bibliopoc #2: Raven Cycle (1-4): os meninos corvos

Escrever sobre obras que te fizeram sentir tanta coisa é difícil. Os pensamentos embaralhados na sua cabeça não fazem sentido em momento nenhum, você só quer gritar o quão bom foi e simplesmente não consegue organizá-los para dizer o que foi realmente bom.

A série de livros, Raven Cycle é um desses casos. De Raven Boys, o primeiro livro, até The Raven King, embarcamos em uma jornada com personagens reais, críveis e que nos fazem sentir parte do grupo deles. Cheios de erros, acertos e o que cabe no meio disso, a série é uma daquelas que vai lhe fazer pensar se você realmente gostou ou não.

O thriller neo-gótico sobre 5 adolescente em busca do sobrenatural, nos presenteia com momentos inesquecíveis. Gansey, Ronan, Noah, Adam e Blue nos carregam pela mão durante toda essa jornada, cuja também é um crescimento pessoal de cada um desses personagens. A dinâmica dos mesmos é inigualável e quando você chegar ao final disso, o livro te deixará em negação. É impossível pensar que acabou, pois também significa que você não lerá mais a incrível química dos 5 nas páginas de uma nova história – e é simplesmente doloroso.

O PLOT

A série de Maggie Stiefvater segue a história de um jovem, Richard Gansey III, indo em busca de um antigo rei adormecido nas linhas energéticas chamado Glendower – último homem galês nativo -, com seus quatro amigos, da escola Anglionby, Ronan, Adam e Noah, para que o rei conceda um favor à eles.

Independentemente do foco “masculino” que a série possa parecer ter, os livros – em sua maior parte – focam em uma menina chamada Blue Sargent. Nascida dentro de uma área em Virginia com uma árvore genealógica repleta de poderes psíquicos e elementos sobrenaturais, Blue não tem nenhum poder além de ser uma força amplificadora de energia, mas mora em um ambiente matriarcal chamado 300 Fox Way, com sua família não convencional e mexicana – o núcleo que representa dá vida aos livros. Blue enxerga meninos como seus oponentes, e meninos de Anglionby como “canalhas”. Por isso, até os primeiros encontros entre os 4 e Blue, ela fica hesitante.

Mas ela não fica longe por muito tempo. No meio de um ritual espírita em que sua tia visitante, Neeve, estava participando, a menina tem uma visão envolvendo um jovem adolescente chamado Gansey, que mais tarde ela descobre ser estudante de Anglionby. O encontro acontece e os 5 embarcam na aventura de acordar um rei adormecido nas “ley lines”.

Maggie tem uma maneira específica de ir explicando o plot da série. Ele não é entregue à você no primeiro minuto, sabemos qual o objetivo dele, porém muitas coisas acontecem nesse meio tempo e até mesmo descobrimos que Henrietta, a cidade em que tudo acontece, é quase que um paralelo sobrenatural de Sunnydale, de Buffy The Vampire Slayer – uma cidade canalizadora de forças sobrenaturais.

Por isso, a série te intriga desde o primeiro momento. Morremos de vontade de saber desse rei adormecido e a obsessão de Gansey com o mesmo – que mais tarde é explicada. E simplesmente somos levados pela história, deixando a desejar algumas explicações em pequenos momentos, junto com a química maravilhosa dos personagens presentes.

OS PERSONAGENS

A parte mais importante de um livro sem dúvidas é seus personagens. E em Raven Cycle isso fica bem claro entre os livros. É feito para que possamos acompanhar o crescimento desses adolescente. Quase um coming of age – se não literalmente um – sobrenatural onde vemos todas as dinâmicas de sermos adolescente e ainda assim termos nossas dificuldades – mesmo que nem todas sejam exploradas.

Blue, como eu havia dito antes, é a personagem mais crível. Ela é real. Só essa frase deveria ser suficiente para amarmos a menina de 16 anos. Cheia de erros e preocupações sobre o futuro, vindo de um background totalmente destoante do resto, a menina orfão de pai é maravilhosa em toda instância. Ela tem atitude, personalidade e consegue ser completamente original.

Tudo isso pois Maggie investiu páginas – e um livro onde o foco é só nela (Blue Lily, Lily Blue) – na dimensionalidade da personagem. Em meio à dois personagens extremamente ricos e um background elitista, fora do padrão de quem lê os livros certamente, Blue Sargent é como uma grande rocha que solidifica tudo na história. Sem contar que o núcleo cujo é originada é o melhor da série.

Mesmo que secundárias, as mulheres psíquicas da 300 Fox Way, carregam muito bem o clima dos livros. Sendo importantes em muitos momentos, e respeitadas pelas suas particularidades. A família de Blue conta com personagens como Maura, Neeve, Persephone, Orla, Calla e Jimi, todas morando em uma casa que também é uma loja onde elas fazem suas consultas espíritas, fazem tiradas de cartas tarot e outras coisas. A habilidade sobrenatural delas, não foi passada para Blue, que mesmo não se incomodando muito com isso, aparenta – em alguns momentos – querer estar na mesma posição que elas.

O homens de Raven Cycle – meninos ainda – também não ficam para trás. Gansey é provavelmente o personagem mais fraco, tendo em mente um simples objetivo e pronto para fazer tudo para alcança-lo. Ele tem seu background fácil, sendo milionário, filho de político, mas mesmo assim Maggie toma um tempo para explorá-lo do jeito que ele merece. Assim como Adam, que é amargo em boa parte dos livros, exatamente por ser o oposto de Gansey e ainda conviver com ele. Ele é pobre e vem de um lar abusivo, mas orgulhoso ao extremo. Noah aparece em alguns momentos, mas também não é um destaque.

Do núcleo masculino, de todos os personagens presentes, o que provavelmente vai lhe fazer se apaixonar se chama Ronan Lynch. A ideia de um “bad boy” construída no primeiro livro, vai lentamente sendo desconstruída. Ronan tem suas defesas, assim como todos nós, afinal, orfão de pai e mãe, não tem uma relação muito boa com seu irmão mais velho, Declan, e tenta encontrar uma família nos seus amigos.

Mesmo que não seja aparente no primeiro momento, Ronan é o que tem o maior crescimento em toda série. E o livro em que o foco é dele – The Dream Thieves, segundo livro -, simplesmente nos impressiona sendo em minha humilde opinião, o melhor da série.

Os personagens de Raven Cycle fazem a maior diferença em toda a história. Se não fosse pelas características incríveis dos mesmos, e de toda a relação que esses adolescentes tem entre si, algumas coisas do plot não iriam funcionar. Muito do que Maggie não explica em alguns momentos não seria relevado – existem uns furos aqui e ali. Mas relevamos exatamente por nos importarmos mais com as vidas deles ao redor disso tudo do que o plot em si.

POR QUE É TÃO BOM?

O último livro, The Raven King, não tem lá um dos finais mais esperados. É anti-climax, e por uma coisa que foi construída desde o primeiro momento, esperávamos mais – consenso entre fãs. Porém, é o livro que mais lhe deixa apreensivo, pois é o único onde os meninas estão cada vez mais perto da morte, um perigo que não havia sido explorado antes.

O que nos faz pensar sobre os vilões da série. O primeiro de todos é o único que realmente valeu algo para mim. A construção dele foi boa e a autora se estendeu nesse. Porém, todos os outros são meio aleatórios, com motivos vazios e ideologias bem rasas. Acredito que realmente por não ser o foco da série, a autora foque bem menos na construção dos mesmos. Criando uma mitologia de vilões que não tenha tido muito impacto, mas que mesmo assim conseguiram ao menos mover o plot e dar mais suspense.

Mas mesmo que o final tenha sido underwhelming, sinto que não precisava mais de nada. Isso se dá também por conta da escrita incrível de Maggie, que não poupa a poesia em muitos momentos:

“Sometimes, some rare times, a secret stays undiscovered because it is something too big for the mind to hold. It is too strange, too vast, too terrifying to contemplate.” – The Dream Thieves.

Ler um livro dela – acredite em mim quando digo isso – irá mudar o seu gosto para histórias para sempre. Leituras não fluídas vão ser mais difíceis de aguentar. Sei disso pois quando li outros livros depois de ter lido alguns da série, me senti exigente, mas também com a certeza de que nada seria como Raven Cycle.

Em suma, a série é uma das melhores de fantasia que eu já li em minha vida. E eu sei que nada nunca vai me dar a mesma sensação que tive ao acompanhar esses adolescente. É uma série inclusiva, que tem gays, mexicanas, mulheres poderosas e uma escrita simplesmente sensacional.

Não ligo para o que possam dizer de Raven Cycle, pois sempre terá um lugar especial em minha vida. Se você gosta de boas aventuras, romance gay e ótimos personagens, leia a série, não irá se arrepender.

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