Time for the Moon Night prova que Gfriend ainda tem impacto na Coreia

Em 2016 o k-pop ficou marcado pelos hits virais do grupo Gfriend, que competiam lado a lado pelas músicas do ano com o outro grupo, Twice. Vindo de uma gravadora pequena, sem antecessores ao seu sucesso, o grupo impressionava a todos com a sua dominação dos charts sul-coreanos e a qualidade das danças que ficaram marcadas até hoje. Mas depois de uma mudança de imagem, e o desespero para voltar ao que eram quando isso não deu certo, todos achavam que o impacto do grupo tinha acabado, mas “Time for the Moon Night” nos provou errado.

Conhecidas pelos hits “Me Gustas Tu”, “Rough” e “Navillera”, as meninas marcaram-se pela imagem inocente do grupo, ápices das músicas, que deixavam um gostinho de quero mais e além de tudo, a impressionante sincronização das meninas em coreografias difíceis. Uma carreira construída assim, que deu ao grupo imensas vendas e muitas views em seus vídeos, marcando-as como grandes nomes da indústria no momento em que estavam.

A constante imagem pura e inocente que elas vendiam, com o tempo, era saturada, e então dentro da gravadora viram a necessidade de simplesmente repaginarem o grupo de forma chocante. Arriscando tudo que tiveram construído até o momento, as meninas, e a empresa delas, tentou fazer com que o Gfriend tivesse outro feeling. Dessa vez mais maduras, com uma sonoridade diferente, flertando até mesmo com o eletropop e o dance, “Fingertip” chegou aos nossos ouvidos como a promessa de uma evolução bem grande do grupo que até então estavam estagnadas na mesmice.

O grupo saiu da zona de conforto exatamente quando estavam no topo, elas poderiam ter escolhido ficar na mesma fórmula como outras escolheram, mas não foi isso que aconteceu. Saíram da “imagem conservadora” onde prezavam a pureza e inocência, tornaram-se mais modernas e despojadas. Mesmo tendo um sucesso decente para os charts, “Fingertip” infelizmente não foi o smash hit esperado como as músicas anteriores. Manteve-se estável no top 5 de vários charts por semanas, mas não alcançou as mesmas expectativas que “Rough” tinha excedido. Mas claro que isso não aconteceria, o grupo tinha acabado de ser repaginado, era como um novo debut para as meninas de forma mais madura.

Porém, isso não foi o suficiente para a gravadora delas. No comeback que veio logo depois, as meninas já tinham voltado para a imagem inocente e pura do seu início. “Love Whisper” foi quase como uma regressão para o grupo, ao meu ver. O desespero de recuperar uma parte da fanbase que gostava de ouvir as músicas de abertura de anime – muito boas – delas bateu mais forte, e nada mais sutil do que tentarem recriar o seu maior smash hit de verão para essa época.

“Love Whisper” tem até mesmo a mesma estética presente no clipe de “Me Gustas Tu”. A sonoridade e o refrão de ambas se parece bastante. Até mesmo a coreografia foi recriada. Qualitativamente isso não foi muito bom. O Gfriend pareceu estagnado mais uma vez na imagem que marcaram para ela. E nos charts a música não fez tanto barulho quanto os lançamentos passados. Também devido a sua concorrência, o grupo encarou problemas para subirem ao top 20, caindo semanas depois, presentes por pouquíssimo tempo no topo das paradas digitais.

E não parou por aí. Logo depois, com “Summer Rain”, o grupo foi ainda pior. A música beirou o fim do top 100, marcando como maior “fracasso” do Gfriend, até porque mais uma vez, soou como uma regressão para todos que estavam esperando algo novo do grupo.

Essas tentativas nos deixaram pensando que talvez o grupo tivesse perdido o nome dentro da Coreia do Sul. Qualidade nunca foi um problema para os padrões de lá, até porque culturalmente os gostos deles são duvidosos e totalmente diferente dos nossos. Mas a questão toda é que essa troca repentina de imagem, essa regressão de conceitos, afeta sim a longevidade das músicas nos charts. Talvez por marcarem um público alvo e uma vez que essa imagem é mudada, esse público se perde. Por isso, parecia que o nome do grupo já estava marcado no limbo da indústria do K-pop que nem chega a debutar no Melon.

Porém, “Time for The Moon Night” chegou e nos provou errado. Sem expectativas nenhuma para o que parecia ser mais uma regressão do grupo, e zero de animação para o comeback das meninas, o Gfriend chegou com uma roupagem diferente, um pop-rock viciante que uniu todos os elementos passados dos hits e nos mostrou uma esperança para elas. Mesmo com a “esque abertura de anime” de sempre, “Time for the Moon Night” é viciante, e cresce a cada ouvida que você dá para a música. Talvez esse tenha sido o segredo para ter tornado a faixa um grande hit, talvez o maior do grupo desde “Navillera”.

A música foi crescendo lentamente nos charts, quando ninguém nem tinha esperanças de um grande hit. “Time for the Moon Night” ficou dentro do top 5 por consecutivas semanas, provando que o grupo tinha voltado a ser um dos grandes nomes, monstros digitais. E agora, um mês depois do lançamento, a música continua no top 5 de todos os charts.

O Gfriend provou que ainda tem um nome forte dentro da Coreia do Sul, saindo totalmente do limbo qualitativo em que estavam durante muito tempo. Basta saber se elas continuarão progredindo no futuro, ou se voltarão ao limbo musical em que se encontravam.

#gfriend #timeforthemoonnight #navillera #megustastu #rough #fingertip #matéria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s