Utada Hikaru, embaixatriz da música pop japonesa: Quem é? De onde veio? O que come? Por quê ouvi-la?

Olá, garotas do blog! Como vão nesse ressacão de festas de fim de ano da primeira semana útil do ano? Prontos pra começar 2018? Pra dar uma ajudinha nessa época de #struggle #and #shit, o cristal, anjo, pilar de sustentação, mãe, ícone, e uma das criadoras do J-Pop como ele é atualmente – e influenciadora de artistas muito além da cena oriental – resolveu liberar sua discografia no Spotify. Seu catálogo já havia sido publicado na íntegra na Apple Music e no Tidal há algumas semanas e, agora, migra para o serviço mais popular de streaming. Aproveitando o hype e a felicidade de fãs, ouvintes casuais, e curiosos com o aguardado ingresso da fada ao mundo moderno, o © JESUS USAVA CHANEL  lhes apresenta um maravilhoso mini-apanhado sobre Utada Hikaru.

Para isso, responderemos à perguntas que não foram necessariamente feitas por ninguém mas serão respondidas mesmo assim, intercalados com crocantes videoclipes da fadinha. ❤

“QUEM É UTADA HIKARU?”

Hikki, carinhosamente apelidada por seus fãs gaymers ursinhas, é uma capricorniana de ascendente em escorpião e lua em peixes cuja carreira musical começou em 1996, no Japão. Filha de Keiko Fuji, uma das maiores lendas do enka (gênero musical tradicional), a gênia precoce despontou aos 13 anos no mercado sob a alcunha de Cubic U, lançando um álbum em inglês de composição própria. Depois de um fracassozinho básico, a Maria Rita japonesa aqui decidiu investir em outros rumos musicais, mirando no R&B dançante em alta da época, somado às suas habilidades musicais de composição. Em 1998, lança “Automatic / time will tell”; o primeiro e um de seus maiores singles. Em março de 1999, lança seu álbum oficial de estreia, “First Love”, que logo tornaria-se o disco mais vendido da história do Japão com 8 milhões de cópias vendidas – 11 milhões mundialmente *o*. Em 2003, com o lançamento do single “Hikari”, tema do game Kingdom Hearts, e sua subsequente versão em inglês, “Simple and Clean”, despontou para fama internacional. Seu primeiro álbum inteiramente em inglês e direcionado ao mercado americano, “Exodus”, lançado em 2004, obteve resultados mistos. Posteriormente, viria a lançar a canção do game Kingdom Hearts 2, “Passion” ou “Sanctuary” em inglês; e, ainda, faixas de abertura dos filmes do lendário anime Evangelion, “Beautiful World” e “Sakura Nagashi”. Em 2010, entrou em hiatus – seis anos suficientes para que muita coisa em sua vida acontecesse; casou-se, teve seu primeiro filho, e lidou com a trágica morte de sua mãe. Seu retorno deu-se em 2016, com o lançamento do disco “Fantôme”.

“POR QUE ESSA GATINHA É TÃO RELEVANTE?”

Utadinha é até hoje um monstro do pop japonês. Para quem acompanha a cena, a influência dela em diversos artistas é quase que óbvia: o cristal do pop/rap alternativo DAOKO, a flopadíssima JASMINE e sua carreira já falecida, a musa subestimada Miliyah Kato, e até bandas como Suchmos; todos esses atos provavelmente não existiriam sem o impacto de Hikki no Japão.

Sua estreia oficial, em 1998, coincidiu com a chegada de mais duas outras cantoras que redefiniram o J-Pop para sempre: Ayumi Hamasaki e Shiina Ringo. A cultura idol que havia tomado conta da década de 90 até aquele ponto – com Namie Amuro, Hitomi, Globe, Tomomi Kahala, e outros – já mostrava sinais de cansaço e estagnou-se com o surgimento dessas (e de mais outras) cantoras e atos cujas canções eram de composição própria; melodia e letras. Enquanto, no Ocidente, Britney Spears fazia sucesso por seu pop ensolarado e superproduzido – típico da década de 90 –, Hikaru era como a antítese dos padrões perfeitinhos da indústria. Assumidamente gamer, nerdzona, até com um bigodinho mal aparado que nos assombra pela eternidade na capa de “First Love”, ela redefiniu o que o público esperava de uma popstar. A abordagem relatable de suas letras, que lidavam com problemas comuns aos adolescentes – o primeiro amor! –, ao passar dos anos, tomaria forma mais e mais madura. Seu 2° álbum, “Distance”, já demarca progressões notáveis; sons ainda mais ricos, torcendo e dobrando o R&B simplista de seu debut em mil experimentos. A sonoridade dessa época é muito presente em referências diretas e indiretas dos atos que foram inspirados por Hikaru. Bom exemplo disso é a cantora Rina Sawayama, cantora que surgiu na cena pop londrina e teve grande destaque em 2016: sua mira na nostalgia de sons cai exatamente nos dias de bug do milênio em que Hikaru lançava o R&B mais lustroso de todo o país.

Seu 3° disco, “Deep River”, marcou a transição definitiva de Hikki de popstar para singer-songwriter. Sua aposta em firmar-se como mais que uma mera popstar do momento trouxe sonoridade cada vez mais experimental e versos profundos, viscerais; elementos que estão presentes em sobra na sua música desde então. O álbum “Fantôme”, lançado em 2016 após longo tempo de ausência do cristal cântico, foi um sucesso sem precedentes, especialmente por ter sido lançado em meio ao revival da cultura idol na cena mainstream. Parece que a gata voltou exatamente na hora que o mercado precisava dela – assim como na época de seu debut!!!!!!!! –, não é? O público desejava por algo, digamos, mais artístico e lá veio Hikkizão com seus versinhos pedantes em francês.

“POR QUE OUVIR ESSA SAFADA QUE CURIOSAMENTE SE ASSUMIU QUEER(?) NO TWITTER PRA UM AYUFÃ ACUSANDO ELA DE SER PRECONCEITUOSA COM OS GAYS? *oooo*”

Pessoalmente, fico incomodado quando vejo velhas nostalgistas citando Utada ou Namie Amuro ou Ayumi Hamasaki como suas únicas fontes de música J-Pop em >>2018<<; pior ainda é quando falam que o J-Pop morreu e só elas podem salvá-lo. Quem morreu foi o bom senso de vocês!!!!!!!! DESABAFEI. Entretanto, todavia, no entanto, não obstante, vamos falar objetivamente: Hikki é uma das poucas artistas do mainstream japonês que conseguiu unir perfeitamente a arte ao pop. Sem brincadeiras. Sua música é sofisticada embora acessível. Suas letras são profundamente pessoais e, ainda, relatable as fuck. Hikki transcionou perfeitamente de adolescente para adulta aos olhos do público e manteve-se no topo do jogo. Essa mulher conseguiu fazer em 20 anos de carreira o que poucos artistas de renome por aí conseguiram em trajetórias tão longínquas quanto. O legado de sua mestria musical há de durar por décadas e décadas. Mais do que uma estrela cadente do J-Pop, fez-se respeitada não apenas como ato de nostalgia; para o Japão, Ásia, Oriente e Ocidente: Utada Hikaru é a definitiva embaixatriz da música popular japonesa.

Dito tudo isso, vamo de música? Toda a discografia dela está disponível nas plataformas de Streaming, e você pode se debruçar confortavelmente por várias album tracks perfeitas, b-sides lendárias e os ótimos singles que pontuaram a carreira da gata (é incrível como absolutamente todos os singles dessa safada foram icônicos e importantes, rainha da qualidade, porra).

E é isto. Se esse meu postzinho conseguir tornar alguém em Utadafã, pra mim, já tá de bom tamanho. Só tomem cuidado pois quando isso acontece a pessoa automaticamente sai falando francês fluentemente, cantando hits da Edith Piaf, e começam a crescer pêlos nela – pois kuma!!!! !!! hehe !! Este foi um maravilhoso especial © JU2C para você. Em breve: MAIS. Beijos bissexuais.

#utadahikaru #shiinaringo #jpop #matéria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s