JESUS WORE YOHJI YAMAMOTO: Girl Power Edition

Faz um tempo que eu pretendia escrever uma segunda edição da JESUS WORE YOHJI YAMAMOTO e encher esse bloguinho com o maior número possível de novos lançamentos de jpop….. mas é………. o meu desânimo com esse nicho onde até a maior representante dele anda lançando coisas desinteressantes acabou minando todas as possibilidades de reviver a “coluna” mês passado e até inibiu a minha vontade de ir atrás de artistas novos para apresentar aqui. Enfim, tudo isso foi sanado recentemente por uma ou outra farofa boa de grupo idol que chegou aos meus ouvidos, o que me deu forças pra compilar tudo o de mais relevante (risos) ou de mais interessante do mercado do jpop que foi lançado nos últimos meses ou tem previsão próxima de lançamento. Aproveitando o espaço, eu também adicionei algumas faixas que saíram antes mesmo do primeiro post do JWYY, mas que por algum motivo ficaram fora do meu radar. Ah, claro, o tema dessa vez é Girl Power porque sinceramente nenhum lançamento masculino andou me surpreendendo esses tempos. Meh.

AKB48 – ‘Teacher Teacher’ (30.05)

Minha relação com o AKB48 é e sempre foi meio conflituosa. Eu acompanhei o grupo de perto durante um bom tempo da minha vida útil como fã de jpop, mas fui gradativamente perdendo o interesse por todo universo 48 após as graduações de integrantes da primeira geração e consequentes singles péssimos que vieram em sequência a partir de 2013. Dessa época pra frente, o grupo passou por uma fase de escolhas duvidosas e foi naturalmente superado em muitos níveis pelas suas “rivais” Nogizaka46 e Keyakizaka46. Dado esse histórico, era quase improvável que em algum momento o AKB fosse conseguir retomar a minha atenção, mas isso foi acontecendo de forma inesperada nos últimos meses por uma ou outra música agradável que elas começaram a lançar, como o bop idol “Yaban na Kyuuai” e a plausível “JaBaJa”. “Teacher Teacher“, que é o próximo single das garotas a ser lançado no final desse mês, dá continuidade a essa sutil fase promissora do grupo e é sem dúvidas uma das faixas mais imediatas delas, sendo o lançamento principal mais upbeat do AKB desde a icônica “UZA”, de 2012. O single grita kpop, sendo uma fusão de EDM bigroom com um electrohouse meio Ibiza digno de músicas da época de ouro do T-ara, como “Sugar Free” e “Number 9”. O melhor disso tudo? Esse tipo de sonoridade e conceito caem como uma luva pro AKB48, e é realmente uma pena que os produtores não invistam em um número maior de faixas nesse estilo – o que provavelmente acontece porque os fãs puristas do grupo devem detestar quando elas lançam algo que remeta minimamente à música ocidental ou ao kpop ou whatever.

Nogizaka46 – ‘Synchronicity’ (25.04)

O Nogizaka46 é um grupo que soube muito bem comer pelas beiradas da popularidade dos grupos 48, se consagrando com o ato mais interessante da cena idol japonesa atualmente e também lançando algumas das faixas mais prafrentex desse nicho musical nipônico – a exemplo de “Influencer”, que sem dúvidas foi um dos singles mais legais do jpop no ano passado. “Synchronicity” é o primeiro single delas esse ano e vigésimo no geral, vindo em um tom mais leve e sutil, com uma construção instrumental focada em piano e que posteriormente acomoda também elementos eletrônicos e instrumentos de corda em seu refrão… é quase uma versão soft e bem menos “apocalíptica” da icônica “Kaze Wa Fuiteiru” do AKB48. O que ajuda bastante “Synchronicity” a funcionar é o seu clipe, que é inteiramente centrado em uma imagem simples e “limpa” em todos os sentidos, do cenário aos figurinos, além de focar também em uma coreografia competente e que acaba por ser o trunfo do tratamento visual.

E-Girls – ‘Show Time’ (23.05)

E-Girls é sem dúvidas um dos meus grupos favoritos do jpop, e o motivo é simples: elas estão sempre consistentemente lançando singles ótimos e que cobrem vários ritmos do que a música pop japonesa engloba. Muito além disso, o grupo também dá um destaque especial para canções descaradamente dançantes, algo que acaba me agradando com facilidade já que eu curto mesmo uma farofa /o/ As garotas vêm maximizando consideravelmente o seu alcance e catálogo musical nos últimos tempos, o que veio alinhado a uma reformulação geral na lineup do grupo e também um novo direcionamento artístico e visual. “Show Time” dá continuidade à essa renovação do E-Girls e é a 15º (!) amostra do próximo disco delas, “E.G. 11”, que sai no próximo dia 23. Enquanto os singles anteriores dessa fase como “Love Queen” e “Pain Pain” não me desceram de jeito nenhum, “Show Time” faz o seu dever de casa ao trazer a veia dançante do grupo à tona novamente e com um ar ainda mais fresh – dessa vez elas optaram por um tom mais urban e menos eletrônico se comparado aos singles dançantes antigos do grupo, e a música traz exatamente isso: um beat incansável que mistura um pouco de hip-hop com elementos genéricos da música indiana, culminando em um tecnobrega que, em suma, é a versão melhorada de “Fire” do 2NE1. Como o número de vocalistas do grupo caiu vertiginosamente depois do reboot, todo o destaque da canção vai pra Reina, devorando quase todas as linhas possíveis como sempre, e Karen Fujii, que consome os raps da música e deixa ela com cara de algo que poderia ser confortavelmente lançado pelo Happiness.

Dream Ami – ‘Amaharu’ (18.04)

A Ami saiu do E-Girls e exorcizou o Dream ano passado pra focar de vez na carreira solo dela, que até hoje não rendeu nada realmente muito bom e parece que não vai a lugar nenhum. Sendo assim, não é nenhuma surpresa que ‘Amaharu‘ é mais um single beige e genérico pro catálogo da gata, feito pra ser uma música com frescor da primavera, mas atingindo aquela sonoridade básica de encerramento de anime shoujo de baixo orçamento. Numa nota positiva, ao menos a capa da versão CD only do single é muito lindinha.

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Miliyah Kato – ‘ROMANCE’ (09.05)

Ah, Sony Music Japan… sempre bloqueando os clipes da Miliyah Kato no ocidente e impossibilitando que eu cumpra o meu trabalho de compartilhar o material dela aqui. Como dito na edição anterior dessa coluna, Miliyahzinha passou por uma fase de lançamentos péssimos em 2017 mas já retornou rapidamente aos eixos esse ano com o EP “I Hate You”. Agora ela dá seguimento a essa ótima fase musical recente com mais um single, seu quadragésimo (!) no total, emendando lançamento atrás de lançamento como só a Ayumi Hamasaki nos anos 2000 faria. ‘Romance‘ é, para todos os efeitos, uma versão soft de “Future Lover” – e eu amo que o título da música engana muito, já que ela fica longe de ser uma balada, se encaixando num ritmo mais midtime e incorporando muitos elementos meio oitentistas já explorados no EP anterior da gata. O clipe dá o up que o single precisa, e apesar de não ter lá grandes coisas acontecendo além de dançarinos contemporâneos bregas e a Miliyah servindo looks as usual, os visuais são interessantes, especialmente a parte majestosa em que ela canta no carrossel. Esse lançamento da Mili também vem com a b-side chamada “WALK TO THE DREAM”, que ganhou um clipe patrocinado por alguma equipe de futebol e parece música genérica feita pra copa – o que torna a cantora quase que a Shakira japonesa né, já que em 2014 ela também teve um pezinho nesse rolê de copa do mundo.

Haru Nemuri – ‘Yume O Miyou’ (11.04)

A Haru Nemuri é uma notória desconhecida que acabou de lançar seu primeiro álbum ainda no mês passado, o “Haru to Shura”. Dedicada à música indie – que lá no Japão quase nunca é sinônimo de coisa boa ou diversificada – a artista tem até então um material impressionantemente sólido e que transita entre gêneros que vão do hip-hop ao noise pop. ‘Yume O Miyou‘ é um dos principais cuts do álbum, tendo clipe lançado com um mês de antecedência do projeto e sendo, sem dúvidas, um dos standouts desse primeiro trabalho mais longo da Haru. A faixa é basicamente… algo que a DAOKO lançaria caso ela tivesse ido pro caminho musical certo (risos): construída com base em uma melodia repetitiva de piano e demais instrumentações orgânicas de fundo, a canção acopla construções vocais como um rap compassado bem no estilo dos raps da DAOKO e também um refrão cantado quase que descoordenado, mas que extravasa bem decentemente os sentimentos contidos nos versos – e TUDO nessa música soa eufórico e até meio otimista sem precisar fazer com que essas sensações sejam assimiladas pelo ouvinte de forma forçada.

Suiyoubi no Campanella – ‘Mizaru Kikazaru Iwazaru’ (23.03)

O Suiyoubi no Campanella deu uma desacelerada esses tempos, trocando o ritmo de trabalho intenso que vigorou no grupo de 2014 a 2016 por uma progressão mais lenta e tranquila de lançamentos. Isso também não significa que o eles andem lançando nenhum magnum opus esses tempos – acho que até bem pelo contrário: tirando ‘Melos’ no ano passado, as novas faixas do grupo são bastante… comuns. ‘Mizaru Kikazaru Iwazaru‘ (ou ‘Three Mystic Apes’) resume bem essa afirmação, sendo uma faixa com todos os elementos já popularizados em músicas anteriores do Suiyoubi utilizados de forma pouco impressionante. A mistura de música eletrônica soft com violinos e a própria voz da KOM_I (que anda cada vez mais confortável na forma cantada) não chega a ser desagradável, mas é… tudo dá a impressão de que o single não é nada além um lançamento filler na agenda do grupo – e nem a letra traduzida atingiu a internet ainda pra que eu pudesse destrinchar qualquer coisa mais interessante sobre essa música. Por sinal o próximo EP deles se chama “GALAPAGOS” e sai no final de junho, contando com um monte de faixa já anteriormente lançada e também uma colaboração com o ❤ Moodoïd <3.

JASMINE- ‘Black Kitty’ (02.03)

Engraçado como esse single saiu há tanto tempo e eu só vim saber às vias de publicar esse post (e olha que eu já fui MUITO fã da JASMINE em sua fase promissora). Psé man… Jasminezinha é uma das cantoras mais legais do jpop contemporâneo, mas parece que nasceu pra ser subestimada pelo público. Depois de perder seu contrato uns anos atrás com a Sony Music Japan, a gata virou basicamente uma cantora de soundcloud – mas parece que agora ela finalmente se arranjou com outra gravadora (??? acho) chamada ‘Pemdal Records’, por onde esse novo single saiu. ‘Black Kitty‘ é um pop meio jazzy e meio sultry, parecendo algo que facilmente integraria o último álbum da Lee Hyori. Não chega a ser exatamente a faixa com o maior repeat value do mundo, mas é bastante agradável e não possui grandes defeitos além ser meio longa e se valer de umas repetições desnecessárias pra isso. Se esse for o pontapé inicial pra uma reestruturação da carreira dela, é um ótimo recomeço então (e eu espero do fundo do coração que a JASMINE consiga pelo menos fidelizar uma fanbasezinha em torno dela, já que nessa altura do campeonato é impossível que o grande público japonês abra os olhos pra ela novamente).

Kudo Kamome – ‘Middle of the End’ (25.01)

Falando de lançamentos e artistas que ficaram completamente fora do meu radar, a Kudo Kamome é o maior exemplo que pode existir. A cantora vem lançando singles e EPs pelo menos desde 2009, mas ninguém ouviu falar muito sobre nada disso porque a Kudo é REALMENTE underground, quase uma cantora de tumblr à japonesa. Esse ano a artista lançou o EP “Trypophobia Experiments”, marcando a primeira vez que ela trabalha com outros produtores e faz um material colaborativo assim como qualquer artista comum. O EP traz quatro faixas que formam um universo único e feérico, variando por gêneros como o vaporwave, trap e eletrônico experimental, com destaque para ‘Middle of the End‘, que parece tirar inspirações bem diretas na sonoridade que a Fever Ray explorou no primeiro álbum dela.

E é isso garotas, sabe-se lá quando essa coluna volta, mas desde que tenha um punhadinho de lançamentos decentes de jpop, eu estarei aqui compilando todos eles e deixando minhas impressões. Até a proxima!

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