Deadpool 2: Dois é bom!

Deadpool é um super herói um tanto “polêmico”. Não digo isso pelos milhares de palavrões no filme, ou as piadas com outros estúdios, mas sim pelo hype que é criado ao redor dele. No seu primeiro filme lembro de olhar com olhos tortos para tudo que saía sobre ele, e no segundo o mesmo aconteceu. Mas algo que Ryan Reynolds e os escritores conseguiram nos dois foi o mesmo: me cativaram sem muito esforço.

Depois de um grande sucesso inovador em seu primeiro filme, Deadpool (Ryan Reynolds) está de volta maior, melhor e mais engraçado do que nunca. Quando sua esposa, Vanessa (Morena Baccarin) é assassinada e o super soldado Cable (Josh Brolin) chega para matar um jovem mutante fora de controle chamado Russell (Julian Dennison), o mercenário precisa aprender o que é ser herói de verdade, recrutando pessoas poderosas, ou não, para ajudá-lo.

Com um novo time de “super amigos”, alguns recrutas dos novos X-men e muitas piadas com toda a franquia, o “anti-herói” dobrou todos os aspectos positivos do primeiro filme e ainda potencializou todo o deboche característico do personagem em um script ousado, mas do jeito que a marca dele ficou conhecida. Entretanto, a liberdade dos escritores pode ter ido um pouco longe demais quando vemos piadas um pouco racistas e outras bem preguiçosas.

Mesmo que certas deixas cômicas tenham sido bastante escrachadas, o primeiro ato do filme consegue fazer um excelente trabalho em definir todo o tom do filme, lidando com assuntos como família e pertencimento. E por muito tempo eles conseguem instaurar esse sentimento emocionante nas pessoas que assistem, afirmando que o filme é de família em um monólogo um tanto engraçado com quebra da quarta parede, juntando os X-mens e até mesmo a X-force.

O filme introduz uma nova faceta do personagem, mantendo sua personalidade do primeiro. Por conta disso, acredito que ele tenha feito um bom trabalho aprofundando a figura de Deadpool e o humanizando ainda mais, interessado em mostrar o homem além do anti-herói comediante. O luto que toma conta da personalidade do personagem principal é bem explorado, e em nenhum momento ficou forçado, exatamente por eles terem expandido ainda mais o que foi construído no primeiro filme.

E como eu havia mencionado, na sequência de Deadpool tudo está dobrado. As cenas de ação dominaram o filme. Muitos momentos bizarros e extremos são apresentados na tela, e isso é um ponto alto, pois é tão escrachado que chega a ser bom. Mais sangue. Mais palavrão. Mais agressividade. Tudo que um bom homem de 40 anos, solteiro e que mora na casa dos pais amaria, mas que funciona de formas muito boas.

Quanto ao sarcasmo já conhecido do personagem, podem esperar por uma dose dupla dele. Piadas com “Guerra Infinita” são feitas o tempo todo, com o passado do ator principal – Ryan Reynolds – em seu personagem no filme Green Lantern também apareceram e para além disso com o próprio filme. Talvez isso seja a questão que ajuda ainda mais o filme acontecer: o não-pudor dos escritores de questionarem alguns “poderes mutantes” e a veracidade do filme. Por isso, não o levamos a sério em nenhum momento, e mesmo assim, Deadpool 2 ainda consegue nos emocionar sem se esforçar muito.

Enquanto isso, o seu vilão também nos impressiona em muitos momentos. Um grande oposto ao personagem principal, já que é sombrio – a ponto de Deadpool pergunta-lo se ele saiu do universo cinematográfico da DC -, agressivo mas ainda assim humanizado. Não era de se esperar menos de um vilão dentro de um filme de um anti-herói cômico.

O filme talvez perca um pouco seu impacto na última parte do seu terceiro ato. Pois as relações construídas desde o primeiro filme – como também as novas -, estão por um fio, e somos presenteados com um momento emocionante. Mas logo a própria narrativa nos faz perceber que sentimos aquilo tudo “atoa”.

Mesmo assim, Deadpool 2 conseguiu exceder minhas expectativas, mostrando-nos um drama ainda mais pesado, e um humor na mesma medida. Um filme que não se leva a sério em nenhum momento, mas emociona com seus laços bem construídos sem precisar forças isso, algo que seus colegas de “Guerra Infinita” ainda precisam aprender.

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