos. Mesmo que a cantora já tenha flertado com o rap alguns anos atrás, ela nunca tinha cedido ao ritmo totalmente. APESHIT, segunda música do álbum, mostra que ela tem tudo que é preciso para ser uma das melhores rappers que conhecemos – e digo isso sem exagero. A música – allegedly – produzida pela dupla e por Pharrel Williams afasta-se de qualquer coisa que o último já tenha feito, é um hip hop que flerta com o trap e nos mostra Beyoncé sem pudor, respondendo todas as críticas e vangloriando o casal, falando que ambos alcançaram seus objetivos e estão no topo.

É essa faceta da Beyoncé que vai dominando até o final do álbum. A rapper que salta diversas vezes em várias faixas, com um flow impecável e mostrando à todos sua versatilidade, e a vontade de abraçar a sua própria cultura. Os melhores versos sem dúvidas estão em Nice, contando com a participação de Pharrel Williams, também produtor da faixa, onde ela apropria-se da polêmica em que disseram que o seu marido, Jay-z, fraudou streamings em seu aplicativo, TIDAL. A faixa é um amontoado de referências dos early 2000s, onde tentam até mesmo emular o refrão de Humble de Kendrick Lamar, e conseguem entregar uma faixa de ótima qualidade.

Outra faixa onde as referências estão bem aparentes é a 713. O refrão é puro r&b mainstream dessa época. Confesso que na hora em que ouvi essa em específico, mesmo que não sendo uma das minhas favoritas, fui instantaneamente transportado para a época onde Tupac e TLC dominavam. E mesmo assim ainda consegui ver a marca que o rapper, Jay-z deixa em suas músicas.

A junção de ambos sempre casou perfeitamente, tanto monetariamente quanto qualitativamente. Prova disso é Crazy In Love ser um dos grandes hits da sua época, e até hoje, considerada um clássico. Em FRIENDS, a melhor do álbum, podemos ver como as duas marcas sonoras vão duelando entre si para formar uma faixa extremamente catchy e intrigante. É onde o feud familiar dos dois é ainda mais abordado. Beyoncé critica os amigos de Jay-z, dizendo que são melhores que os dele, e Jay-z concordando com o fato, lidando com temas como os pitacos que aqueles amigos dão sobre relacionamentos.

O resto do álbum é pura excelência negra. Mesmo com uma faixa anti-climax que fecha o álbum, HEARD ABOUT US e BLACK EFFECT se contemplam perfeitamente. Sendo uma sequência incrível até a última acontecer.

O projeto conjunto já estava previsto para sair, com a dupla saindo em mais uma turnê juntos, seria o curso natural das coisas. Mas o que realmente pareceu engraçado e esperto, é como eles lançaram isso para possivelmente impulsionar as vendas dos ingressos da sua turnê, o que não é errado, mas soa como se eles estivessem guardando isso para o momento certo.

O que foi proveitoso para ambos. A questão toda com a Beyoncé e a imagem dela, é que ela simplesmente se preserva de uma forma que não conseguimos conectarmos à ela. Vê-la de uma forma mais crua, sem pudor, é positivo para a própria, e a questão de fazer tanto sucesso, resultar em tanto hype, é que ela literalmente não fala nada sobre sua vida. Trabalhos como Everything Is Love nos mostram um lado mais pessoal, mostrando que ela não é só um robô da indústria, ou uma máquina de hits.

Everything Is Love em todas as plataformas de streaming, mesmo sendo originalmente lançado como um álbum apenas para o TIDAL.

Beyoncé & JAY-Z, “Everything Is Love” (2018)
Gêneros: R&B, Hip-hop, Trap
Destaques: “FRIENDS”, “APESHIT”
Nota: 8.0

#beyoncé #jayz #everythingislove #thecarters #bichafork

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