Baseado Em Fatos Reais: A ambiguidade de Polanski

O nome de Polanski não é lá um dos mais bem queridos na internet – ou no mundo de quem é sensato -, o diretor que muitas vezes divide opiniões, e faz ressurgir o debate artista versus sua arte, volta depois de quatro anos com Baseado em Fatos Reais. Porém, mesmo com um elenco de nome pesado e um roteiro ambíguo, a pergunta fica: é realmente válido relevar a arte de abusadores?

O último filme de Polanski, Baseado em Fatos Reais, segue a história de uma escritora de sucesso, Delphine Dayrieux (Emmanuelle Seigner), que inicia uma relação amorosa com uma admiradora, Elle (Eva Green). E pouco a pouco, essa suposta admiradora começa a controlar a vida da escritora com uma crescente violência física e psicológica.

Mesmo que seu script seja ambíguo e o final fique em aberto – aviso aos navegantes -, a história é bem esquecível. Mas que pode ser realmente baseado em fatos reais, uma vez que a crise criativa da escritora fictícia pode ter sido estendida ao diretor do filme ao deixar a narrativa cansativa em muitos momentos.

Polanski é um diretor renomado, aclamado pela crítica, pelas premiações e pelos próprios atores que amam falar do dito cujo. Mas Roman Polanski é apenas mais um homem nojento. O diretor assumiu que, nos anos 70 – época onde tudo era edgy -, abusou sexualmente uma menina de 13 anos. E o caso repercutiu/ainda repercute até hoje. A justiça correu atrás do diretor que ao ver que iria ser julgado como culpado logo fugiu para o seu país natal, França.

O diretor então foi proibido de pisar nos Estados Unidos por conta do caso. Uma grande lista foi feita para proteger o Roman Polanski da justiça norte-americana, e o nome dos seus atores/atrizes favoritos estão nela (Natalie Portman – essa que se declarou arrependida recentemente -, Meryl Streep e Wes Anderson), com o intuito de além disso, deixar o diretor voltar ao país e fazer “sua arte”. Mesmo que a vítima tenha falado que não liga mais para o caso, e que está extremamente cansada das pessoas falando sobre e mesmo que o próprio diretor tenha se desculpado em um documentário, Roman Polanski nunca respondeu pelo que fez, tirando posts na internet como esse nenhuma medida legal foi tomada, em seu “exílio” continuou fazendo filmes e trabalhando com grandes nomes da indústria – essa que não ligou nem um pouco pelo fato dele ter drogado e abusado de uma criança.

Por isso, escolhi essa crítica ao filme Baseado em Fatos Reais para simplesmente discorrer sobre o quão tóxico o diretor dele realmente é. A arte dele não vale isso tudo e podemos até argumentar que a postura dele reflete-se nos seus roteiros.

Em Baseado em Fatos Reais, ao lado da incrível atuação de Eva Green, temos também um roteiro extremamente ambíguo, onde a escritora é mantida dentro de uma relação que vai tomando-a por completo. Elle, personagem de Eva Green, vai cada vez mais absorvendo a personalidade de Delphine e mantendo-a em uma relação de refém extremamente tóxica e traumática. Essas nuances do roteiro podem sim ser só mais um de seus scripts esquecíveis, mas também pode ser um reflexo claro e direto do quão a postura do artista pode influenciar em sua arte – já que arte sempre parte de um lugar pessoal.

Baseado em Fatos Reais estreia hoje nos cinemas, e em base é um filme bom, bem feito, mas não tem nenhum destaque estético e muito menos de direção. Não chega a ser ruim como os de Woody Allen – perceba que a comparação só é feita pois ambos são abusadores -, mas também não são grandes destaques como filmes de muitos diretores que são bons e estão por aí vivendo sua verdade sem um estupro nas costas. O thriller de Polanski é decente, mas não vale à pena todo o hype, ainda mais com todas as circunstâncias dadas.

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