JESUS WORE MARISA: O que anda rolando de legal no pop nacional?

Quando foi a última vez que você parou para escutar e conhecer novos artistas nacionais? Ou pelo menos redescobrir aqueles que você já conhece?

O JWC é muito entusiasta do cenário pop/alternativo nacional (como dá pra perceber por esse post aqui), e se você não vai até a multidão de artistas brasileiros que andam lançando material incrível esses tempos, nós trazemos eles até você! Dessa vez semana eu (@bubblegumrave) e o Lucas (@gwenxtefani) nos unimos novamente em um TOP 10 compilatório com os melhores lançamentos do cenário mainstream e underground tupiniquim nesses últimos meses de fevereiro e março, mapeando o que anda bombando, o que merece ser apreciado e o que há de mais recente de música boa aqui da nossa terrinha.

Leo Cavalcanti – Ainda Aqui Sonhando

Depois de quatro longos anos sem lançar nada, neste mês, para a alegria de muitos fãs (ou não), finalmente saiu o single de retorno do cantor Leo Cavalcanti. Essa volta nos rendeu uma música simples, mas ao mesmo tempo cheia de arranjos delicados acompanhados de violão, violinos e timbres fortes do cantor que no fim acabam por ressaltar ainda mais a letra da música. A letra por sinal é o ponto alto aqui, e ela fala sobre o sofrimento pessoal em meio à conjuntura caótica e com um pezinho no fascismo da nossa política. Música com background político é uma coisa que pode ficar ou muito boa ou muito clichê, mas Leo faz o seu dever de casa aqui e une o fator político a sentimentos crus tanto pessoais quanto universais – preste atenção nos versos dessa canção e nas divagações e angústias expostas nela. “Ainda Aqui Sonhando” é a música ideal para se curtir sozinho, deitado na cama com as luzes apagadas, bem na temática #sofrência woke e reflexiva – e não diferente disso, o vídeo dessa canção é maravilhoso, quase uma poesia audiovisual.

Rincon Sapiência – Área de Conforto

Não sei se as gatas que nos seguem conhecem o trabalho do Rincon Sapiência, mas se realmente não conhecem ou nem fazem ideia de quem é, então chegou o momento de vocês finalmente entrarem em contato com ele. Conheci o Rincon com um feat. dele numa música da Karol Conká, mas o cara é muito mais que só um rapper de featurings por aí, e a cada lançamento ele foi provando pra mim que faz parte de um seleto grupo de artistas que eu posso considerar como o futuro da música contemporânea brasileira. “Área de Conforto” é o seu mais recente trabalho e, como de costume, prepare-se para ouvir uma música repleta de misturas entre o Rap, as rimas e o batuque do Samba e até um pouquinho de Funky com um groovyzinho de guitarra no instrumental. Como um bom rapper ciente do que anda acontecendo ao seu redor, Rincon passa na letra suas impressões do mundo de uma forma woke, mas no caso dessa música, sem esquecer um fator leve, catchy e dançante. Se até aqui você curtiu esse batuque e talvez esteja disposto a conhecer um pouco mais desse artista, então a gente do JWC super recomenda que você vá atrás do primeiro disco dele, “Galanga Livre”, que além de lhe render alguns prêmios, o colocou no mapa como o artista promissor que ele é.

ABRONCA – Drinks

Quem lembra das saudosas Pearls Negras, que lá em 2014 eram consideradas uma das promessas para o ano, chegando até a chamar a atenção do famoso produtor e branco feio Diplo? No fim nada disso se confirmou e o grupo acabou sendo esquecido após meia dúzia de músicas bastante dançáveis e viciantes – porém agora as meninas entraram em sua nova era, voltaram com contratinho assinado e mudaram o nome do grupo para o sonoro e chamativo ABRONCA, dando ao público tudo o que eles sempre quiseram ouvir delas! O foco das garotas mudou: elas agora não fazem mais aquele hip-hop ensoloradinho e quase hipster da fase Pearls Negras, mas dão ênfase às suas raízes do bom e velho “rap do Vidigal”. Além de estarem lindas, maravilhosas e bem mais focadas/maduras do que antigamente, no novo single, “Drinks”, elas trazem uma mistura de hip-hop pesado, trap e até um pouco de blues num instrumental super bem produzido pelo DJ THAI, embarcando de cabeça numa sonoridade refrescante e repleta batidas frenéticas que se misturam com uma letra totalmente post-feminista. O mais legal desse novo lançamento é que ele traz espaço para todas as integrantes mostrarem seus talentos individuais e ainda reafirmarem que funcionam muito bem como grupo, com uma química impecável e talento de sobra pra se tornarem um dos atos musicais mais inesperados e surpreendentes do cenário nacional.

Alice Caymmi & Pabllo Vittar – Eu Te Avisei

Eu confesso que sou apaixonado pela Alice desde o cover que ela fez do hino “Loca”/”Dizem Que Sou Louca” da Thalia/Banda Kitara, e que rendeu sua ótima versão e hit underground chamada “Louca”. Desde esse momento eu me tornei um dos maiores fãs da Alicinha, que não só tem uma discografia curta e maravilhosa, mas também já nasceu com a música na veia por ser neta de uma das lendas da música brasileira, Dorival Caymmi. “Eu Te Avisei” é a última faixa de seu mais recente álbum, “Alice”, e é uma parceria com a nossa multi talentosíssima rainha fishy Pabllo Vittar. A música tem toda uma vibe de break-up rancoroso e emocional, e o clipe ilustra isso com toda uma atmosfera de sororidade e companheirismo entre amigas que superaram o crush e juntas vão mostrar pra ele que são independentes e não precisam de macho nenhum pra viver. Com uma pegada meio trap pop/future bass e uma letra bem forte, “Eu Te Avisei” marca um momento mais jovial da Alice, mostrando o quanto ela é versátil e consegue vagar por várias sonoridades com uma facilidade e confiança incrível (sério mesmo, ouçam o “Alice” e comprovem o que eu tô falando). Quanto à Pabllo, essa é de longe a parceria mais fora da zona de conforto da rainha drag, colocando ela em um som e temática bem mais ousados e menos fúteis que suas últimas collabs, o que já é um ponto positivo imenso.

IZA & Rincon Sapiência – Ginga

“Pesadão” foi o hit do final de 2017 e início de 2018, e é um hino tão extremo que conseguiu finalmente colocar a IZA no mapa depois de sucessivas tentativas. O impacto da canção foi tão significativo que ela até definiu um estilo artístico muito claro para a IZA seguir – e ela mostra isso no sucessor natural desse hit, o single “Ginga”, lançado semana passada. Esse novo estilo da artista é bem fácil de definir: ela incorpora vocais e letras muito mais powerful, uma imagem empoderadíssima de mulherão, e mescla tudo isso com refrões viciantes e facilmente assimiláveis. “Ginga” traz exatamente esses elementos que eu falei anteriormente e ainda adiciona camadas bastante singulares e beeeem brasileiras no instrumental, como a incorporação de berimbau durante parte da canção, contando até com um break que inspiraria uma boa roda de capoeira. O rap do Rincon aparece aqui em duas partes e só adiciona à música, tendo todo o flow necessário para levar o single a outro patamar. Claro que “Ginga” não é tão intensa e marcante como “Pesadão”, mas é uma ótima escolha de single subsequente e quem sabe abra as portas para o tão aguardado lançamento do primeiro álbum da deusa. Por sinal o clipe é incrível, com visuais dignos de um blockbuster tipo Pantera Negra (e claramente ninguém passa fome na casa da IZA porque ela está sempre SERVINDO LOOKS).

Anitta – Indecente

Sim, a Anitta fez uma lambança com o lançamento desse clipe, deu desculpas horrorosas na internet e ainda por cima anda tendo atitudes meio duvidosas a torto e a direito nas redes sociais… mas um hino é um hino, não é? “Indecente” dá continuidade ao lento e gradativo takeover internacional da cantora, dessa vez conseguindo incorporar muito mais fielmente as raízes da artista (funk carioca) com o som e o público que ela almeja alcançar (reggaeton/latinidades no geral). A canção é facilmente a melhor mostra do catálogo recente da gata, e de longe bem melhor do que qualquer coisa saída do projeto Check Mate, trazendo um espanhol mais polido, letra minimamente mais interessante/menos óbvia (apesar de ainda continuar na meeeesma temática de bad girl sedutora de sempre) e um instrumental bem produzido que mescla de uma forma até bem interessante o reggae com as bases de beat de uma boa música de baile funk. Uma pena que esse single tenha saído logo em uma semana em que a Anitta foi eleita como inimiga perfeita da internet, além de toda a negatividade que rodeou o clipe – o que provavelmente vai impedir que o público curta esse hino como ele merecia ser curtido.

Jade Baraldo – Nem o Mar (Pôde Levar)

A Jade Baraldo é uma artista que ganhou grande notoriedade como o The Voice Brasileiro, mas como eu não assisto esse programa desde que ele costumava ser popular ou contar com a Christina Aguilera na versão americana, Jadezinha basicamente ficou fora do meu radar por um tempo. Esse erro do destino foi consertado semanas atrás quando eu entrei em contato sem querer com “Nem o Mar (Pôde Levar)”, single mais recente da artista e que é sinceramente incrível. Tudo em “Nem o Mar” é surpreendente do primeiro ao último segundo, começando com os versos em tom sóbrio e melancólico, que se desenvolvem por base de uma melodia instigante e em vibes de puro R&B. O desenvolvimento gradativo da música culmina depois em um refrão altamente viciante – e não é um viciante óbvio, já que a construção dele é toda amigavelmente esquisita, cheia de repetições pontuais e uma bateria forte e compassada… além, claro, da voz soulful da artista. É legal como a Jade mergulha fundo na temática da música, conseguindo entregar uma letra basicamente perfeita para o que a sonoridade pede e que exprime emoção sem precisar fazer grandes esforços. Vale a pena conferir os outros singles da gata (especialmente “Brasa“) e entrar em todo o hype para o primeiro álbum dela, que com sorte sai em breve.

Jaloo & BADSISTA – Say Goodbye

Bom eu já tive a chance de conhecer o Jaloo de pertinho e ele é um dos melhores produtores/artistas dessa esfera ~indie~brasileira na minha opinião. Só quem é fã de verdade sabe o quanto a gente se amargurou depois de aguentar o Jaloo fazer todo um suspense no Instagram sobre esse single novo, apagando todas as fotos e postando outras bem aleatórias que no fim se completavam e formavam a capa desse hino que nos foi presenteado. “Say Goodbye” traz um lado mais romântico e pleno do nosso ícone paraense, com batidas leves e uma melodia bem mais simples que seus singles mais famosos – a música nos entrega uma vibe mais calma e relaxante comparado ao som que colocou o Jaloo no mapa no álbum #1. Essa e´uma mudança de curso interessante artisticamente, ainda mais porque a canção se apoia em uma letra madura o suficiente para abarcar esse som, onde o cantor divaga singelamente sobre a sensação de estar apaixonado mas ao mesmo tempo em dissociação com quem ele é. Claro que essa não é a minha faixa favorita e muito menos o que eu esperava nesse retorno do Jaluzinho, mas depois de algumas ouvidas a música flui muito bem e com a ajuda do vídeo, você acaba entendendo todo essa verdade que o cristal do pop brasileiro quer trazer para o seu público underground: que nesse caso é dizer que o amor é o futuro!

Sage Act – Time

Eu não conheço grandes coisas do Sage Act além do fato de que essa é uma banda pernambucana que chegou até mim por meio de um post patrocinado no Instagram e, claro, algoritmos. Isso em si já é uma coisa estranha, pois eu muito dificilmente ouço de fato músicas que me são recomendadas por esse tipo de intermediação virtual – mas de alguma forma resolvi conferir o som dos caras, e a experiência foi felizmente compensadora. “Time” é uma mistura surpreendentemente interessante entre indie rock e synthpop, com uma composição vocal limpa e agradável que é grudenta o suficiente pra ficar no ouvido por um bom tempo. Apesar do som polido e bastante profissional da banca eles ainda é beeem underground, então adicionar essa música nessa lista é quase uma forma de divulgar um pouco mais o ótimo trabalho que o grupo vem fazendo.

MC Tha – Valente

Quem segue o JWC há algum tempo deve saber o amor que esse singelo blogzinho e seus membros possuem pela MC Tha, cantora paulista que é basicamente a FKA Twigs do funk. Depois de dar tudo o que os gays queriam com o single “Bonde da Pantera” no ano passado, agora Thays voltou com uma imagem mais focada e sóbria, mas não menos interessante em seu single “Valente”. A canção traz a letra mais bem elaborada da artista até agora, expressando em versos positivos e celebrativos uma mensagem de autoconfiança e empoderamento. Sonoramente a música não foge muito da atmosfera que consagrou a artista: o beat é reminiscente do funk rasteirinha, mesclado é claro com um quê de indie pop e capitaneado pela produção do talentoso Pedrow – responsável por parte do material da Lia Clark. O clipe em si é outro ponto alto do lançamento, e ilustra a música em shots minimalistas, étnicos e esvoaçantes da Thays, tudo sobre o olhar diretorial do Jaloo – sim, estamos em família aqui, já que os dois artistas colaboram de diversas formas sempre. A MC Tha aliás anunciou que o público esse ano já pode ficar na expectativa para o seu primeiro EP, que com certeza vai agregar ainda mais ao trabalho ótimo já apresentado por ela desde que estourou anos atrás com a incrível “Pra Você“.

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