Ru-Cap: RuPaul's Drag Race All Stars S03E01 "Caidíssimas tetas disco e a vingança de Ajânus"

Mais um ano começa e, com ele, mais uma temporada de RuPaul milkando as últimas forças de cada uma das corajosas drag queens que decidem se submeter à experiência de seu reality show, dando aos gays exatamente o que eles querem: muita lágrima de glitter, muito barraco, e discursos odiosos (!) sendo repetidos à exaustão até perderem totalmente seu original sentido, e muito drama. Nós do JESUS WORE CHANEL cobriremos a 3ª temporada de RuPaul’s Drag Race: All Stars 3 com nossos posts mais #sassy #and #fun até agora para suprir a necessidade do nosso público, isso mesmo, você catolicíssima poczinha que nos lê, de bons recaps de reality shows trashzões, com soluções duvidosas de entretenimento televisivo, e proveitosas discussões socioculturais inseridas aleatoriamente em cada episódio pra educar heterossexuais desavisados do nível de dedo no cu e gritaria contido em cada frame o Esse post é uma colaboração entre Matheus + Kelvyn. Vamos?

OBS.: Nossos Ru-Caps serão livremente inspirados nas reviews/recaps de sites como o A.V. Club e o saudoso RSFD, que influenciaram toda uma geração consumidora de lixo televisivo e tocou o amargo coração de cada um de nós. Inclusive não nos acanhamos em usar os mesmos emojis *o* /o/ e expressões safadíssimas para deixar nossa inspiração Cheryl Cole/Sunmi ainda mais descarada. *BOOOM* Quem chegou a acompanhar essa época de Reality TV Trash com auge de “Survivor” e “ANTM” vai sentir o espírito desse Ru-Cap.

Tudo começa com a vencedora mais superestimada da história do programa, e também Fofão da Augusta / cover da Cher por hobby numa esquete tosca com claros objetivos de surfar no hype de “The Handmaid’s Tale”. Tudo, claro, para introduzir aos espectadores o fajutíssimo conceito de DRAG RACE HALL OF FAME!!!, um negócio que nem a própria equipe da RuPaul deve entender o objetivo. Afinal, esse bendito hall of fame não se diferencia EM. NADA. do conceito também fajuto de America’s Next Drag Superstar – mas claro, dessa vez sem o trocadilho safadamente chupinhado do ANTM – assim como várias coisas de RPDR também são.

Logo somos apresentados ao cast da edição sem grandes surpresas, com a mesma lógica de: queens fracadassas em seasons anteriores entram > apresentam um compacto de cenas de seu passado constrangedor no programa – pelo amor de deus, o VT da Morgan lembrando da P!nk dela na S2 *ooo* > cada uma mandando uma descrição de si com bordões voando aqui e ali nesse momento pra virar GIF (inclusive pasmem, a RuPaul pronuncia GIF como JIFF, essa véia safada). As entradas servem para refrescar a memória do espectador sobre as amargas que voltaram nessa edição, e claro, nunca mais renderão algo tão aleatório e inusitado quanto Laganja mandando um death drop dreckallah na S6, ou Lady Gaga awkwardly fingindo ser uma competidora na S9. Óbvio que com um cast desses não houve SEQUER um look comentável, além de Tracy Martel repetindo descaradamente seu suit de cool mom dançarina de zumba com pochetinha neon hipster Rua Augusta e rollergirl do Carrefour nas horas vagas diretamente de seu programa no Youtube com a Katya, o UNHhhh. *o*

RuPaula prossegue com a apresentação previsibilíssimazzzz (cascando o bico até hoje das meninas héteros fora do meio e desinformadas postando na página de Drag Race do Facebook conspirando que seria Valentina a queen secreta!!!!) da décima participante. Qualquer pessoa com acesso à internet desde o último trimestre de 2017 sabe que é Bebe Madara Uchiha Bennet. Tirando toda a humilhação de ser uma vencedora do programa, participando de uma season cheia de drags amarguradíssimas, Bebe parece querer livrar-se também de todo o blur e ostracismo daquela época. Logo, renova-se seu público, e torna-se conhecida entre os jovens a galera a moçada etc #rebelheart #unapologeticbitch. E claro que ninguém lembra da Bebe, pois além de participar de uma season obscuríssima, a gata foi totalmente ofuscada por questões mais importantes nesta citada temporada, como a existência da Akashia.

[Bebe serving Bunchie, a lhama radioativa com esse sorrisão]

Blábláblá drags reclamando sobre Bebe concorrer duas vezes. O programa prossegue com um Reading Challenge, coisa que RuPaul tá forçando como ponta pé inicial pras seasons de All Stars desde a última edição. Parabéns por colaborar para mais um formato engessado, com uma sequência de quadros cada vez mais previsível, RuPaul! Embora o Reading Challenge antes servia para acirrar as disputas entre as participantes e deixar claro o ódio gratuito que uma amarga possuía pela outra, agora ele é uma espécie de artifício para enturmar as veteranas e deixá-las menos desconfortáveis entre si. Nenhuma novidade aí além de coisas tipo Thorgy ser extremamente flat e BenDelaCreme ser chatérrima mas ter feito as piadas que menos insultaram a nossa inteligência – que, assim como a tendência dos Reading Challenges, é decrescente. Aliás tudo é editadíssimo nessa sequência e, como sempre, o melhor virou bônus pro site da VH1 #ad em alguma lógica horrorosa atrair gays pra esse bendito site e extrair pinkcoins com algum script oculto safadíssimo. A próxima sequência mostra as safadas se despindo na workroom e se odiando gratuitamente em offs gravados semanas depois só pra dar aquele gás na picuinha toda. Ah, não podemos esquecer da cena da Chi Chi comendo seu próprio brinco que é nada menos que uma BOLACHA DE TARECO:

O desafio principal desse episódio é chupinhadíssimo do também desafio principal do All Stars 2, mas dessa vez usando o nome “Variety Show” no lugar de “Talent Show” POR. ALGUM. MOTIVO. A ironia toda do rolê é que as performances das gatas são pouquíssimo variadas, visto que 80% delas resolveu fazer dublagem exótica de material próprio ou whatever. Nesse segmento temos Shangela e Bebe fazendo performances plausíveis e gastando todos os seus bordões possíveis com “sugar daddy” pra cá, “camaroon” pra lá, nada de novo e RuPaul aplaude como uma foca do SeaWorld (morte ao SeaWorld). Depois temos a chatíssima Thorgy, tão beige que ela não consegue arrancar nem um trocadilho nominal da produção além de “thorgeous”, tentando um número de violino que deixa a RuPaul com essa cara apreensiva aí:

Nada mal pra uma branquela que usa dreads *o*. Depois entra um playback acompanhando a performance com uns beats de house music genérica – mas olha, é tudo tão qualquer coisa nesse rolê, que se não fosse a ousadia da gata em fazer algo diferente de dublagem nesse desafio, eu já teria pulado há muito tempo. A performance aliás foi tão corta clima que a RuPaul até aplaude apenas com as palminhas da mão pra PROVAR GRAFICAMENTE quanta perda de tempo foi essa experiência ❤ Aja é a última performance do bloco e de longe a melhor dublagem até aqui. Claro que é tudo meio esquizofrênico, que as cores neon dos looks dela doem nos olhos e que a coluna da gata já era depois de uma sequência tão desesperada de death drops. Mas quem se importa? O melhor momento foi a performance ter rendido o meme abaixo, prontinho pra ser usado em piadas problemáticas sobre suicídio no twitter, girlies:

Ao fim da apresentação da Aja, acontece um daqueles momentos que faz Drag Race ser ouro na categoria Reality TV – insiram aqui gif de RuPaul esfregando aquele Emmy em nossas fuças. Chi Chi e Kennedy, que minutos atrás apareceram fazendo graça do status ‘rookie’ (palavra amaldiçoada desde a música homônima do grupo Red Velvet) de Ajânus maravilhosa, aqui aparecem olhando uma pra outra com semblantes de desespero + fritação pra tentar bolar algo que chamasse mais atenção que a gata FaceTune. *OOOOOO*

Kennedy, melhor lembrada por seu aerodinâmico estrabismo, por ser uma véia péssima em talking-head de tão amargurada, e por seu tragicônico look de galinha fritadinha cristalizada, decide investir num lip sync com mais death drops, mais energia, e mais 10 goles de Monster Energy com vodka e balinha que o lip de Ajão 8 Wins. Bom, basicamente o mesmo tipo de performance que ela faz em todos os shows, e também demonstrou em seu lip sync contra Katya na S7, embora dessa vez ela tenha conseguido voar e parar em cima de um caixote no meio do palco. Impressionante mas ainda.. meh. Após o choque inicial dos death drops artísticos da Aja qualquer passinho similar da Kennedy pareceria sem brilho mesmo.

[I’m fully charged, nipples are hard, ready to go]

Na sequência, Bendela entrega um dos destaques da noite com uma estonteante apresentação de soutiens múltiplos sendo revelados, e brincadeirinhas quirky envolvendo os mamilos de cada sutiã. PEITOCÓPTERO DA ELVIRA INTENSIFIES. Inclusive, fica aqui uma sugestão de ouro pra Bendela: performar Tove Lo – “Disco Tits” enquanto repetir essa performance, pois é lógico, essas queens são hall of fame de drag ou whatever e farão turnês mundiais refazendo nos palcos cada passo delas no programa.

O nível cai um pouco agora, chanelpoc. OH, Y’ALL WANTED A TWIST, EH!? Chi Chi e Morgan entregam as duas piores performances – aceitem, ambas foram piores que a Milk, mesmo Milk sendo uma branca safada que merece punição por ser branca safada – da noite. Chi Chi, cuja edição omitiu o fato de que ela ter se cortado ao ensaiar para o show de variedades mas que também cortou ela ter derrubado seu bastão várias vezes enquanto a performance tava rolando, fez uma dance routine completamente esquizofrênica, num look podre sem padding, com sapatilha de bailarina, e maquiagem mínima. NADA. NAQUILO. FEZ SENTIDO. *o* O que é uma pena, visto que Chi Chi é uma das queens mais simpáticas e amadas pelo público, cujo arco narrativo de sua temporada foi ótimo e lhe deu uma puta redenção de drag pobretona para passarinha artística trabalhando com o pouco que a vida lhe deu. RuPaul praticamente a Ana Maria Braga ensinando à dona de casa como faturar uns trocados com artesanato reciclável. Já Morgan, em tentativa risível de emular o SUCESSO INTERNACIONAL E INIGUALÁVEL de Tatianna – “The Same Parts”, dubla sua própria bitch track com frases de efeito horrorosas. Tudo de tanto mau gosto que parece ter saído d’uma b-side do Danity Kane sobre ser fierce ou qualquer tipo de adjetivo genérico sobre modelar. Morgan, já entendemos, cê ainda tá em 2010.

Trixie Mattel, estrelinha e possível cotada dessa leva de participantes, investiu no minimalismo letárgico da era “Joanne” e apresentou seu single country, “Moving Parts”. Trixie é uma das queens cuja trajetória mais mudou após a eliminação em sua temporada original; de barbie geek virou comediante em sua própria turnê de stand-up e, mais recentemente, cantora/compositora de pop country. Nada aqui é excitante mas é novo. Um livezinho tímido, em meio a tanto desespero de grandes personalidades por mais tempo na frente das câmeras, é uma escolha arriscada e mudou completamente o clima do palco. Após o refrão da música, Trixie já havia conquistado seu espaço e as pessoas finalmente conseguiram entender o que estava acontecendo (mentira).

Por fim, tivemos Milk e uma bitch track horrorosa que praticamente mirou em No Porn – “Baile de Peruas” e GA31 – “Andrógena” mas acertou em auto-paródia. Desfilando num catsuit nude, a gatinha repete a palavra fashion por mais vezes que a própria Shangela mandou os hallelloo nesse episódio, enquanto veste roupas de papelão penduradas em meio ao palco. É claaaaaro que, após se reintroduzir ao público no início do episódio como “ZADDY” (!) e nos lembrar que é modelo pro Marc Jacobs e outros estilistas, Milk não perderia a chance de parecer ainda mais francesa que Ana Hickmann ao ter voltado da Europa:

Aqui, mesma velha história do espetacular-e-já-ultrapassado twist do All Stars 2 aqui: top 2 > quem ganha o lip sync leva uma singela gorjeta de 10 mil dólares e o direito de eliminar uma das gatas do bottom 2. Bendela e Aja, claros destaques do dia, são as vencedoras. Bottom 2 fica entre Chi Chi e Morgan, mais que merecidamente. O velho drama do Untucked sendo exibido junto ao programa, mostrando as fracassadas do episódio suplicando por misericórdia às vencedoras, tá aqui também ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ ATÉ. QUE. mini-*BOOM* Bendela não concorda em seguir os critérios da maioria em eliminar aquela que teve piores críticas do painel de jurados – este, que dessa vez, teve a maravilhosa Baby V *Gatinha do Love* Vanessa Solineuza Hudgens achando tu-do-h ter interações com homens homossexuais e já curiosa pra saber quanto custa comprar um para ser seu chaveiro.

Tudo fica ainda mais #drekckallah quando Bendela, uma caricatura d’uma polonesa branquela peituda e burlesca, ganha o lip sync de !! NICKI MINAJ ANACONDA !!, contra Aja, simplesmente por mais uma vez entregar boa comédia sem prometer. Natural sucessora de Jinkx Monsoon faz assim mesmo /oooo/ inclusive fica aqui UM BEIJO pras pocs adolescentes que insistem em odiar Jinkxzão, sendo que ela é simplesmente MUITA. COISA. BOA. DEMAIS. PRA. VOCÊ. Humor de véia é resistência. Numa decisão controversa, Ben elimina Morgan, pulverizando (SERÁ???? HUMMMM ?? HEIN??? HEIN HEIN? SERÁ!??!? AHH RUPAUL) as chances da gata se redimir por todos os seus crimes cometidos em frente às cameras como, por exemplo, sua P!nk do Snatch Game da S2 e sua existência no geral. Até Cocaína DeVayne, que só queria desativar após ser devastada, ficou em choque e deve ter pensado: “puta que pariu, vão me arrastar nessa bocada igual Roxxxy Andrews”.

Já que é pra tentar descolar notoriedade através de “Handmaid’s Tale”, RuPaul decidiu enfiar as referências à série até mesmo nas pós-eliminações. Morgan, despedindo-se do programa, é surpreendida por uma daquelas mensagens televisivas de surpresa de Ruzão Banks, que já são praticamente o equivalente drag do plantão da Globo. RuPaul, em frente à um paredão de sangue fakíssimo e horroroso tirado diretamente da primeira edição do popular game hetero/bissexual (eu jogava!!!) pra pc, Counter Strike, lhe promete a ru-demption que Morgan queria e um ru-turn que abalará as estruturas dessa disputa acirrada. Meh. Atrás da gata, um CGI maravilhoso de tosco mostra Chad Michaels e Alaska, em clima de suspense. Abençoado seja o fruto que RuPaula tá catando. Spoiler alert: o fruto é uma maçã, no qual ela tá tragando pedra de crack mesmo. Sim, dá pra fazer isso!!!!!!!!

O formato pouco nos surpreende e trouxe poucas coisas necessariamente novas mas é entendível que, com a ascensão mainstream do programa, seus padrões se solidifiquem, né? Não se mexe em time que tá vencendo, ou algo assim, sei lá, meu pai nunca se orgulhou de eu não saber nada de futebol. Há algumas possibilidades no ar, como a do retorno de Bebe à competição seja apenas de faixada e ela seja a XIS-NOVE/DEDO-DURO da temporada, em mais uma referência forçada à “Handmaid’s Tale”; e, ainda, o episódio de retorno de uma das queens eliminadas ser o Snatch Game. Assim, todo o cast participaria dessa parte clássica e obrigatória do programa, numa bagunça horrorosa que pode nos dar tudowh ou absolutamente nada. Enfim, só saberemos disso conforme os episódios saírem mesmo. A maioria dos spoilers das gatinha do reddit tá afundando mais e mais a cada dia, muita coisa sendo desmentida etc, então rola até um diminuto, bem diminuto, senso de surpresa. *o* Especialmente depois da S9, cujas participantes tiveram seus desempenhos compartilhados e narrados até pelo Cid Moreira antes mesmo dos episódios serem exibidos.

É isto, seguimores. Ficamos por aqui com a primeira edição do Ru-Cap All Stars 3 e esperamos que a clientela esteja satisfeita com o finíssimo prato que lhes foi servido. Esse post deu trabalhooooo caralho, apreciem. FERIADO. COMEMORE. Gostaram do episódio? Mandem replies ou DMs lá no Twitter reclamando que não deitamos pra sua fave o bastante, etc etc. Estamos no aguardo. o Beijos estrelados.