JESUS WORE YOHJI YAMAMOTO: As únicas faixas de J-pop que você precisa ouvir (ou não) este mês

Todo mundo sabe que o J-Pop morreu no exato momento em que a Kana Nishino achou que era uma boa ideia se lançar como cantora – mas de vez em quando a música popular nipônica ainda tem uns pequenos espasmos de vida, e é por esse motivo que o Jesusworechanel se preocupou em compilar neste mês os lançamentos mais relevantes e trendy desse país que curte fazer filinha em evento pra apertar mão de garotas pré-púberes. Como nem tudo são flores, e tem muito artista veterano no J-pop que curte lançar umas músicas genéricas aqui e ali só pra cumprir tabela, esse post também serve pra dar um pouco de vazão do amargor que existe em mim (ele surgiu com esse intuito até, visto que eu ia inicialmente fazer uma review do último single desastroso do Perfume). As faixas selecionadas para o post seguem um critério de relevância artística, mas também tem um pouco de diversidade de gêneros musicais e artistazinhos não lá muito conhecidos e que merecem esse espaço de divulgação e enaltecimento no blog.

[Só não vai rolar playlistzinha no Spotify porque né… vários desses artistas aqui citados provavelmente não vão dar as caras em plataformas de streaming ocidentais nem tão cedo porque é assim que funciona a indústria japonesa. Welcome to reality, hennies.]

Kyary Pamyu Pamyu – ‘Kimi No Mikata’ (11.04)

Começando já por uma artista bem polarizante, depois de um belo passeio no ostracismo e uma atrasadíssima suavização de imagem, a maior two hit wonder do Japão está de volta com seu primeiro lançamento após quase um ano completo de hiatus. É muito redundante comentar sobre o declínio da carreira da Kyary, então vou focar bem diretamente nas minhas impressões sobre essa música nova e… hm… ela é simpática. De cara já dá pra perceber que o single parece muito com o material antigo do Perfume – e isso é uma característica extremamente positiva, mesmo que essa sonoridade ~technopop ensolarado e fofo~ produzido pelo Nakata Yasutaka já tenha enchido um pouco o saco há algum tempo. O vocoder que usam nos vocais da Kyaryzinha fica tão pesado em alguns momentos que a produção parece claramente inspirada naqueles vídeos de versões chipmunk de músicas que povoam o youtube (mas por algum motivo o resultado final nem soa tão irritante). Claro que a canção é esquecível não se destaca nem no próprio catálogo fraco da Kyary, mas ao menos foi uma boa tentativa de retorno e é de longe um lançamento bem menos ofensivo que aquele single horroroso de páscoa (!!!) do ano passado.

Perfume – ‘Mugen Mirai’ (09.03)

Enquanto com a Kyary a gente aceita de bom grado lançamentos medianos (visto que ela nunca foi lá um grande exemplo de excelência musical), com Perfume a coisa é bestante diferente. Vejam só, Perfume é um grupo extremamente sólido e que por anos lançou algumas das peças mais game changers do J-Pop, então é claro que qualquer coisa menos inspirada que adentra a discografia delas já é uma decepção sem tamanho. A gente coloca expectativas em cada mínimo lançamento desse trio de velhas, e essas expectativas são sim sempre ALTAS. E aí vem ‘Mugen Mirai’: mais um single do grupo que é inspirado pela batidíssima e metálica tendência do Future Bass, seguindo os passos de ‘If You Wanna’. A questão é que a composição de ‘If You Wanna’ era carismática e vibrante o suficiente para se destacar dentre as batidas barulhentas do seu instrumental, coisa que não acontece com ‘Mugen Mirai’, que é engolida pelo tanto de beat derivativo que o Nakata Yasutaka utilizou. O clipe pelo menos é visualmente competente apesar de também se utilizar de outra tendência batidíssima, a dança contemporânea, mas em suma… é um gasto de visual com esse single apático. Numa nota positiva, a b-side “FUSION” é um electropop dark e progressivo, quase sem vocais e de longe uma das músicas mais singulares do catálogo das gatas, vale a pena dar uma ou outra ouvida antes dela cair completamente no esquecimento.

Miliyah Kato – ‘I Hate You’ (21.03)

Sim, a gravadora da Miliyah Kato realmente odeia você querida poc ocidental, pois ela não disponibiliza quase nenhum material recente de gata pra esse lado de cá do planeta já faz um tempo (e por isso tive que incorporar o clipe do twitter e ainda em uma versão incompleta… a full version está disponível neste site safadíssimo aqui). A carreira da Miliyah é outra que andava navegando por locais tenebrosos e mostrando que o Japão realmente não tá com muito saco pra solistas já faz uma década inteira, mas ao contrário de suas colegas de profissão, Mili ao menos parece que está disposta a voltar a investir em material decente e interessante nesses últimos meses. Depois de flopar amargamente com o super esquecível álbum ‘Utopia’ no ano passado (que nem a Disney salvou, visto que a divulgação do disco foi encabeçada pela versão japonesa de ‘How Far I’ll Go’ do filme Moana), Emília voltou aos eixos no início desse ano com o lançamento do single ‘Shinyaku ~Dear Lonenly Girl~’, regravação bem eficiente da sua música de debut e que contou também com uma icônica b-side chamada ‘Meikyuu’, voltando a dar aos gays tudo o que eles querem. ‘I Hate You’ é a faixa título do próximo EP da cantora e dá seguimento a essa nova fase da carreira dela, vindo com uma sonoridade puramente oitentista e retrowave – um tanto atrasada sim, mas isso é compensado pelo fato de que a faixa é bem produzida e tem um resultado final satisfatório. Os visuais do clipe também ajudam a enaltecer a música, e nele a gata incorpora totalmente uma estileira retrô meio callgirl de hotline televisiva/chat amizade erótico e também de idol de show de calouros nipônico dos anos 80. OH HONEY SHE’S SERVING.

iri – ‘Corner’ / ‘Juice’ (28.02)

A iri é uma cantora de alt-r&b/eletrônica particularmente bem desconhecida ainda (mesmo no Japão), mas que em seus meros dois anos de debut já nos agraciou com um material bastante interessante. A artista lançou no final do último mês o seu segundo álbum, ‘Juice’, que conta com algumas faixas previamente lançadas em seu EP ‘life’, do ano passado, e também faixas novas produzidas por nomes como OBKR (Utada Hikaru, Seiko Oomori) e a banda WONK. O ‘Juice’ é um álbum muito bem balanceado entre ritmos intensos e sonoridades mais brandas e funky, sendo o melhor pedaço da curta discografia da irizinha até agora – já ‘Corner’ é a faixa que mais se destaca entre as músicas de divulgação do álbum, com um ritmo compassado contagiante, sintetizadores oitentistas e grooves pegajosos de guitarra. O clipe é bem simplezinho e sem muito destaque, mas funciona ao continuar a identidade visual da iri em sempre explorar cenários urbanos e noturnos. Outros destaques do disco vão para as músicas ‘Slowly Drive’, ‘Telephone feat. 5lack’ e o hinão house/future bass ‘Watashi’. E ah, ele tá todo disponível no Spotify.

Mika Nakashima – KISS OF DEATH (07.03)

Das solistas japonesas que fizeram sucesso nos anos 2000, Mika Nakashima é de longe a mais sem graça, e talvez seu melhor momento musical até hoje tenha sido quando ela cantou ‘Fighter’ bêbada em copacabana com sua amiga supracitada Miliyah Kato durante a copa de 2014. Mesmo assim a gata balzaquiana continua seguindo sua carreira e aparentemente conseguindo bons contratos de divulgação – como o dessa canção em questão, ‘KISS OF DEATH’, que é abertura do anime ‘DARLING IN THE FRANXX’, o maior sucesso da temporada recente de inverno do Japão e que ganhou até as graças da Kim Kardashian (!!!!). Como esperado de uma música de abertura de anime, ‘KISS OF DEATH’ conta com versos pseudomelancólicos e um refrão pseudoexplosivo cheio de pop-rock genérico, além de elementos irritantes aqui e ali que tornam a audição do single extremamente tortuosa (o que dizer daquela bateria chata que fica repetindo o tempo todo numa parte do instrumental?). A faixa é produção do hyde, vocalista da famosinha banda de J-rock L’arc~en~Ciel, mas nem o catálogo extenso e experiente dele ajudou a tornar menos desastroso o resultado final disso tudo (o clipe foi derrubado recentemente do youtube por algum motivo e não se encontra em canto nenhum, mas seu visual é plausível se a gente desconsiderar o uso duvidoso de CGI… pelo menos não foi um clipe preguiçoso feito somente com cenas de anime como já aconteceu por aí, cof cof).

PAELLAS – ‘Echo’ / ‘Yours EP’ (07.03)

Com esse nome de prato típico espanhol, PAELLAS é na verdade um incrível ato indie japonês que eu conheci graças aos algoritmos do youtube. Eles possuem uma sonoridade muito parecida com outro ato J-indie famosinho, o D.A.N., mas com um twist mais groovy/funky, digamos assim. Com uma discografia já bastante sólida e constituída em sua maioria por EPs, esse ano eles regressaram com o single ‘Echo’, que encabeça mais um extended play, o ‘Yours’, lançado ainda semana passada. Apesar do som deles ser relativamente limitado (altas músicas na discografia parecem a mesma coisa se você escutar por alto), o EP novo é surpreendentemente bem variado, explorando várias vertentes desse som indie noturno e lo-fi que é a marca deles.

MONDO GROSSO – ‘Itsuwari no Sympathy’ feat. AINA THE END (21.03)

Essa é de longeee a melhor faixa desse post. Quem lembra da época em que o Jesusworechanel ainda era apenas um podcast talvez já tenha ouvido falar no MONDO GROSSO, que é um dos pseudônimos do produtor japonês Shinichi Osawa, um cara com currículo extenso e que trabalhou com nomes como After School e a rainha do INSS Namie Amuro. O Shinichi tinha colocado esse projeto em hiatus ainda no início da década passada, mas no último ano ele resolveu que tava na hora de reviver a persona MONDO GROSSO e lançou o álbum ‘Reborn Again and Always Starting New’, aclamadíssimo pela cúpula pitchfórquica desse blog e que rendeu hinos como ‘Labyrinth’ e ‘Wakusei Tantra’. O homem realmente QUER TRABALHAR, e já anunciou seu próximo álbum, ‘Attune/Detune’, para o próximo dia 21 de março, engatando a divulgação com esse hino incorporado acima. ‘Itsuwari no Sympathy’ conta com a participação de AINA THE END, integrante do grupo alt-idol de rock BiSH, e incorpora elementos do R&B e house music, transitando tão perfeitamente por esses dois gêneros que mal dá pra estranhar quando a música dá uma super guinada de ritmo. Os vocais de AINA ajudam muito a canção a acontecer, e é interessante como ela parece bem confortável com o estilo da faixa – já que antes de virar punkzinha com nickname agressivo e integrar o BiSH, ela era uma cantora de R&B mesmo. Os versos e refrão são cativantes, e apesar de umas escolhas líricas duvidosas (tem uma parte que ela fica declamando “punish meeeeee”), a faixa é claramente um êxito criativo em todos os sentidos. Ah é, no clipe rola… muita, mas muita polpa de bunda.

É isso garotas, se houver algum lançamento interessante e que eu tenha esquecido de citar pelo simples fato de que sou uma pessoa desmemoriada ou com limitações em meu conhecimento musical, me avisem!!! Nos comentários de preferência – e quem sabe eu faça um updatezinho caso a faixa seja válida. Talvez esse post volte nos próximos meses, mas só afirmando que não é uma coluna fixa por hora. Até a próxima.

#perfume #kyarypamyupamyu #miliyahkato #mikanakashima #nakatayasutaka #iri #shinichiosawa #ainatheend #bish #mondogrosso #paellas #jpop #jesusworeyohjiyamamoto

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