Operação Red Sparrow: O Cruzamento Black Widow e Atomic Blonde que nunca foi

Red Sparrow, que estreia nos cinema do Brasil dia 1º março, é a mais nova empreitada da parceria entre Francis e Jennifer Lawrence, que trabalharam juntos na saga Jogos Vorazes, desde que Francis assumiu a direção dos filmes no excelentíssimo “Em Chamas”. É nesse clima de parceria que nós (Caino e Michel) do Jesus Wore Chanel iremos dizer a vocês o que achamos do filme.

Baseado no livro de Jason Matthews, Jennifer Lawrence vive na pele de Dominika Egorova, uma bailarina que é convencida por seu tio a se tornar uma espiã, treinada para seduzir e manipular, na melhor escola de espiões da rússia. O filme percorre toda a trajetória da personagem durante o seu treinamento para se tornar uma “Sparrow” – nome dado aos espiões russos treinados na “arte da sedução” e manipulação – e também a sua primeira missão como tal: lidar com o agente da CIA Nathaniel Nash (Joel Edgerton). Mas, o que seria a continuação do legado dos novos filmes hollywoodianos de espionagem, acaba se tornando um romance sem química e desapontador.

Filmes de espionagem hollywoodianos não costumam fugir do padrão já estabelecido: alguns twists malucos, jogo de sedução e looks bonitos. E o último trabalho de Francis Lawrence não foge desses.. “Red Sparrow”, em seus trailers, promete ser um quase-cruzamento entre a Viúva Negra – personagem russa dos quadrinhos da Marvel – e o último filme de espionagem feminino mais bem sucedido, “Atômica (2017)”.

O grande problema de Red Sparrow está justamente em toda essa promessa ao redor do filme. Não dá para colocar a culpa no material publicitário, claro, porque questão de hype é algo pessoal, mas o filme todo passa uma sensação muito estranha de que ele quer ser muito mais do que ele tem a capacidade de ser. Há uma tentativa de expressar uma “grandeza” no roteiro de Justin Haythe e a direção de Lawrence fica o tempo todo querendo provar que Red Sparrow é muito mais do que só um filme de espionagem e sedução!!! Claro que não rola, mas é muito palpável como eles trabalham para que o filme seja levado a sério e não vire somente um produto de entretenimento barato.

Toda essa premissa de Red Sparrow nos faz acompanhar duas horas e vinte minutos de puro sadismo e sexo. Cenas desnecessárias de abusos sexuais sendo perpetuadas a partir de personagens primários e secundários são quase constantes no filme. Sem contar em uma conduta de “manipulação através da sedução” que nos faz concluir que da escola toda apenas uma pessoa conseguiu sair com um pouco menos de superficialidade. Dominika é construída, e imaginada, do início ao fim como uma mulher poderosa, sexy e calculista. Mas falha em personalidade e carisma, sendo uma que não consegue impressionar seu telespectador em quase nenhum segundo, principalmente quando está em ação, na missão designada, tirando certa parte do terceiro ato.

Não é por culpa de Jennifer Lawrence. A atriz, protagonista do seu último filme antes de um ano de “descanso”, mostra um sotaque russo convincente, e faz com que a aura da personagem, fria e calculista, seja até mesmo palpável em alguns momentos. Mas essa expectativa para Dominika é perigosa, uma vez que quando o ápice do filme acontece tudo que conseguimos dizer é: “meh”.

Esse acaba por ser outro grande problema do filme. Depois de um primeiro ato bom, mesmo problemático das mais diversas maneiras possíveis, não consegue engrenar e engata num slow-burn sensual que não funciona da maneira que Lawrence queria que funcionasse, até porque a química entre o casal principal é quase nula. Se cria uma expectativa que não consegue ser cumprida e o filme se arrasta até chegar em cenas mais legais, com uma sequência muito bem coreografada envolvendo tortura com um equipamento que arranca pele e facadas por todo lado.

Além de todos os requisitos que citamos para fazer filmes de espionagem, Red Sparrow também apresenta um quase-consenso de Hollywood sobre russos em geral: são frios, metódicos e ainda vivem nos tempos da guerra fria. Precisamos desesperadamente de algo novo. Os personagens, com exceção de Dominika, são todos caricatos, descritos como “sem coração” e isso, por muitos momentos, é até xenofóbico. Isso além de tudo apresenta-se em outras formas, como quando SPOILER: dentro da escola de sparrows, tentam abusar sexualmente de Dominika e nenhum superior impede, uma delas até diz que não se dar ao companheiro, é egoísmo, uma vez que seu corpo é do Estado.

Tirando esses momentos, Red Sparrow é um filme decente. Mostra Jennifer Lawrence em uma de suas melhores atuações, mas peca em prometer algo tão grandioso e nos presentear com algo tão arrastado. Se você gosta de looks bonitos, cabelos bem pintados e toda a “esque” de filmes de espionagem, o filme de Francis Lawrence é definitivamente para você. Se não, sugerimos você assistir As Panteras Detonando, que é infinitamente superior, de qualquer jeito.

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