Com Amor, Simon: a importância das narrativas LGBT

Ser uma criança gay imersa em uma sociedade hipermasculinizada não é uma tarefa fácil. E por isso o mais recente “blockbuster” dos estúdios da Fox, Com Amor, Simon, diferentemente do que a grande mídia vem dizendo, faz-se extremamente necessário. Filmes LGBT’s ainda são precários, personagens como Simon ainda não aparecem, e a nossa juventude precisa desesperadamente saber que eles merecem um final feliz.

Com a premissa de que todos merecem uma história de amor, a adaptação do livro “Simon vs a Agenda Homo Sapiens”, mostra que para seu personagem principal, interpretado por Nick Robinson é um pouco mais complicado: ele não se assumiu para seus pais ou para seus amigos, e não faz ideia de qual é a identidade do seu amigo anônimo que divide o mesmo segredo que ele. E tudo fica ainda mais agitado quando Martin (Logan Miller), um colega de classe, encontra seu e-mail aberto com as confissões de Blue e Simon (Nick Robinson) e o chantageia em uma tentativa de se aproximar de uma de suas amigas.

Mesmo que para alguns o plot seja “bobo”, a narrativa adotada aqui ainda é uma séria: se assumir para o mundo. É o seu tom leve e o final feliz – histórias que aparentemente nenhum LGBT pode ter – que fazem Com Amor, Simon se destacar, para mais tarde ser classificado como uma comédia romântica daquelas de Tela Quente que todos vimos passar quando crianças, mas dessa vez nos vemos na tela, gritando para o mundo que existimos e somos válidos.

Se assumir nunca é uma tarefa fácil, e o filme traduz isso delicadamente. Seguimos toda a jornada de Simon se descobrindo, a narrativa aqui não é exclusivamente ser gay – o que realmente não é um problema -, mas sim como esse isso é algo pertencente à você e ninguém tem o direito de te tirar isso. Mostrar-se ao mundo, como ele diz em um monólogo, leva tempo, é pressão demais, ainda mais quando o mundo parece não gostar de você. A forma que essa analogia acontece é até mesmo didática, questionando exatamente o “por quê” de uma pessoa hétero não precisar se assumir – cenas dos personagens secundários se assumindo héteros aparecem com as reações de seus pais ironicamente.

Mas como nada é perfeito, o filme ainda não deixa de dar suas pequenas derrapadas. Em alguns momentos a direção parece falhar em todos os lugares. Outros momentos temos uma quebra da quarta parede muito desnecessária, e mesmo que engraçada em alguns momentos, não vi a real necessidade para que elas fossem colocadas dentro do filme.

Também existem mínimos problemas no tom em que eles querem que o filme tenha. Desde o começo ele vai oscilando entre algo muito engraçado mas que ainda tem seus dramas pessoais, porém, em alguns momentos parece que não conseguimos absorver todos os sentimentos daquele evento. Mas esse parece ser um problema muito comum em scripts de blockbusters. É preciso tempo para o personagem absorver, para que assim possamos absorver as mensagens juntos com ele. Mesmo assim, o filme não deixa de emocionar em diversos momentos.

Quem gosta muito do livro da Becky Albertalli vai sentir falta de alguns acontecimentos chaves que não apareceram durante as quase duas horas de filme. Não é nada que deixe o filme menos fiel ao livro – inclusive palmas ao grupo de produção que deixou a estética idêntica à da obra -, muito menos ruim. Porém, muitas cenas poderiam estar nessa adaptação, ainda mais para ajudar a construir um pouco mais a personalidade de Simon, que não chega a ser vazia mas podia ter sido melhor.

Independentemente, o filme de Greg Berlanti, conhecido por suas séries da CW como Flash e Supergirl, consegue capturar exatamente a essência da história, carregando o mistério de quem é Blue desde o princípio, com um script corajoso que nos traz boas risadas e momentos emocionantes.

Com Amor, Simon, pode ser um filme que deixa a desejar em muitos aspectos para alguns, e que satisfaça a outros, mas nenhuma dessas pessoas pode negar que o lançamento desse filme foi necessário, e é um grande passo para o cinema LGBT que vem estando presente no mainstream cada vez mais.

Narrativas como essa são necessárias. Não importa aonde, enquanto ainda vivermos em uma sociedade extremamente masculinizada e patriarcal, um jovem LGBT sempre vai estar precisando de um grito de ajuda, e obras como Com Amor, Simon encontram utilidades exatamente nisso: reafirmar cada vez mais LGBTs como pessoas válidas e que merecem as mesmas coisas que outros. Com Amor, Simon estreia dia 5 de Abril nos cinemas brasileiros. Que façam mais histórias como a dele.

Me siga no letterboxd.

Duração: 1h 49min
Direção: Greg Berlanti
Gêneros: Drama, Comédia

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