The Post – A Guerra Secreta: a mensagem que todo mundo já sabia.

[Cast pesado com nomes como: Meryl Streep, Tom Hanks, David Cross, Bradley Whitford, etc]

Em tempos onde a realidade e a mentira desenham a mesma linha tênue, o poder do jornalismo se faz necessário. O filme de Spielberg deixa isso claro. Mesmo que sendo simplista, mostra seu propósito ainda mais recente: espalhar para o mundo que as linhas impressas no papel ainda tem algum valor. Porém, a grandiosidade dos eventos que mudaram a história do jornalismo é apagada por um script não muito ambicioso.

Quase como um documentário que narra os eventos da publicação de arquivos que dizem respeito à guerra do Vietnã, The Post – A Guerra Secreta, mostra Ben Bradlee (Tom Hanks), do Washington Post em uma verdadeira competição contra o governo para passar a divulgação dos documentos da Guerra do Vietnã. O motivo era simples: o governo estadounidense havia mentido para seu povo sobre o que acontecia com o seu exército.

Nixon já havia fechado as portas do seu concorrente, o The New York Times, por terem tentado fazer a mesma coisa. Foi aí que Ben Bradlee (Tom Hanks) e sua editora chefe Katharine Graham (Meryl Streep) viram uma chance de colocar o nome do Washington Post entre os maiores jornais e publicar os arquivos.

Assim como seus personagens principais a intenção de The Post – A Guerra Secreta é corajosa. Mas toda essa coragem é apagada durante seus 115 minutos de duração, por um script que não se arrisca e se mostra desnecessário em muitos momentos. A execução de tudo isso não chega aos pés dos eventos que os inspiraram.

Mesmo que muito bem dirigido, o filme não sai disso. Nenhum risco é assumido e a integridade dos personagens é sempre ressaltada. O filme se constrói nas bases do embate falso entre Ben Bradlee e Katharine Graham, paralelamente em suas próprias jornadas quanto a essa história. Katharine, presa pela imprensa livre e está prestes a abrir o capital do jornal, porém só porque o jornal precisa. O embate todo do filme é: Katharine vai publicar o que possivelmente acabaria com a chance dela de abrir o capital do jornal, ou vai prezar pela imprensa livre e seguir em frente com tudo? Sem contar no outro fator crucial, a dona do Washington Post sempre teve amigos poderosos do governo, divulgar os arquivos seria, além de tudo, manchar sua imagem com eles.

Mas mesmo com um embate tão ambicioso, o script não acontece – ao menos pra mim. Somos entregues à um ápice que não é explosivo em nenhuma instância. Meryl Streep sem dúvidas faz um trabalho bom, como ela sempre faz, mas sua personagem é, em muitos momentos, um tanto morna. Os momentos mais cruciais da performance da atriz em The Post, são quando eles conversam sobre a decisão de publicar ou não, e isso demora singelos 60 minutos de filme.

[Tom Hanks na pele de Ban Bradlee, e Meryl Streep na de Katharine Graham]

The Post – A Guerra Secreta quer ser épico, assim como a decisão de publicar ou não aqueles documentos foram. E tinha tudo para ser mesmo – tirando algumas primeiras sequências desnecessárias para a narrativa. Porém, falha em muitos aspectos e nos entrega 115 minutos de um filme “ok”. O que não é um problema, Spielberg faz um trabalho bom dirigindo ele, mas nada me faz tirar da cabeça o quão “oscarbait” a produção desse filme todo foi.

Com o Oscar batendo nas nossas portas, a academia procura desesperadamente por filmes críveis. Histórias reais, eventos chocantes e outras coisas desse tipo. Sensacionalista a ponto de marcar pessoas comuns como heróis. E é isso que The Post – A Guerra Secreta faz em todos os seus momentos. Tenta ser muitas coisas, mas não consegue tirar um arrepio sequer da minha pessoa – em momentos que claramente eram para ter esse cunho arrepiante.

É fato notório que Spielberg é respeitado entre todos os diretores, e ele é em si já é um grande porta voz do cinema. Uma história como essa nas mãos dele, em tempos onde Donald Trump existe nos EUA – e MBL no Brasil – é ouro liberal. O relacionamento perigoso e quase abusivo da imprensa e da política é detalhado em vários momentos. A ambiguidade moral de divulgar ou não sujeira de seus amigos poderosos é sempre mostrada. Mas acredito que de forma até mesmo suavizada, em uma mensagem que todos já sabem: liberdade de expressão é importante.

Não me levem a mal, eu adorei o filme, achei simples mas muito bem feito. E longe de mim dizer que Spielberg é um diretor ruim, acredito que sua carreira é consolidada e ele mostra sempre para o que veio. Mas a apelação em The Post – A Guerra Secreta talvez tenha enfraquecido a mensagem tão importante da mídia.

Não, The Post não é corajoso como muitos tentam dizer que é, e não tem nada de errado com isso. Pelo contrário, é um filme simplista que não consegue simular a grandeza dos eventos que cobre, e acaba descansando no meio dessas duas categorias, mesmo com um Tom Hanks e uma Meryl Streep. Contudo, é uma mensagem importante que todos já sabiam. The Post – A Guerra Secreta já está em cartaz em todos – ou quase todos – cinemas.

The Post – A Guerra Secreta
Diretor: Steven Spielberg
Estreia : 25 de Janeiro de 2018 ( Brasil )
Duração: 115 minutos

Nota: 3/5

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