BICHAFORK: A narrativa lésbica de Hayley Kiyoko

A sensação do pop LGBT mais uma vez salva o cenário pop com suas músicas desconstraídas e narrativas lésbicas, dessa vez com seu primeiro álbum de estúdio, “Expectations”. Nele, Hayley conta sobre seus flertes e paixões frustradas com melodias deliciosas, que mesmo não sendo tão incríveis quanto aos do EP passado, ainda são muito superiores à grandes nomes da indústria.

Para quem não a conhece, Hayley Kiyoko ficou famosa na internet por ser abertamente lésbica e assim conquistar uma legião de fãs que espalharam vários memes da cantora como se ela fosse “jesus lésbico”. Além disso, a menina faz parte do grupo de ex-acts da Disney derivados de Lemonade Mouth, como Bridgit Mendler – ou seja, apenas músicas de qualidade.

Depois de muita espera, e dois EPs para não ficarmos tão tristes, Hayley Kiyoko finalmente nos presenteou com a obra de arte que é “Expectations”, oficialmente entrando no cenário musical e mostrando que ela é sim um nome a ser reconhecido por aí.

Com as já conhecidas “Feelings”, “Sleepover” e “Curious”, Hayley segue seu legado lésbico dentro do cenário pop musical de expor a sua narrativa única e mostrar, além de tudo, que pessoas LGBTs também podem ser popstars como seus ídolos mais famosos. A sonoridade do álbum não foge nem um pouco do que já foi apresentado, em algumas partes até impressiona o antigo ouvinte pela qualidade excepcional.

A maioria das produções deve-se ao produtor 4e, que apareceu em quase todos os créditos pelas músicas. Misturando um pop elotrônico com o dancehouse, e umas pitadinhas de tropical house, o álbum seguiu sendo consistente e desenhando uma mensagem bem clara sobre o que queria mostrar, e onde chegaria com a progressão das suas músicas.

Além disso, Hayley Kiyoko escreveu todas as músicas do álbum com a ajuda de seus produtores e também a sensação do r&b, Kehlani, aparecendo como participação especial na música What I Like, genérica e esquecível, na primeira ouvida mas com um crescimento pessoal inegável. Sem contar com o toque da outra cantora, abertamente LGBT, que apenas contribuiu para esse álbum ser uma obra concretamente para as lésbicas de todo mundo.

Under the Blue / Take Me assim como Mercy / Gatekeeper, seguem a estética contínua do álbum antes dele partir para sua segunda parte – dividida pela interlude de cinquenta e dois segundos, xx -, onde Hayley conta suas frustrações amorosas de uma forma bem diversa, flertando com um pouco das músicas de Frank Ocean que costumam ter duas partes/transições entre si.

O álbum todo é sobre a cantora batalhando com seus sentimentos e tentando ser mais sincera consigo mesmo. Por isso que muitas vezes somos apresentados à diversas facetas da cantora, em Curious vemos uma Hayley mais irônica, já em Let it Be, conseguimos entender que a cantora realmente está tentando se abrir e assumindo para si mesma os seus erros, deixando seu orgulho de lado.

Mas nunca é maçante. Hayley Kiyoko faz igual a sua colega de raíz, Hannah Montana, e te dá o melhor dos dois mundos: traz a tristeza direto para a pista de dança. Mostrando-se versátil em seus estilos musicais, mas ainda assim sendo consistente e honesta sobre seus temas.

Você ouvirá Hayley em dois estados conflituosos também, a personalidade comercial e a “mais artística”, aparecem se debatendo o tempo todo em minha opinião. A sequência Wanna Be Missed, He’ll Never Love You e Palm Dream, mostra claramente isso. He’ll Never Love You pode ser claramente confundida com um hit tropical house qualquer, mesmo sem deixar de ter a marca da artista. Já Palm Dream vai mostrar algo mais refinado, sendo sem dúvidas um dos pontos mais altos da música, assim como Wanna Be Missed.

Portanto, a segunda parte do álbum – marcada pela transição chamada “xx” – , deixa o álbum ainda melhor e mais interessante. Cheia de hits prontos ao mesmo tempo que totalmente inédita – com exceção de Let it Be -, deixando claro que Hayley Kiyoko está investida em cativar seu público de todas as formas.

Aqui você não vai ver adjetivos masculinos – a não ser que seja em um tom bem sarcástico da parte dela. A premissa é aberta e objetiva, a narrativa lésbica está presente em todas as músicas e vai até o último segundo do seu álbum dessa maneira.

Foi uma longa jornada até o dia do seu álbum de debut chegar e ele finalmente está aqui. A importância de Hayley no cenário musical, agregando elementos hegemônicos à sua própria fórmula é extrema, pois ainda temos um longo caminho a ser trilhado por artistas realmente LGBTs.

O álbum Expectations já se encontra em todas as plataformas de streaming, inclusive em seu canal do youtube. Vale a pena dar uma conferida.

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