BICHAFORK: IZA, "Dona de mim"

Sem dúvidas uma das maiores apostas no cenário pop musical nacional do ano passado pra cá se chama IZA, e bem no começo de 2018, a gata nos mostrou que não estávamos errados.

Com participações especiais pesadonas de Ivete Sangalo até Gloria Groove, “Dona de Mim”, nome do primeiro álbum de estúdio da cantora, nos mostra que o Brasil está sim disposto a produzir álbuns de grande qualidade capazes de competir com outros nomes da música.

IZA abre seu álbum com seu hit mais recente, “Ginga”, uma música que sintetiza a proposta do álbum: mostrar que a cantora não vai se desapegar de suas raízes e se orgulha disso. O reggaeton repaginado diz sobre ter “fé na sua mandinga” e encoraja o ouvinte “entrar na roda” e “gingar”, e ela se certifica o tempo todo de que vai nos deixar dançando, pois logo em seguida somos presenteados com “Bateu”, uma faixa dançante sobre enrolar o beck e dar aquele tapa na pantera, temas envolvidos pelas batidas de reggae que IZA nos apresentou desde “Pesadão” – inclusive, a próxima faixa.

Mas não só do mesmo gênero musical vive IZA e por isso ela parte para um jazz mais agitado, convidando Ivete Sangalo para cantar com ela. Uma música que de primeira nos remete à “Problem” e “Bang Bang”, ambas de Ariana Grande, mas que ao longo da reprodução, ”Corda Bamba”, ganha sua própria significação, enquanto continuam repetindo que balançam mas nunca caem ao som de grandes trompetes ao fundo.

A viciante “Rebola”, faixa que tem participação de Gloria Groove, é um dos pontos altos do álbum. Pois além de ser forte, conta com a participação da drag queen que não faz por menos e manda muito bem na sua rima. Um funk com influências claras no samba e axé, sem contar com os momentos de edm, rápidos mas marcantes, da faixa, claro impacto de Carlinhos Brown, também participação da música.

Mas IZA brilha ainda mais forte quando sozinha. Em “Saudades daquilo” a cantora opta por um tom de voz mais rouco e baixo, do que o que estamos acostumados. E é uma ótima escolha para faixa. O beat super sensual que acompanha a letra e o flow marcante da gata – em seus momentos de rapper -, deixa claro que IZA não precisa se apoiar em nenhuma participação especial para fazer o que sabe melhor: apresentar um r&b de qualidade. “Você parou e reparou, o meu coração pirou, eu vi”, é um verso que sem dúvidas fica grudado na cabeça.

A roda de IZA continua nos agitando até “Você não vive sem”, quando a cantora toma um tempo pra nos deixar respirar nessas 14 faixas. A música mais calma e até mesmo crua, nos remete às faixas anteriores pela sua sensualidade, mas se destaca exatamente por ser uma melodia mais lenta que nos envolve do primeiro segundo até o final. Assim como a faixa-título, “Dona de mim”, minutos pessoais quando conseguimos nos conectar com a cantora, em uma espécie de desabafo na sonoridade repaginada dela.

A responsável por um dos maiores hits do ano passado, “Pesadão”, vai se inovando do início ao fim, apresentando um trabalho extremamente sólido e coeso. Mas o mais importante é que ela prova que ainda há esperança para álbuns no Brasil. Algo que Anitta, declarou estar datado, mas que IZA nos apresentou e vai continuar prosperando.


IZA, “Dona de mim” (2018)
Gêneros: Pop, Soul, R&B, Reggaeton
Destaques: “Saudades daquilo”, “Você não vive sem”
Nota: 8,5