Por que celebrar a volta do Rouge?

2018 mal começou e já tem sido um ano muito positivo pra música pop brasileira. De um lado temos o ícone Anitta deslanchando a sua carreira internacional de uma forma que a gente nem imaginou que ia acontecer, e de outro temos finalmente sucessos virais não-misóginos (!!!) invadindo as rádios e as plataformas digitais, como os hits da ❤ MC Loma <3. No meio disso tudo temos o Rouge, que teve um retorno triunfal inesperadíssimo nos últimos meses – e que foi solidificado após a simples ideia de um show nostálgico para os fãs durante o ano passado. A nostalgia gritou muito mais alto do que elas imaginavam, rendendo a ira milhares de crianças viadas que exigiram a volta permanente do grupo e também a disponibilização dos álbuns nas plataformas digitais (o que aconteceu pouquíssimo tempo depois que eu surtei no Twitter sobre o assunto). Por isso o JWC claramente precisava fazer um post pra celebrar a volta do maior girlgroup que o Brasil já teve e mostrar que não é só de Fifth Harmony ou Little Mix que vivem as pocs graduadas pela escolinha de girlbands de reality televisivo. Prontos para relembrar os momentos icônicos (e outros nem tanto) das nossas fadas brasileiras Fantine, Li Martins (ex- Patricia), Aline, Karin e Luciana?

Pra quem não sabe ou não está familiarizado o Rouge, o grupo nasceu lá em 2002 dentro de um programa muito brega que passava no SBT e se chamava POPSTARS, que era uma espécie de reality na mesma vibe que o Produce 101 e X-Factor (a versão britânica do programa por sinal revelou as Girls Aloud). Na primeira temporada da versão brasileira, a ideia era criar um feminino marquetável nos moldes das Spice Girls (coisa que até então o Brasil não tinha) e sugar o máximo do sucesso e dinheiro que elas iriam produzir às custas de muitos produtos, desde os cds até quinquilharias licenciadas como bonecas e lancheiras. O programa é tão velho que só está disponível no youtube em uma qualidade horrível tipo 240p, mas quem o acompanhou, assim como a maioria das pocs da redação do JWC, sabe que o reality rendeu momentos icônicos (tipo a participação especial da Shakira como mentora em um dos episódios) e momentos de muita aflição que deixaram as pocs infantis sem ar – principalmente a reta final do programa e o anúncio da formação do Rouge. E sim, foi muita tensão, visto que as concorrentes da última fase eram todas maravilhosas, e até gente como a Marjorie Estiano (!!!) estava entre as participantes.

Os últimos episódios do Popstars rolaram quando o Rouge já estava formado, e vimos todos os bastidores das gravações do primeiro álbum das gatas. Foi aí que nasceu o smash hit que tornaria o nome delas conhecido em todo o brasil. Com um pouco de lábia e uma sonoridade hispânica importada diretamente de uma música das Las Ketchup, o Rouge e os produtores envolvidos na produção do cd deram vida a “Ragatanga“, basicamente o nosso maior hino dos anos 2000 (forcei um pouco mas é isso mesmo). Nessa época não tínhamos charts e muito menos o iTunes para mostrar a colocação da música, no máximo tínhamos programas como Domingo Legal e o Sabadaço para o Rouge divulgar este hino aclamadíssimo pelas críticos da Pitchfork, e claro, as rádios tocando a música incessantemente. Elas rapidamente engataram esse sucesso estrondoso de Ragatanga com o lançamento do álbum de estreia, também chamado Rouge, e que em pouco tempo atingiu a vendagem de 2 milhões de cópias (sente o cheiro Fifth Harmony, dá vontade né?), algo estrondoso em um país sem tradição de vendas musicais como o Brasil. Pra quem quiser ouvir esse masterpiece, pode procurar no Spotify, Apple Music, Deezer e afins pois o governo brasileiro nos ouviu e liberou tudo para a felicidade das gays do país!!! Em especial ouçam os hinos “Sou o que Sou”, “1000 Segredos”, “Quero estar com você” e “Te deixo tocar”, mas o disco inteiro vale a pena pois e ele é puraaaa nostalgia eficaz pra relembrar os velhos tempos de criança viada.

[Ragatanga live @ Pacaembu – ROUGE 1ST DOME TOUR ~POPSTAR~]

Depois disso, o Rouge se tornou um fenômeno instantâneo e as meninas tentaram aproveitar ao máximo o sucesso e o amor que foram recebendo dos fãs – depois de emplacarem “Ragatanga” e mais alguns hitzinhos do primeiro disco, como as icônicas “Não Dá Pra Resistir” e “Beijo Molhado”, as fadas entraram em estúdio novamente e resolveram dar aos gays tudo o que eles queriam com um segundo álbum. Logo elas lançaram o hino portunhol “Brilha La Luna“, com uma vibe latina e muito Zouk, marcando uma evolução de imagem e sonoridade em relação ao início do grupo e reforçando o seu espaço dentro da cena musical brasileira. Outro destaque desse single foi o seu clipe, que é totalmente hype e muito aesthetics, claro que muito a frente do seu tempo lá em 2003, e consolidou toda uma vibe latina que as gatas já traziam desde os primeiros trabalhos. O segundo álbum, de nome C’est La Vie, chegou para as pocs em 2003 recheado de hinos como a balada atemporal “Um Anjo Veio Me Falar” e as b-sides hinárias “Fantasma” e “Vem Cair na Zueira”.

Mas é claro que nem tudo são flores né, e o Rouge passou por alguns maus bocados. Assim como o T-ARA se envolveu em um turbilhão de escândalos, o nosso amado grupo brasileiro teve a sua fase ruim com o anúncio da saída da Luciana, que pegou todos de surpresa no início de 2004. Óbvio que por um bom tempo a Lu foi odiada intensamente pela fanbase do Rouge, e creio que até pelas integrantes do grupo também. Sim, muito se especulou na época sobre uma possível FEUD entre a gatinha e a Fantine – diziam que as duas não se fechavam muito bem devido aos seus signos mesmo (pode entrar a poc astróloga @bubblegumrave). Quando precisava interagir com a Luciana em aparições públicas, Fantine chegava a se contorcer internamente de ódio pela Geri Halliwell brasileira (e esses momentos épicos podem ser conferidos AQUI e AQUI). Todo esse rolê pode até claramente ter abalado os fãs em primeira instância, mas não abalou o Rouge, que logo depois retornou ao trabalho e lançou a diss trackBlá Blá Blá” com o intuito de calar a mídia na época que estava colocando muita lenha na fogueira sobre esse assunto. e com a chegada do terceiro álbum em 2004 o Rouge mostrou um lado muito mais maduro e trouxe alguns hinos como “Pá Pá Lá Lá”, “Filme de Terror” e a balada “Sem Você”. Esse é o álbum mais fraco delas, mas a gente dá um desconto pois levando em conta a toda a muvuca da época, o processo de produção deve ter sido muito estressante. Sem contar o estresse pela saída da Luciana e a pressão da gravadora para que elas rendessem material sem parar durantes 3 anos consecutivos. Felizmente em uma nota positiva pelo menos tivemos o clipe icônico de Blá Blá Blá, com as fadas bem dominatrix e esbanjando beleza e muito close, sem contar no solo de guitarra da Fantine no break da música!

O último álbum do grupo, um greatests hits chamado “Mil e Uma Noites” chegou em 2005 e trouxe toda a magia e o frisson das arábias para o Brasil. “Vem, Habib (Wala Wala)” foi a faixa de divulgação e é icônica, contando com raps acalorados, refrão viciante e até o grito de guerra da Xena. LILILILILILILILI. Com todo o impacto que a novela O Clone teve lá no começo dos anos 2000, não podemos negar que toda essa coisa do oriente médio mexe muito com as pocs brasileiras – e é só ouvirmos um batuquezinho árabe que já soltamos a nossa Jade interior! Óbvio que nessa época o Rouge já não era mais um grupo tão superpopular assim, até porque, com o passar dos anos os girlgroups foram perdendo o seu espaço e as gravadoras foram deixando de dar atenção a elas (exceto Pussycat Dolls, mas essas nem dá pra considerar como girlgroup né). Felizmente o último suspiro de vida do Rouge trouxe um dos clipes mais icônicos da carreira, com direito a muito poliamor árabe e miragens no deserto.

Depois disso o grupo sumiu, mas ensaiou um retorno em 2012 durante um reality da Multishow, mas só quem acompanhou as meninas pelas redes sociais sabe o quão difícil foi essa tentativa – principalmente pelas questões de direitos autorais que a banda teve que enfrentar com a gravadora e os produtores. Porém no final do ano passado, e depois da inesperada volta da Luciana, tudo meio que deu certo da noite por dia e o retorno triunfal foi confirmado, com direito à volta das rainhas pra Sony Music Brasil. Planejado para ser um simples show, o “Chá do Rouge” ganhou o apoio intenso dos fãs e virou uma turnê ao redor do país. Eu pude pessoalmente conferir o espetáculo recentemente aqui em Porto Alegre e foi INCRÍVEL – praticamente um sonho se tornando realidade de poder ver as minhas divas da infância de perto e sentir o quão felizes elas estavam de estar de volta e recebendo todo o amor do público mais uma vez. Toda essa fase boa está sendo marcada pela disponibilização dos 4 discos nas plataformas digitais e o lançamento de um single inédito, “Bailando“, que foi lançado em fevereiro e teve sua estreia no Domingão do Faustão – marcando a primeira aparição do Rouge na Rede Globo e deixando o Br’oz no chinelo como sempre. Claro que esse último single delas ainda não se equipara aos lançamentos antigos, mas pra quem sabe do sufoco que elas passaram pra conseguir fazer esse retorno dar certo, tá mais que o suficiente e vale a pena demais ser conferido. Ele ainda por cima traz toda aquela vibe Rouge que só quem é fã deve conhecer de cor, com uma pegada latina e muito portunhol.

Uma coisa é certa, se as Spice Girls foram a girlband do UK, a gente não tem dúvida que o Rouge foi a grande girlband brasileira, influenciando a vida de milhares de meninas e meninos ao redor do nosso tão amado país. Eu creio eu que essa volta do grupo só reforça o nosso amor por essa singularidade tão icônica delas como único grupo feminino que deu certo no nosso mercado musical recente, e por isso devemos celebrar a coragem e empenho das garotas em deixar as diferenças de lado em prol de um bem maior: DAR AOS GAYS TUDO O QUE ELES QUEREM.

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