Verdade ou desafio? e o futuro do terror da Blumhouse

A Blumhouse, uma das maiores produtoras de filme de terror atualmente, teve um ano de 2017 extremamente frutífero, com Get Out (2017) sendo frontrunner do Oscar, levando para casa a estatueta de Melhor Roteiro Original. A empolgação por um dos melhores filmes de terror da década ter sido reconhecido pelos figurões chatos da academia foi algo que fez muitos fãs ficarem ansiosos para o que a Blumhouse lançaria a seguir. E Truth or Dare, que chega aqui amanhã, dia 3 de maio, como Verdade ou Desafio?, acabou por soar como uma decepção para muitos deles. Não para mim.

O filme segue uma premissa simples. Olivia (Lucy Hale, a eterna Aria de Pretty Little Liars) e seus amigos (em um elenco cheio de carinhas conhecidas, como Tyler Posey de Teen Wolf e Nolan Gerard Funk de Glee) vão para o México para o último Spring Break antes do ensino médio acabar. Depois de muita festa e muita bebedeira, eles acabam cruzando o caminho com Carter, que os convence a ir para uma antiga igreja prometendo uma festa incrível e cheia de bebida. Chegando lá, Olivia e seus amigos começam a jogar um jogo de verdade ou desafio, introduzido pelo próprio Carter, que revela suas verdadeiras intenções ao ser perguntado: ele só estava querendo induzir outras pessoas a entrarem no jogo pois o jogo é real e está seguindo ele.

As regras são simples: conte a verdade ou morra, faça o desafio ou morra, se recuse a jogar e morrerá. Olivia é a primeira a sofrer com as perseguições do jogo quando voltam para os Estados Unidos, e acaba por revelar um segredo de sua melhor amiga, Markie (Violett Beane), para todo mundo na biblioteca. Não demora muito para que os outros também percebam que o jogo é real e que eles estão jogando de acordo com a ordem que foi estabelecida de quando eles ainda estavam no México. Agora, só resta todos se juntarem para enfrentarem o que quer que esteja ameaçando a vida deles.

Longe de mim de dizer que Truth or Dare é uma obra-prima do cinema de terror, que vai mudar o mundo e que é um marco da Blumhouse e de suas produções desde 2009, quando lançou Atividade Paranormal. O filme tem um elenco mediano, um roteiro raso e extremamente prevísivel (dá até para fazer um jogo de adivinhação com as coisas que vão acontecer na sequência. De 15 coisas que tentei adivinhar, eu acertei as 15. Convido todos a fazer o mesmo), além de se apoiar inteiramente em jump scares fajutos para tentar dar medo, pois o filme é quase que scare-free. O que há de bom em Truth or Dare, então, se eu acabei gostando?

Eu tenho um fraco muito grande por terror adolescente de 2000 para cá, principalmente se ele for ruim com uma premissa boa. O backlash que Truth or Dare vem sofrendo me lembrou bastante o de Uma Chamada Perdida (2008), um remake norte-americano de um terror nipônico que foi massacrado pela crítica. O charme dos dois, ao meu ver, é o fato de que por trás de todo o clichê e encheção de linguiça para poder tentar lucrar num mercado saturado como o de terror, há uma história relativamente boa e que entretém durante toda a duração da película. A ideia de um jogo de verdade ou desafio estar perseguindo adolescentes é boa demais para ser verdade e eu falo isso não ironicamente. Gosto de propostas absurdas que acabam funcionando e não é a toa que A Morte te Dá Parabéns, do ano passado, também produzida pela Blumhouse, foi um dos meus filmes favoritos do ano.

E não há muito o que enxergar aqui além disso. O filme não foi feito para propôr um debate sério sobre jogos e bebidas nem nada. A única missão dele é de matar adolescentes a todo canto e entreter o público da maneira que der. É tanto que o filme recebeu nos Estados Unidos uma censura de PG-13, que não é algo bom para filmes de terror, já que faz com que a maioria das mortes seja off-screen e sem tanto sangue, o que empobrece o filme mas faz com que o público pagante que possa assistir seja maior. Claro que ele teria funcionado muito melhor caso o gore fosse maior, mas a proposta não é essa.

Os novos fãs da Blumhouse, que vieram com sucessos de crítica e bilheteria como Get Out, se decepcionaram ao perceberem que, choquem-se, a Blumhouse é uma empresa capitalista com intenções de lucrar! Eu vi muitas pessoas falando que Jason Blum, idealizador da produtora, deveria se envergonhar de ter o nome dele associado à porcarias como essa. Ora, mas como se o filme já conseguiu 13x mais do que seu orçamento com apenas dois fins de semanas e apenas nos Estados Unidos e no Canadá? Sem contar que o final em aberto, que foi uma sacada genial do filme, deixa a possibilidade para uma sequência ser realizada e isso só vai gerar mais e mais lucros. Não se engane ao achar que a Blumhouse está preocupada em reviver o terror ou qualquer coisa do tipo só por causa de uma ou duas produções fora da caixa. O enlatado é quem realmente tá pagando as contas e isso desde o início da empresa.

No mais, eu considero Verdade ou Desafio? um filme que não é para todo mundo. Muita gente não vai gostar e isso vai se dar por conta dos mesmos motivos que eu gostei. É um filme previsível e raso mas divertido e com um final bem bacana, que clama por uma sequência que eu já estou torcendo para que ocorra. Ele cumpre bem o que promete e resta você decidir se isso é bom ou não.

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