Girl of the Month: Rina Sawayama

Precisamos ser sinceros e dar a real de que o mês de março não teve nada de impactante no mundo da música, né? Não tivemos nenhum lançamento AMAZING ou nenhum álbum que mudou a música pop, e até arrisco dizer que os únicos pontos altos desse mês inteiro foram os micões que Anitta pagou. Foi pensando nessa falta de movimentação musical que o JWC traz a salvação (ou promete trazer) neste restinho de março tão monótono quanto a carreira do BLACKPINK. Sim, essa é mais uma edição da nossa coluna mensal Girl Of The Month, que vai apresentar um dos atos feminino favorito de toda a redação do JWC e toda a galera #indjieeen do twitter, então procure se acomodar confortavelmente e venha aprender mais sobre a Rina Sawayama, que através do voto justo e democrático – ou seja, nossa votação mensal no twitter – acabou levando a melhor e se tornou a nossa Garota do Mês!

Infelizmente não somos os donos do mundinho Rina Sawayama BR, mas especialmente hoje iremos te entregar em mãos um dossiê completo sobre a vida, a carreira e o ativismo desta artista que aos poucos vem conquistando o seu espaço no mundo da música. A Rina entrou nos nossos radares meio que como um furacão por publicações e recomendações musicais ano passado, mas a trajetória da gata no mundo da música já data de algum tempo. Acontece que 2017 foi como a tempestade perfeita para ela: além de seus singles começarem a ganhar visibilidade, ela lançou seu primeiro mini-álbum, o que trouxe todo um novo público millennial interessado na gata.

Rina nasceu no Japão e ainda muito pequena se mudou com seus pais para Londres, onde cresceu e se graduou na Universidade de Cambridge com diploma em Política e tem vivido até os dias de hoje. Mas não pense que a vida da nossa diva foi sempre às mil maravilhas como aparenta ser agora, pois ela já sofreu muito bullying xenofóbico por ser asiática e não se encaixar nos padrões de beleza dos ingleses. Quando criança Rina chegou a renegar as suas raízes devido a estes pequenos momentos que a desestabilizaram, por isso hoje em dia ela luta em prol das Asian Girls, que é um movimento de aceitação e enaltecimento de garotas de origem asiática, ajudando na melhora de autoimagem e promovendo uma mensagem de positividade em relação a não se encaixar em normas e padrões.

Além de se dedicar ao ativismo e trabalhar nas suas músicas, Rina ainda encontra tempo para se dedicar a sua pequena carreira de modelo. Com alguns trabalhos aqui e outros ali, Rina já foi garota propaganda de grandes marcas como ASOS e Nasty Gal, e é claro que já modelou para editoriais de diversas revistas como i-D e Nylon Japan. Essa carreira de modelo deslanchou somente após o seu single de estreia lá em 2013, “Sleeping in Waking”, que a colocou no mapa do mundo da música independente. Obviamente a música não teve muito destaque, fazendo com que Rininha continuasse no semi anonimato – o que de fato é uma pena, visto que SIW é uma música maravilhosa e mostra todo um lado R&B da artista (numa pegada bem Alicia Keys), além de ter um vídeo totalmente minimalista, mas super plausível para uma cantora toda trabalhada no do it yourself que nem ela e que tinha que se virar da forma que podia.

Em 2016 Rina retornou à cena musical com o single “Where U Are”, depois de ficar por três anos afastada do mundo da música (exceto pelo clipe da curtíssima faixa “Tunnel Vision”), dedicando-se apenas a sua pequena carreira de modelo. “Where U Are” é uma releitura do clássico “I Wanna Be Where You Are” da banda The Jackson 5, que nessa versão vem com uma vibe bem mais contemporânea, mas ainda com um quê funky e cheio de nostalgia que permeiam a canção original. Pessoalmente essa é a minha música preferida da Rina até agora, principalmente porque o clipe delineia muito da personalidade artística dela e também a temática que ela viria a abordar constantemente a partir dali: uma discussão nada rasa sobre a nossa vida estrita e pesadamente online o tempo todo e as ansiedades que isso engloba. O clipe ilustra esse assunto de forma bem leve, com um indiretíssimo mundo de egos inflados e de necessidades constantes de atenção nas redes sociais. E isso era só o começo.

Em 2017 Rina volta aos trabalhos, dessa vez focando no seu primeiro mini álbum e nos entregando a hinária “Cyber Stockholm Syndrome”, que deu o pontapé inicial para a sua nova era. Neste primeiro single Rina traz toda uma reflexão sobre a internet, falando em pormenores sobre essa nossa “era” virtual e todos os seus benefícios, como a liberdade de expressão e sua possibilidade de um maior alcance – mas também deixando claro os malefícios que surgem com isso, como crescente número de pessoas que têm a sua saúde mental comprometida pelos novos paradigmas que a vida conectada impõe ao nosso dia a dia. O single faz uma mescla entre melodia reminiscente do pop dos anos 2000 e batidas frenéticas e cheias de vida, e o clipe é o melhor dela, nos levando a mundo retrofuturístico com estética impecável que parece ser situado diretamente em algum momento no meio do longínquo ano de 2006 (tem até um V6 rosa no em uma das cenas!). Além de tudo a Rina está imageticamente poderosíssima com o seu cabelão água de salsicha em um tom no qual Jean Grey levou anos para alcançar.

Claro que tivemos mais outras faixas maravilhosas saindo nessa época, e todas foram compiladas no Maxi-Single de “Cyber Stockholm Syndrome”, que ganhou uma versão física linda e exclusiva da The Vinyl Factory que provavelmente é o desejo de consumo de qualquer poc que é realmente stan da Rina. Duas das faixas desse vinil, “Tunnel Vision” e “Alterlife”, comporam a sequência de lançamentos que antecipam o primeiro mini álbum da artista – e ambas as músicas são de papel importantíssimo na discografia dela. “Tunnel Vision” é a versão repaginada e estendida da música que já havia sido lançada em 2015, dessa vez ganhando uma parceira com o Shamir (queridinho meu e da minha amiga @bubblegumrave). Juntos, Rina e Shamir trazem um dueto muito fofo e romântico que tem uma vibe nos anos 90. Em entrevista, a Rina explicou que a canção se trata de uma certa homenagem aos duetos noventistas e tem uma letra totalmente focada nos problemas enfrentados por casais na era das mídias sociais.

Depois disso veio “Alterlife”, que traz todo um lado alternativo mesclado com uma pitada de rock e mostra uma vertente mais animado e divertida da cantora, como podemos ver no vídeo da música (feito em parceria com a revista i-D) que mostra Rina se divertindo com diversos alter egos e tem uma letra fofa sobre se aceitar e não ter medo de ser você mesmo nos dias de hoje, onde ainda enfrentamos uma grande leva de preconceitos e crises de identidade.

Por fim, foi lançado o “RINA”, seu primeiro mini álbum e que, em resumo, é uma compilação de todas músicas lançadas no maxi single e mais 3 faixas inéditas e maravilhosas (incluindo ótimas interludes). O destaque vai para o hino “Take Me As I Am”, que é uma das faixas mais animadas do álbum e tem toda uma pegada meio Britney Spears feat Christina Aguilera no início dos anos 2000, ou até meio BoA na época de VALENTI – a batida é totalmente inspirada em algo que o Max Martin faria nessa época. Com esse lançamento, Rina se tornou uma febre praticamente que mundial entre as pocs alternativíssimas que estão ligadas em música indie de qualidade, aparecendo sites importantes como a Pitchfork e em várias revistas como The FADER, Clash Magazine, entre outras que são o must have de qualquer blogueirinha. Com produção do Clarence Clarity e do Hoost, que são dois nomes não lá muito conhecidos na cena musical ainda, a parceria deles com a Rina rendeu materiais que mesclam o antigo com o novo de uma forma muito interessante.

No comecinho desse ano ainda tivemos outro presente da cantora com o lançamento da canção “Valentine (What’s It Gonna Be)”, que foi basicamente um mimo da Rina para os fãs no dia dos namorados e traz uma letra totalmente atípica em relação a essa data, deixando claro que a relação monogâmica heterossexual é algo do passado e o futuro pertence àqueles que não tem preconceito nenhum no coração e estão prontos para amar à todos sem ver a quem.

Rina não é aquele típico protótipo genérico de artista que estamos acostumados a ver debutando toda a semana (cof cof Pias Mias da vida), aqui você tem uma artista de verdade e que sozinha tem feito o seu nome tanto na indústria da moda quanto na da música (aprende Sky Ferreira, CL e Tiffany Young). E ela tem bons ingredientes para isso: vocais ótimos, visuais de tirar o fôlego, criatividade de sobra em suas composições, e claro, ótima inspiração em grandes artistas como Shiina Ringo, Utada Hikaru, Mariah Carey, Britney Spears e até mesmo a deusa underrated Kylie Minogue. Rina é a verdadeira working girl e tem dado tudo aquilo que os gays queriam, começando pelas suas músicas com letras que retratam a vida de qualquer jovem millennial, passando pelos vídeos com uma estética maravilhosa e chegando aos closes de beleza que ela nos serve sempre em seu Instagram (@rinasonline), que inclusive recomendamos 100% que vocês sigam pois é SURRA DE AESTHETICS.

Espero que após você ler este dossiê sobre a vida e carreira da nossa bias, você se sinta motivado a sair por aí vangloriando e divulgando o trabalho dela – sim, até porque a Rina é uma artista independente e precisa da ajuda de um público fiel para levar a mensagem dela o mais longe possível. E sem muito problema em parecer pretensioso, posso afirmar que ela é claramente o futuro da música e que ainda tem muito pra nos mostrar: isso é só o começo!

Deixaremos abaixo aquela playlist marota de sempre nesta coluna com o melhor da nossa Garota do Mês, que neste caso em especial contém praticamente todas as músicas da Rina (e que pro horror do BLACKPINK são mais que 5):

#rinasawayama #shamir #matéria

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