bibliopoc #1: Fúria Vermelha (Livro #1): O Cruzamento Entre Game of Thrones e Hunger Games.

É bem claro que o impacto de obras como Jogos Vorazes (Suzanne Collins) e As Crônicas de Gelo e Fogo (George RR Martin), foram gigantes em seus tempos – até hoje se você me perguntar. E como é de praxe, muitas obras similares à estes surgiram depois – olá “Divergente”. Mas o que ninguém esperava é que um dia colocariam tais obras juntas em um cruzamento que não foi tão legal assim. “Fúria Vermelha”, o primeiro livro da trilogia do mesmo nome, obra de Pierce Brown, é em todos os aspectos, um filho “bastardo” das duas obras – e não digo isso em uma maneira positiva.

Em seu livro de estreia, Pierce Brown, constrói uma distopia clássica dividida em quatro partes. Na primeira delas, levando o nome de Escravo, somos apresentados ao cenário – que deveria ser – principal: Marte. Os planetas do sistema solar, e a lua, foram todos transformados em habitáveis – no livro chamam de terraTransformados – e o povo responsável por todo esse processo são os Vermelhos, classe social em que o personagem principal, Darrow, de 16 anos, pertence. Eles são o que mais tarde descobrimos a base da pirâmide social que sustenta a sociedade, mas – como em toda distopia clássica – não sabem disso.

As outras camadas da sociedade também são definidas por cores: Marrons, Azuis, Rosas, Brancos, Obsidianos e o grupo da alta classe, os Ouros. Essa classe constitui-se por guerreiros e líderes. Eles habitam na superfície de Marte, a mesma que os vermelhos sustentam sem saber, na esperança de um dia conseguirem ir para lá. É notável as referências ao Manifesto Comunista de Karl Marx presentes nesse livro. A mentalidade de consciência de classes é uma das – se não a única – coisas boas da obra, resultando em algumas pessoas até apontarem para esse livro como “propaganda comunista” – não sei qual seria o problema.

Mas o que acontece nesse livro, é que a esposa de Darrow é o ponto de virada do personagem. O que já é resultado de uma escrita muito mediana. Por causa da esposa dele – e de um momento MUITO cringeworthy – ele aceita se infiltrar entre os Ouros para tentar implantar um tipo de revolução. Mesmo com seu passado sofredor, onde os Ouros já mataram boa parte da sua família, ele aceita o trabalho para um bem maior.

O que acontece depois desse momento é pura escrita ruim. Pierce Brown é confuso em muitos momentos. Tenta ser épico, grande, incrível, mas não consegue levantar uma faísca em sua revolução – e tenta infinitamente. Muito do pouco apreço que eu tenho por esse livro se deve ao fato dele usar muito da mitologia romana para vários aspectos. A ideia de criar casas, famílias e castas que tem brigas antigas, dentro de um “instituto” onde eles precisam se provar constantemente é muito boa, mas a execução é infeliz. Dentro de mim, Brown não conseguiu criar nenhuma simpatia pela história.

Darrow, o personagem principal, é totalmente sem carisma. A hipermasculinização presente nos aspectos de histórias que se passam na idade média é muito presente na construção dele. Mas nada que o mesmo faz consegue acender sequer um pouco de empatia por ele. Pensem comigo, ele tem 16 anos, nasceu em uma casta não privilegiada e de alguma maneira acaba competindo com pessoas que tiveram esse privilégio desde o berço. E mesmo assim, nos deparamos com um personagem que consegue fazer tudo. É esperto, tem habilidades de sobrevivência, é forte, sabe tudo que há para saber – por conta de uma poção da inteligência, olha que mico – e ainda é tratado da forma mais “Deus Ex-Machina” possível – sério ele simplesmente NUNCA MORRE mesmo com todas as coisas que acontecem.

E mesmo que “Fúria Vermelha” tente passar uma mensagem sobre o quão ruim é o sistema social – já sabemos disso -, a história é perdida em um furacão de o quão BOM o personagem principal realmente é. Mesmo que Darrow seja descrito como esse trabalhador periférico, que não é muito privilegiado e que quer salvar toda sua família, essa bagagem toda é apagada por esse ato de “ser o Escolhido”. Não funciona! Ele é tão perfeito que cheguei ao ponto de odiá-lo em muitos momentos do livro.

Isso tudo porque ele tomou uma poção aqui. A pergunta que fica é a seguinte: se ele consegue se aperfeiçoar tanto, por que os outros não seriam tão perfeitos quanto? Não faz sentido em nenhum momento.

[Clara inspiração de Guerra dos Tronos bem no início]

Na escrita de Pierce Brown é claramente perceptível o que ele tentou fazer. A definição de “cruzamento de Jogos Vorazes com Guerra dos Tronos” não aparece atoa. A narração é feita em primeira pessoa, mas tem aspectos claros de uma narração feita por terceira pessoa, e nisso conseguimos ver os aspectos das narrações de ambos os livros citados. O resultado ficou péssimo. Confuso em alguns momentos, e bom em outros. A história simplesmente nunca tem o seu ápice.

Eu tinha muitas esperanças para esse livro. Por ser um grande fã de Jogos Vorazes, achei que poderia ter sido o início muito bom de uma trilogia, mas me deparei com uma catástrofe sem fim. “Fúria Vermelha” não faz nada para seus leitores, tentando extrair qualquer sentimento de você e só conseguindo um: extremo tédio – eu acho que isso é um sentimento né?

O livro está sendo adaptado para o cinema e já tem um diretor. Diretamente de Guerra Mundial Z, Marc Forster, será o responsável por dar vida ao Darrow e toda sua perfeição. O script será adaptado pelo próprio autor do livro – o que nos garante nada já que ele não fez muito bem nesse livro.

Prometeram-me propaganda comunista e guerra no espaço, mas tudo que eu encontrei foi decepção total. Os aspectos que deveriam ter sido o ápice desse livro, não conseguiram salvar nem poucas páginas dele. Muito menos seus personagens – que mal conseguimos nos conectar ao longo dele. Talvez em sua próxima etapa, teremos uma história mais concreta que não se perca no meio do caminho. Mas por enquanto, nessa primeira etapa, ficou apenas a falta de vontade de continuar, e a decepção com a revolução que falhou em geral.

Livro: Fúria Vermelha (#01)

Série: Red Rising

Autor: Pierce Brown

Editora: Globo Livros

Tradução: Alexandre D’Elia

Páginas: 468

Nota: 2.5/5

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