BICHAFORK: Camila Cabello deixa Fifth Harmony em Havana e brilha sozinha

Após a saída abrupta do grupo originado no X-Factor US, Camila Cabello tem levantado questões sobre seu futuro na indústria musical: conseguiria ela se firmar e achar seu som? “Camila” – álbum de estreia como cantora solo – responde todas essas questões e afirma o que era inegável: o rompimento com a bagunça sonora do Fifth Harmony veio em momento propício. E do Reggaeton ao piano suave, Camila Cabello faz a dor de cotovelo agradável aos ouvidos.

Ainda cambaleando para colocar sua identidade nos lançamentos musicais, Camila Cabello tornou-se um nome muito comum em parcerias como de Machine Gun Kelly e Major Lazer, lançou seu primeiro single solo em um conceito que pareceu “fresh” e sem dúvidas mais concreto do que seu passado no grupo – surpresa para muitos. “Crying In The Club”, uma produção que ainda não gritava a essência da cantora, sampleando clássicos do pop e uma semelhança inegável à “Cheap Thrills”, fez um bom papel ao introduzir a cantora e marcar que sua “approach” à indústria seria bem diferente do que a imagem cuja a associavam.

O álbum, antes de ser repaginado, chamava-se “The Healing, The Hurting, The Loving” e prometia trazer uma consistência dos conceitos explorados pela cantora. Mas foi com “Havana” que a cantora chamada de “Fada Cubana”, conseguiu concretizar seu nome no mercado e fazer do seu nome, uma grande força a ser reconhecida. Nos reafirmando aquilo que já sabíamos: “ser assassinada” na performance do seu ex-grupo no VMA foi a melhor coisa a acontecer para a carreira de Camila.

É inegável que o grupo em que tomava conta de maior parte dos vocais ainda batalha para achar sua identidade – e propósito no mundo musical. Mas “Camila” concretiza fielmente que a “fada cubana” acaba de achar sua identidade. A própria música, “Havana”, desacreditada pela gravadora, impressionou a todos e tornou-se um dos hits mais memoráveis do ano passado (2017) e ainda pintou na nossa lista de melhores do ano. Quebrou recordes e deixou todos impressionados com a força que a cantora mostrou – uma vez que em conjunto com as quatro harmonias não conseguiam quase nada.

O álbum cheio de músicas que poderiam muito bem ser direcionadas para as suas ex colegas de grupo, começa com sua música de trabalho mais recente, “Never Be The Same”, faixa que faz ótimo trabalho deixando claro que a Camila Cabello de antes não tem lugar nessa nova fase.

Uma batida ou duas dentro do conjunto sem dúvidas lhe fizeram pensar em trabalhos mais recentes de outras cantoras pops. O intuito desse texto não é dizer que o álbum é inovador – bem longe disso – mas sim deixar claro que o trabalho em si é concreto e por ser um álbum de estréia, opta destacar-se em qualidade, já que as faixas são até poucas demais se você me perguntar. E o resultado final faz parecer que o álbum é bem fechado.

Os ritmos presentes dentro do trabalho de estreia da cantora, fazem a mesma se afastar das produções genéricas que o grupo em que fazia parte continuam insistindo em lançar – o último trabalho das meninas é bem bagunçado. Apagando do seu histórico os “hits” que ficou conhecida por, como “Work From Home” e “Worth It”, fórmulas repetidas em letras desconexas, onde a voz de Camila Cabello era usada de pessimamente a ponto de ser marcada como a “irritante” entre as cinco. Uma das únicas músicas que lembram o grupo talvez seja “Inside Out” que soa como uma descartada do grupo.

Porém, nem o ponto mais baixo desse álbum faz ele brilhar menos. Soltas as músicas podem não funcionar – o meu estranhamento ao ouvir “Never Be The Same” pela primeira vez foi imenso – mas dentro do conjunto que é “Camila”, todas encontram sentido e acabam por complementar umas às outras, resultado de um trabalho bem pensado e polido. É por isso que o seu álbum de estreia brilha nos últimos lançamentos. A autenticidade do ritmo “cubano” que o hit Havana teve, nos fez prestar mais atenção no que a menina tinha a dizer.

Os pontos altos desse álbum – em minha humilde opinião – sem dúvidas foram “She Loves Control” e “All These Years”. As duas faixas sintetizam fielmente o propósito do álbum, tendo o ritmo latino e atrevido que nos fez viciar na expressão “fada cubana” e “fidel castro do pop”, e um bom violão com a cantora mostrando toda a sua potência vocal, dessa vez mais controlada e comportada, bem explorada e sabendo os momentos de se destacar.

“Camila”, nome arriscado para um trabalho de estreia, é um álbum sólido que tem pontos baixos mas que se destaca ainda mais pelos seus pontos altos – e são muitos. As músicas, que resumidamente trazem à tona aquele clichê de coração partido, trazem uma sonoridade consistente, nos convidando a viajar dentro das confissões da cantora. Esperamos para ver ainda mais da fadinha enquanto cantora solo e os conceitos que ela tem debaixo da manga.

É óbvio que o futuro de Camila Cabello não será igual o de Beyoncé, ninguém nunca pensou nisso. O impacto que Destiny’s Child teve na cultura pop foi maior do que qualquer contribuição do Fifth Harmony em todos esses anos. Mas é exatamente fora do grupo onde Camila pode mostrar para o que ela veio e tentar se firmar ainda mais na indústria músical.

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