Super Bowl de Timberlake: Era Melhor Nem Ter Ido

Sobre Justin Timberlake tem coisas que não podemos negar. Uma delas é sua presença de palco, com uma bagagem do N’Sync nas costas, o rapaz sabe como usar bem o palco e agitar a galera. E a outra é que: o cantor se tornou tão desinteressante que nada disso mais conta. E tudo isso se refletiu quando o mesmo se apresentou esse domingo (04/03), no Halftime Show do Super Bowl.

O Super Bowl é basicamente o maior marco de toda a carreira para um artista. De Michael Jackson a Lady Gaga, o intervalo do maior jogo do ano para os estadounidenses já foi palco para os maiores e mais memoráveis artistas levarem o espectador em uma viagem de 15 minutos por toda sua carreira. As expectativas sobre quem é o escolhido da noite são altas, todos especulam qual artista do momento está apto para ser a atração principal e nem sempre elas são excedidas. Esse ano foi uma dessas vezes. O anúncio de Justin Timberlake como estrela do show não foi bem recebido, e isso diz muito sobre o artista.

Durante toda sua carreira escorada no fato de ter sido corno da Britney Spears, o cantor teve seus momentos de glória. Seus primeiros álbuns depois da saída de sua antiga boyband foram incríveis. Teve hits que perduram até hoje em dia, “Cry Me A River” e “Sexyback” são aquele tipo de música que ecoa na sua cabeça por muito tempo depois de uma ouvida. E depois de ter dedicado alguns anos à sua atuação, voltou para o cenário com um álbum bem produzido e com outros hits ainda maiores, provando que seu nome não era coisa do passado, muito pelo contrário, estava mais do que consolidado e atual.

O problema com toda imagem de Justin Timberlake – e honestamente todo cantor pop – é que sua imagem de “homem chique” saturou e o mesmo não teve nenhuma saída criativa de se reinventar. Tudo isso refletiu claramente dentro do seu show no SuperBowl. A mensagem vazia do mesmo fez com que ele fosse um dos intervalos mais esquecíveis e superficiais da história recente do Halftime, não servindo o propósito do pequeno show e só sendo realmente um intervalo para quem esperava pelo jogo.

[Madonna, Lady Gaga e Michael Jackson em seus respectivos Halftimes]

O palco que já foi de estrelas como Madonna, que mesmo com todos seus problemas conseguiu nos dar entretenimento da melhor qualidade, não é um palco qualquer. Tudo que acontece nesses 15 minutos são de uma expectativa imensa, pelo histórico do evento. Espera-se acrobacias e pirotecnia, jogos de luzes que nos façam sentir alguma coisa. E tudo que Justin nos deu foram quinze minutos incansáveis de um throwback pra sua carreira – repleta de hits – e números chatos, esquecíveis, que foram um reflexo de tudo que ele já fez.

Um terninho sem graça, poucos minutos de suas músicas mais animadas foram uma mistura que resultaram em um estádio completamente morto. Era perceptível que apenas a plateia falsa estava animada com o que o rapaz estava cantando. Sem nenhum convidado especial, Justin tentou emular o mesmo que aconteceu com Lady Gaga, que brilhou sozinha e comandou o palco de uma maneira que ninguém esperava, sendo mais do que suficiente. Porém, no Super Bowl desse ano, todo momento algo parecia estar faltando.

[Homenagem ao cantor Prince, bem meia-boca]

Talvez o tributo vazio à Prince, bem pau molão com um lençol onde ele cantava que com certeza fez o defunto se revirar no caixão, já que o mesmo detestava a ideia de uma performance póstuma e também achava o Justin Timberlake um cantor bem meia-boca enquanto estava vivo. Ou o figurino usado por ele que se mostrou sem graça e sem contexto em todas as instâncias. O que realmente ficou claro nesses minutos foi que Justin Timberlake não tem nem cacife, muito menos criatividade para se reinventar como uma estrela do pop. Ficando pra sempre dentro da ilusão de que ele é um “homem chique”, e honestamente, entediante.

O Super Bowl precisa de mais e todos entendem isso. Como quando Coldplay, em uma estratégia muito esperta, chamou Beyoncé e Bruno Mars para seu show extremamente parado e monótono. Pois a banda sabia da repercussão negativa que os mesmos teriam, já que a mensagem pacifista dos mesmos em toda música é traduzida em instrumentais chatíssimos e letras forçadas.

E como se tudo isso não fosse suficiente, Justin ainda cortou músicas como “Suit & Tie”, dando espaço pras novas do seu novo álbum como “Filthy”. E além disso, ainda cantou a mesma música do incidente que teve com Janet Jackson, quando no Super Bowl dela o cantor rasgou sua roupa e a deixou com o mamilo de fora – resultando na expulsão da cantora do evento.

Tudo ficou ainda pior quando o cantor fechou a noite com o seu smash hit, “Can’t Stop The Feeling”, a música é tão irritante e tenta ser tão feliz, que só consegue ser cansativa e repetitiva.

Justin Timberlake perdeu todas as grandes deixas para fazer um show incrível e bem criativo, provando ser vazio e sem mensagem nenhuma. Certeza que o Super Bowl serviu para celebrar a carreira dele e ainda aproveitar para divulgar as novas músicas, mas só isso não é mais suficiente. Que esses tediosos 15 minutos fiquem de lição para as próximas atrações, e que o comitê nunca cometa o erro de chamar cantores assim.

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