Ru-cap final: Raul Gil’s Drag Race All Stars S03E08 “Tracy Martel, you’re a winner baby”

Olá basiquíssimas pocs que ainda ousam procurar assuntos relacionados ao Drag Race quase uma semana depois do evento catastrófico desse programa que dizimou 80% dos gays do mundo. Sim, mais uma vez nosso ru-cap está saindo atrasado pois não temos mais PACIÊNCIA pra lidar com os resquícios dessa temporada amaldiçoada pela alma de Jasmine Masters que foi o All Stars 3 /o/ Porém nós possuímos um compromisso com a integralidade dos nossos projetos e claramente não vamos desistir faltando um episódio só (apesar da crescente vontade em fazer exatamente que nem no episódio passado e resumir o ru-cap em 2 míseras linhas pra poupar a nossa saúde mental já não lá muito boa).

Na verdade, como somos mulheres democráticas e sempre prezamos pelo bem estar do nosso público leitor, se você se sentir REALMENTE desconfortável em rever o que aconteceu na final desse All Stars, nós começaremos esse post com um ru-cap do NOSSO drag race tupiniquim: o Concurso 100% Drag do programa Raul Gil *o* Como já diria a velha caquética e usuária de exoticíssimos pós colombianos RuPaul: apoie as suas dragzes locais!!! E é por isso que o real ru-cap do episódio estará ao final do post, um mimo dedicado somente àqueles leitores que tiverem realmente estômago para enfrentar as safadezas de Rupaula e amigas novamente.

Pra quem não é uma cacura versadíssima em culturais tardes de sábado na programação do SBT, o Programa Raul Gil é um tradicional programa de calouros que já revelou nomes como o cantor de contemporary christian music Robinson Monteiro, que já deve ter molhado a calcinha da sua mãe lá no começo dos anos 2000 com esta belíssima face e cabelo que volta e meia lembrava um saborosíssimo miojo:

Adaptando magistralmente o concept da nossa querida Corrida das Loucas direto para o geriátrico público de tiazonas do sofá, Raul Gil não poupa esforços em manter um ambiente parecido com a contraparte americana do programa: o background é tosco e cheio de estrelas e brilhos como sempre foi no Drag Race e o próprio Raul Gil tem uma imagem que não difere muito de RuPaul como apresentador, apostando em um terninho e hairstyle semi-bald, além de ter trejeitos que aludem ao frequente apagamento feminino promovido pela Mama Ru – como por exemplo o fato de que ele chama desconfortavelmente as drags pelo gênero masculino *0*

Bom este não seria um Drag Race brasileiro se não tivéssemos guest judges, e aqui esse papel é desempenhado pela maravilhosa Gloria Groove, que é basicamente o Todrick Hall tupiniquim. Pra quem não sabe, Gloria começou sua carreira na música há muito tempo no quadro Jovens Talentos do próprio Programa Raul Gil, e aproveitando esse fato, a produção prepara um constrangedoríssimo VT de uns bons 5 minutos remontando toda a trajetória de Gloria pirralhete no programa /o/ Na conversa com glorinha até rola um momento born this way onde ela fala sobre sua experiência como uma jovem poc, mas Raulzete a corta tão rapidamente quanto Ruzão faria com qualquer drag que saísse do script milimetricamente planejado de seu imperialistíssimo Drag Race. Vamos às candidatas?

A primeira concorrente é Sashão Zimmer, muito melhor que a Velour diga-se de passagem. A gata nos presenteia com um suculento lip sync de I’m A Slave 4 U da Brotney nos provando que é uma quenga nostálgica e efervescente entusiasta do pop early 2000. Seus movimentos acrobáticos e incrível senso musical ao usar o remix da Circus Tour da música (não lançado oficialmente e por isso promovendo o uso de conteúdo indevido em TV aberta) só prova a gana dela em vencer esse programa e conquistar um cobiçadíssimo lugar no SBT Hall of Fame. Seu visual remonta aos bons tempos de Christina Aguilera com cabelo Elke Maravilha inspired na era Lady Marmelade. SHE’S GOT THAT REFERENCES. Por fim, a gostosa ainda emplaca uma pontualíssima piada sobre Osasco ser fora do país, provando que também tem a veia pra comédia e é the whole package.

Em seguida temos Yasmin Carraroh: Uma Paixão Nordestina (sim, esse é o drag name completo da gata). Ela apresenta um lip sync da tosquíssima Neon Lights de Demi Volpato (inclusive com um belo typo na tela sendo escrita como “Neon Nights”, provando que nem a equipe de produção do programa dá uma foda pra essa música horrível =]). Yasmin tem toda uma personalidade de drag bonitona e bad bitch a la Kimora Blac, por isso ela não faz nada de verdade na performance além de dar uns pulinhos e se valer totalmente do close & beleza. Nem o momento em que a gata joga seu fur coat no chão rende um ruveal interessante, e no final ainda há uma retirada de peruca sem nada por baixo que faria RuPaul querer matar essa safada com a própria ponta de seu cachimbo de crack – mas a plateia de programa de auditório vai ao delírio e é isso o que importa /o/

AHAHAHAH E SIM NO MEIO DISSO TUDO ROLA UM VT DE CHAMADA PRAS DRAGS SE INSCREVEREM NO PROGRAMA COM ALTAS CENAS DO DRAG RACE E ATÉ O CLIPE DE THE REALNESS. Eu não tô mentindo quando digo que essa é a nossa versão brasileira do programa, deixando Academia de Drags no limbo *o*

Preenchendo a cota Sharon Needles/Max de drag pseudogótica aesthetics, temos Mérope Olfer, que apresenta um lip sync de Can’t Be Tamed da cantorinha de merda pós-adolescente Miley Cytrus com direito a backdancers de caracterização duvidosa. Eu comumente morro de preguiça de drags desse tipo, mas a apresentação da gostosa foi decente, tirando seus adereços kitsch que a atrapalhavam o tempo todo (e asas numa performance de Can’t Be Tamed? groundbreaking). A plateia não se empolgou muito com Méropão, o que prova por A+B que estamos saturadíssimos de drags pale e artsy pelo amor de DEUS.

Em seguida temos Gloria Groove performando seu hit underground de carnaval Bumbum de Ouro e por que não mais uns 15 minutos de VT constrangedor dela quando criança né? Passado isso, chega a hora das críticas dos jurados…… na verdade não porque a produção tem uma ideia bem melhor: mostrar fotos das concorrentes out of drag e mandar a plateia descobrir qual das drags é a poc basiquinha em questão /o/ Talvez você cosmompolitíssima espectadora de reality shows de primeira linha não saiba mas isso é PURO ENTRETENIMENTO/QUALITY CONTENT pras tias do sofá, e dura uns bons minutos enquanto o público vota em sua candidata favorita. De acordo com as regras (que eu não entendi e nem me importo =]) as duas concorrentes mais votadas continuam na competiçãozzz e a menos votada vai pro limbo mendigar 5 minutos de spot na Blue Space servindo de assistente e possível capacho de Thalia Bombinha.

É CLARO que o apelo animadora de plateia/gay que sobe em ônibus elétrico pra dançar Break Free de Yasminzão Carraroh a leva à vitória com a maioria esmagadora dos votos. Rola até repeteco da tirada de peruca durante o momento da revelação dos votos e larga aclamação do público. Sashão fica em segundo lugar, o que quer dizer que Mérope é a eliminada da semana no Raul Gil’s Drag Race. A gata não disfarça a cara de decepção, mas completa o recentíssimo ciclo de drags góticas nas temporadas americanas do programa, a exemplo de Laila McQueen: a eliminação ainda nos primeiros episódios e a economia de nossos esforços mentais pra aguentar tanto look preto e goticismo derivativo na runway =))))

Apesar de ter traduzido muito fielmente a atmosfera de conteúdo duvidoso do programa original, bem que o Raul Gil’s Drag Race poderia fazer que nem o Modernismo brasileiro fez com as vanguardas europeias: deixar tudo com uma identidade nacional. Sim, estou falando de esquetes A LA Blue Space no programa, e quem sabe até um desafio de atuação que envolva reencenar o icônico Horário Político da Blue Space durante a atração? Só isso já seria o suficiente pra deixar os desafios uninspired do Drag Race comendo poeira /o/

Ah é… o All Stars né.

A primeira metade do episódio foi decente, e nele vimos nosso top 4 encarar um desafio performático onde criaram um clipe de uma tomada só com um remix de uma música da Rupaul – nesse caso a pior música possível do repertório da veia, Kitty Girl. É claro que depois o episódio desembocou numa grande bosta quando as eliminadas fracassadas são chamadas de volta pra fazer um júri e decidir quais competidoras iriam pro top 2. As safadas votam no PIOR TOP 2 POSSÍVEL usando critérios mais duvidosos que todas as narrativas apresentadas nessa season do programa, e no fim temos Kennedy e Tracy Martel disputando a coroa num horroroso lip sync de Wrecking Ball da Merda Cyrus (ela tá que tá nesse ru-cap de hoje). Kennedy dá várias piruetas que não combinam em nada com a música e no fim Patatrxiie acaba levando o prêmio pra casa. É CLARO que este blog, ao contrário das drags dessa season, é SENSATO e sabemos que quem merecia levar essa coroa era mesmo Shangelão, que foi boicotada por todas as suas colegas drags recebendo UM MÍSERO VOTO no júri e tomando no cu pela terceira vez no programa *o*

RUPAUL PAGUE O DINHEIRO DA BICHA.

E é isso galera, pra quem achou que íamos cobrir essa merda de episódio completo, É CLARO que não vamos. Já deu dessa season e estamos felizes que ela acabou sem danificar a totalidade dos nossos neurônios (só uns 80% /o/). Claro que somos safadíssimas seguidoras desse programa e já voltamos ainda essa semana com ru-caps da Season 10, que estreia nessa quinta e que também pode render uma cobertura no nosso twitter (já que a última hitou e nos trouxe 1 seguidor e 3 rts em determinados comentários ^~^). Não se esqueçam de nos seguir por lá e também dar like em nossa obscuríssima pagininha no facebook. Até a próxima.